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	<title>Poleiro Elétrico</title>
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	<description>O booklog eletrônico do Arara</description>
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		<title>Poleiro Elétrico</title>
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		<title>[LIVRO] My Ears are Bent, de Joseph Mitchell</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 19:32:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Livro: My Ears are Bent Autor: Joseph Mitchell Editora: Vintage Um amigo meu certa vez me disse que era possível medir a fama de um autor só de olhar uma capa de um de seus livros: a fama do autor era proporcional ao tamanho do nome dele, chegando ao extremo de ser maior que o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=840&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/05/400000000000000302748_s4.png"><img class="alignright size-medium wp-image-869" title="400000000000000302748_s4" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/05/400000000000000302748_s4.png?w=181&h=300" alt="" width="181" height="300" /></a>Livro:</strong> My Ears are Bent</p>
<p><strong>Autor:</strong> Joseph Mitchell</p>
<p><strong>Editora:</strong> Vintage</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="caixacinza.blogspot.com" target="_blank">Um amigo meu</a> certa vez me disse que era possível medir a fama de um autor só de olhar uma capa de um de seus livros: a fama do autor era proporcional ao tamanho do nome dele, chegando ao extremo de ser maior que o próprio título do livro. Claro que isso é mais uma manobra de marketing do que qualquer outra coisa, mas a verdade é que certos autores são mais interessantes que suas obras &#8211; que é o caso de Joseph Mitchell.</p>
<p style="text-align:justify;">Joseph Mitchell era um jornalista nova-iorquino que passou boa parte de sua carreira escrevendo para o The New Yorker, nos anos 30. Por anos, ele manteve uma coluna onde escrevia sobre as pessoas que habitavam a Grande Maçã &#8211; mas se outros escritores acompanhavam a vida da <em>high society</em>, Mitchell dedicava seu interesse ao outro lado do espectro social. Suas colunas falam sobre as dançarinas de cabaré, os pregadores de rua, os mendigos, os loucos. My Ears Are Bent é uma coletânea que reúne alguns dos seus primeiros trabalhos, e mostra a capacidade do jornalista de transformar qualquer um na pessoa mais interessante do mundo, ao menos por alguns momentos.<span id="more-840"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Entre os melhores artigos da coleção, ele entrevista uma stripper que teve a revolucionária idéia de fazer o espetáculo <em>ao contrário</em> (ela entra nua no palco e vai se vestindo lentamente), viaja pelo rio Hudson num navio expresso noturno onde, dizem, rolam as festanças mais loucas (spoiler: não é bem assim), conversa com uma vendedora de ingressos beberrona e boca-suja que sonha tornar-se freira, interroga um batedor de carteira que já foi preso 53 vezes usando mais de 10 nomes diferentes. Nem todos os artigos são bem-humorados &#8211; o artigo Execution narra a tensão momentos antes de uma execução na cadeira elétrica, e é seco, direto e um exímio trabalho de reportagem.</p>
<div id="attachment_872" class="wp-caption alignleft" style="width: 202px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/05/image.jpg"><img class="size-medium wp-image-872 " title="image" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/05/image.jpg?w=192&h=300" alt="" width="192" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Uma capa alternativa revela um Mitchell mais moleque, mais de várzea.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Outros artigos não focam em pessoas específicas, mas sim na própria cidade e revelam uma Nova York dos anos 30 que pouca gente conhece. Uma Nova York que ainda chama de rubberpie aquela coisa que os imigrantes italianos comem, a tal da <em>pizza.</em> Uma Nova York que se preocupa não com a violência, as gangues, a corrupção e a bolsa de valores, mas sim com a popularização dos rituais vudus. Ao narrar uma ida à Coney Island, Mitchell mostra que os nova-iorquinos de antigamente eram tão farofeiros quanto os paulistanos de hoje em dia, aproveitando o feriado pra levar a família inteira pra praia, pegando uma balsa-lotação apertadíssima e fedorenta, levando um franguinho no tupperware.</p>
<p style="text-align:justify;">A carreira jornalística de Mitchell durou vários anos e rendeu mais três livros coletâneas, sempre falando das figuras estranhas que encontrava nas partes sujas da cidade. Mas, como eu disse antes, a história do próprio jornalista é mais interessante que sua obra, ainda que esta já seja ótima por si só. Em 1942, Mitchell encontrou uma curiosíssima figura: um professor formado em Harvard, boêmio que vivia as custas de caridade alheia, que dizia saber falar a língua das gaivotas e que estava escrevendo a História Oral do Mundo, uma coletânea de 20 mil conversas e 9 milhões de palavras sobre a vida na cidade. Esse homem chamava-se Joe Gould.</p>
<p style="text-align:justify;">Mitchell escreveu uma coluna sobre Joe Gould em 1942 e tornou-se amigo dele desde então. Entretanto, Joe Gould era uma figura fascinante e o jornalista se viu cada vez mais interessado em sua obra e suas idéias. Passou anos estudando e conhecendo o extrovertido e caricato personagem, que tomava notas toda vez que ouvia algo interessante e costumava presentear pessoas com capítulos de seu livro sempre inacabado. Duas décadas depois, em 1964, Mitchell escreveu outro artigo sobre Joe Gould, que acabou tornando-se o livro mais famoso de sua carreira: Joe Gould&#8217;s Secret. Nele, Mitchell revela que a História Oral do Mundo é uma mentira de marca maior. Joe Gould sofria de bloqueio criativo e hipergrafia: embora estivesse sempre escrevendo, ele nunca conseguia avançar além dos primeiros capítulos, sempre reescrevendo as mesmas coisas.</p>
<div id="attachment_874" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/05/f_aaron_siskind_joe-gould1.jpg"><img class="size-medium wp-image-874" title="f_aaron_siskind_joe-gould" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/05/f_aaron_siskind_joe-gould1.jpg?w=200&h=300" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Joe Gould, o Professor Gaivota, em uma foto clássica</p></div>
<p style="text-align:justify;">Depois deste livro, Joseph Mitchell não escreveu mais nada. Por 30 anos. Comparecia todos os dias na redação do The New Yorker, sentava em sua sala, trancava a porta e não escrevia nada. Saía apenas para almoçar sozinho. Como se estivesse contaminado pela doença de seu colega, Mitchell não produziu mais nenhuma coluna até o fim de sua vida, em 1996. Em uma entrevista, Mitchell menciona que se identificava muito com Joe Gould, e que meio que começou a se ver nele depois de tantos anos de amizade, indicando que o impacto da revelação pode ter causado um choque forte demais no escritor.</p>
<p style="text-align:justify;">Como eu disse, a história do autor é talvez mais interessante que qualquer coisa que ele tenha escrito, mas isso não tira o mérito de My Ears Are Bent. É uma janela para um tempo passado irrecuperável, quando repórteres usavam fedoras e ternos, quando circos itinerantes ainda paravam na Grande Maçã para exibir números de dança com mulheres seminuas, quando vendedores judeus vendiam talco para xamãs vudus dizendo que era cérebro em pó.</p>
<p style="text-align:justify;">PS: Conheci a história e a obra de Joseph Mitchell através de um jogo&#8230; Mas isso fica pra outro dia <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/840/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/840/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=840&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[GIBI] Bem-Vindo à NHK, de Tatsuhiko Takimoto e Kenji Oiwa</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 18:44:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gibi]]></category>

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		<description><![CDATA[Gibi: Bem-Vindo à NHK Autores: Tatsuhiko Takimoto (enredo) e Kenji Oiwa (arte) Editora: JBC Que os quadrinhos são uma forma de expressão interessantíssima, acredito que todo mundo já sabe. Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, é possível fazer filmes que retratem fielmente o universo dos quadrinhos, mas é um investimento imenso comparado ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=816&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/nhk.gif"><img class="alignright size-medium wp-image-820" title="nhk" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/nhk.gif?w=216&h=300" alt="" width="216" height="300" /></a>Gibi:</strong> Bem-Vindo à NHK</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Autores:</strong> Tatsuhiko Takimoto (enredo) e Kenji Oiwa (arte)</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Editora:</strong> JBC</p>
<p style="text-align:justify;">Que os quadrinhos são uma forma de expressão interessantíssima, acredito que todo mundo já sabe. Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, é possível fazer filmes que retratem fielmente o universo dos quadrinhos, mas é um investimento imenso comparado ao necessário para fazer um gibi &#8211; papel, caneta e imaginação &#8211; e enquanto a produção de um filme exige uma equipe imensa por vários e vários dias e a interferência de sabe-se lá quantos acionistas e investidores, a produção de um gibi exige algumas poucas pessoas por um período bem menor de tempo, permitindo que os autores se envolvam mais pessoalmente com a obra e lhes confiram mais profundidade.<span id="more-816"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda assim, a vida real não é tão fácil. As mesmas editoras que produzem pérolas como Watchmen, Kingdom Come, Marvels e a saga da Guerra Civil têm sérias dificuldades de se descolar do gênero de super-heróis (e todos os problemas de narrativas associados) e escrever quadrinhos sobre quaisquer outras coisas. Houve uma época em que tínhamos quadrinhos de detetives, de terror, de comédia, mas hoje é impensável conceber uma nova obra da Marvel ou da DC que não envolva um ser sobrehumano com problemas críticos de vestuário. É verdade que estes gêneros ainda não tenham se extinguido, mas sobrevivem hoje em dia apenas em publicações de nicho, onde seu impacto e seu alcance é certamente bem menor. E ainda assim, não é raro que os grandes players se dêem ao trabalho de apostar em obras interessantes, muitas vezes sobre outro selo, como o Vertigo. A centralização do poder monetário que as obras mais famosas lhes trazem é o que lhes permite investir em obras menos normais. além de permitir planejamento a longo prazo de seus personagens e franquias.</p>
<p style="text-align:justify;">A situação não é das melhores no Ocidente, mas é um tanto pior no Oriente. Por pior que seja, o modelo de negócios da Marvel ainda permite que seus escritores planejem arcos e sagas com alguns meses de antecedência. Já um autor de mangá totalmente original (i.e. não é adaptação de romances, livros, etc.), que esteja sendo lançado em uma revista semanal, raramente possui mais do que duas semanas de tempo de planejamento (duas semanas estas que são em geral gastas desenhando, e não planejando). Semanários são feitos com papel de baixíssima qualidade, vendidos a preço de custo e descartados depois de lidos. O lucro para as editoras vem posteriormente, na venda de encadernados, merchandise e similares. Mangás são cancelados subitamente com base em enquetes de popularidade, sem qualquer consideração com o plano final do autor, o que leva os autores em colocações mais baixas a imitar temas recorrentes em mangás mais populares, homogeneizando e cristalizando uma série de problemas do meio, evidente principalmente em séries voltadas para o público jovem. É uma espiral viciosa: o público-alvo está alienado ao único tipo de narrativa ao qual são apresentados, e recusam qualquer obra que desvie do padrão, fazendo com que a obra se conforme com a narrativa estabelecida, que é o que será apresentado aos futuros jovens.</p>
<div id="attachment_822" class="wp-caption alignleft" style="width: 266px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/images.jpg"><img class="size-full wp-image-822" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/images.jpg" alt="" width="256" height="188" /></a><p class="wp-caption-text">Takimoto, ele mesmo um NEET, baseou-se em suas experiências pessoais para escrever Bem-Vindo à NHK</p></div>
<p>Podemos facilmente fazer um paralelo do meio quadrinístico japonês ao meio literário do século XIX, onde boa parte dos romances era publicado em semanário, um capítulo por semana, em boa parte das vezes escrito às pressas durante a publicação. Mas essa indústria dos folhetins, que certamente produziram inúmeras obras esquecíveis, artificiais e sem valor, foi a responsável pela publicação de algumas das obras mais famosas do mundo, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Anna Karenina e A Tale of Two Cities. Vez ou outra, alguém consegue vencer as idiossincrasias do meio e produzir algo diferente e importante. E, para mim, Bem-Vindo à NHK é uma obra importante.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem-vindo à NHK foi publicado em uma revista voltada para garotos. Hoje em dia, mangás para garotos são em sua esmagadora maioria obras de escapismo: apresentam ao leitor um universo paralelo, às vezes completamente diferente da realidade, às vezes muito parecido, mas com um elemento fantástico que o distancia o suficiente. Para reforçar a fantasia escapista, o herói é em geral um adolescente normal, comum e completamente sem sal, de modo que os leitores se identifiquem com ele. Mas Bem-vindo à NHK não é assim. Longe de ser escapista, Bem-Vindo à NHK apresenta a realidade crua e dura da qual a maioria dos leitores quer fugir.</p>
<p style="text-align:justify;">Os protagonistas de mangás para garotos são, em geral, definidos principalmente por sua imbatível determinação e sua inabalável lealdade: Luffy, Naruto, Ichigo Kurosaki e tantos outros são famosos por conseguir superar QUALQUER obstáculo com a força da amizade e da teimosia. Mas Bem-Vindo à NHK não é assim. Sato, o protagonista, é um NEET: um adulto que não trabalha, não estuda e não está realizando nenhum treinamento. Vive da mesada fornecida por seus pais em um apartamento pequeno e imundo, é viciado em MMORPGs, tem pavor de contato social e é vítima frequente de alucinações. Sua vontade própria nula lhe impede de gerir mesmos os detalhes mais simples de sua vida, e sua personalidade paranóica e antissocial corta quaisquer laços de união que poderia ter com outros membros da raça humana. É o extremo oposto do estereótipo shounen, o anti-herói.</p>
<div id="attachment_828" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/kingdom_come_tp.jpg"><img class="size-medium wp-image-828 " title="Kingdom_Come_TP" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/kingdom_come_tp.jpg?w=200&h=300" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Mesmo as mais excelentes histórias em quadrinhos ocidentais pouco fazem além de desconstruir os pilares do gênero e escrever uma história decente - mas Bem-Vindo à NHK é diferente.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Em um mangá para garotos, o enredo em geral envolve confrontar o protagonista com desafios de dificuldade crescente, que ajudam a desenvolver os personagens e a envolver o leitor na trama. Um tema recorrente é que, mesmo com a falha, apenas o ato de enfrentar as adversidades ensina ao protagonista algo que lhe será útil para sobrepujá-las posteriormente. É uma mensagem positiva: &#8220;ganhando ou perdendo, lutar por aquilo que acredita sempre vale a pena&#8221;. Mas Bem-Vindo à NHK não é assim. Quando Sato decide que vai voltar para a casa dos pais para organizar sua vida, ele falha, e passa os dias trancado em seu quarto vendo pornografia e comendo aquilo que sua mãe deixa à sua porta. Quando decide unir forças com seu vizinho para criar um <em>eroge</em> e passar a se sustentar com seu próprio dinheiro, ele falha, e não entrega as tarefas que deveria entregar, destruindo tanto os sonhos de seu amigo quanto seus próprios. E ao invés de aprender com as falhas, ele decide jogar a culpa em fatores externos, como a NHK do título que, segundo ele, é uma organização criada para que pessoas como ele continuem sendo dejetos humanos.</p>
<p style="text-align:justify;">O elenco de um mangá para garotos em geral pode ser dividido claramente entre amigos e inimigos. Os amigos do protagonista existem para ajudá-lo a vencer obstáculos, e em geral seu desenvolvimento consiste em um drama do passado ou uma história inacabada que o protagonista ajuda a resolver. Os obstáculos vencidos e os dramas resolvidos criam um laço de união entre os dois, remetendo ao tema recorrente de lealdade nesse gênero. Aos vilões, lhes restam duas opções: apresentar obstáculos cada vez mais difíceis até serem derrotados, ou debandar-se para o lado dos mocinhos. Mas Bem-Vindo à NHK não é bem assim. Os outros dois personagens são tão perturbados quanto nosso protagonista, e tão incapazes de guiar seu destino quanto ele. Yamazaki, seu colega de programação de jogos, é capaz de fazer as coisas mais incríveis em nome de outras pessoas (como trabalhar três turnos para juntar dinheiro e ajudar uma colega a realizar seu sonho), mas não consegue manter um emprego para se sustentar. Alimenta ambições impressionantes e está sempre planejando a próxima revolução, mas sua negativíssima autoimagem acaba com quaisquer pretensões de melhorar sua própria vida. Misaki não é menos psicopata que os outros dois: sempre tentando agir de forma calculada, sempre fazendo planos dentro de planos, mas sem o controle emocional para por suas maquinações em ação. Acredita-se superior a tudo e a todos, o que lhe impede de admitir que sente uma carência massiva de amor e atenção. Tenta esconder o medo absurdo que tem de relacionamentos por trás de cinismo e crueldade. E estes são os AMIGOS do protagonista. É verdade que criam um certo laço ao final da história, mas raramente vencem algum obstáculo junto, certamente não resolvem nenhum dos dramas do passado (e até criam novas chagas). Por outro lado, não há um vilão <em>per se</em> na história &#8211; quem apresenta os obstáculos a serem superados é a própria vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Está claro que Bem-Vindo à NHK não segue as regras de mangás para garotos &#8211; não há heróis, não há vilões, não há elementos fantásticos, não há escapismo, não há trama e, obviamente, não há final feliz. Não se encaixa tampouco no gênero de comédia, pois embora contenha situações hilárias e sua arte abuse de expressões exageradas de efeito cômico, Bem-Vindo à NHK é mais <em>agri</em> do que <em>doce</em>, mais cheio de desencanto e cinismo que de alegria e contentamento. Poderia talvez se encaixar no gênero feminino, cujas obras costumam dar um enfoque muito maior às relações interpessoais, mas Bem-Vindo à NHK também se distancia por possuir um protagonista nada heróico e pela clara falta de romances e interesses amorosos entre o limitado elenco de personagens. Como obviamente não é um mangá para crianças, resta apenas identificá-lo como um mangá para adultos, um gênero tão esparso e mal servido que aceita qualquer obra, e ainda assim Bem-Vindo à NHK ficaria deslocado em meio a tramas políticas, sexo e outras temas tidos como &#8220;sérios&#8221;. A verdade é que, assim como seu protagonista, Bem-Vindo à NHK é uma pária entre seus pares, um excluído, uma ovelha negra. Um mangá psicológico sobre os males da sociedade, com um protagonista muito mais parecido com o Raskolnikov do Dostoievski que com o Seiya de Pégaso, publicado em meio a piratinhas alegrinhos e ninjinhas coloridos. E é por isso que, para mim, Bem-Vindo à NHK é importante &#8211; porque conseguiu sucesso e alcance em um meio mainstream com uma história diferente, ambiciosa e profunda, rejeitando a industrialização que corrói os quadrinhos japonesess da atualidade, criando algo que valha a pena ser lido, relido e guardado na estante.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://polei.ro/2012/04/19/gibi-bem-vindo-a-nhk-de-tatsuhiko-takimoto-e-kenji-oiwa/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-SxcTB472co/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/816/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/816/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=816&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] John Gone, de Michael Kayatta</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 13:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[diaspora trilogy]]></category>
		<category><![CDATA[john gone]]></category>
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		<description><![CDATA[Livro: John Gone Autor: Michael Kayatta Há quem critique a nova onda da distribuição digital de livros, argumentando que nada vai substituir o cheiro de um livro novo, a praticidade de se poder ler sem se preocupar com condições adequadas de bateria e iluminação, ou ainda que é impossível decorar uma estante na sala com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=805&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/john-gone_web.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-808" title="John gone_web" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/john-gone_web.jpg?w=201&h=300" alt="" width="201" height="300" /></a>Livro:</strong> John Gone</p>
<p><strong>Autor:</strong> Michael Kayatta</p>
<p style="text-align:justify;">Há quem critique a nova onda da distribuição digital de livros, argumentando que nada vai substituir o cheiro de um livro novo, a praticidade de se poder ler sem se preocupar com condições adequadas de bateria e iluminação, ou ainda que é impossível decorar uma estante na sala com livros feitos de bits e bytes. Não discordo de nenhuma delas, mas há outras vantagens deveras mais interessantes: custos menores de produção e distribuição, maior repasse de lucro para o autor. Em especial, por não precisar pagar uma tiragem de milhares de cópias, um investimento arriscado em autores iniciantes, o pequeno escritor não é obrigado a ceder a pressões editoriais para seguir o que está na moda e pode escrever uma história sincera. É basicamente essa a impressão que John Gone me passou: é o livro que Mike Kayatta queria ter lido quando era adolescente, e é disso que ele tira toda sua força e charme.<span id="more-805"></span></p>
<p style="text-align:justify;">John encontrou um relógio que se prendeu em seu pulso e não sai de jeito maneira. Isso não seria um grande problemaper se (talvez na hora de tomar banho, mas felizmente o relógio é à prova d&#8217;água), se o aparelho não fosse um experimento científico desregulado que, todo dia, às 3:14 da tarde, teletransporta John para um banheiro aleatório em algum lugar do mundo. E se você está se perguntando &#8220;Mas Arara, como o relógio vai saber se um determinado local é um banheiro ou não?!&#8221;, é porque o livro provavelmente não foi escrito pra gente da sua idade. Feche os olhos, aceite que o relógio de fato existe e funciona, e bola pra frente. Às 3:14 da manhã, John é levado de volta para um banheiro de um armazém nas cercanias de sua casa, o que não é nada aconchegante &#8211; um &#8220;acidente&#8221; com o relógio tirou a vida de um senhor, e Mike é um dos principais suspeitos!</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/mikekayatta.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-807" title="mikekayatta" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/04/mikekayatta.jpg?w=247&h=300" alt="" width="247" height="300" /></a>Como se já não bastasse ser perseguido pela polícia no bairro onde mora, aparentemente o relógio está sendo rastreado &#8211; toda vez que John é teleportado para um banheiro (no Canadá, na França ou onde for), dois assassinos de aluguel, na melhor tradição dos lendários homens de preto, surgem no local dispostos a utilizar quaisquer métodos sádicos para reaver o dispositivo que, por sinal, utiliza a própria energia do corpo humano para fazer sua mágica. Legal, não? Infelizmente, quanto mais distante o salto, mais energia o relógio utiliza, o que põe em risco a saúde e a vida do nosso protagonista, que à essa altura deve estar tentando se lembrar qual foi a cruz que ele apedrejou pra merecer isso tudo.</p>
<p style="text-align:justify;">A solução para esse dilema se apresenta por intermédio do Dr. Kala, o desenvolvedor original do Diáspora (um nome bem dramático para um reloginho) que se oferece para ajudar John. Preso há anos em um laboratório subterrâneo pela empresa que o contratou, ele se oferece para livrar John de sua maldição tecnológica, dando-lhe instruções de como se teleportar para o complexo. Mas há uma pegadinha: sem o relógio, John também ficaria preso por tempo indefinido. Embora o Dr. Kala jure de pés juntos que vai encontrar uma maneira de resgatá-lo, não me admira que John fique em dúvida &#8211; entre ser assassinado por MiBs, morrer de exaustão ou ficar preso eternamente comendo bolinhos Ana Maria, o que você escolheria?</p>
<p style="text-align:justify;">John Gone é um livro divertido, interessante, mas acima de tudo uma obra honesta, sincera. Talvez seja por design, ou talvez pelo background do autor (que é repórter no <a href="www.escapistmagazine.com">Escapist Magazine</a>), mas o livro foge de muitos modismos da literatura infanto-juvenil atual em favor de influências de outras mídias, como filmes e videogames, e consegue criar uma tensão rara nesse gênero. O livro, primeiro de uma trilogia, custa apenas <a href="http://www.amazon.com/John-Gone-Diaspora-Trilogy-ebook/dp/B006PKIGAU">UM dólar na Kindle Store</a>, com os outros dois livros custando 3 dólares cada. Parece barato demais, mas faz sentido: é mais fácil do que convencer as pessoas a pagar 9 dólares em um livro do qual nunca ouviram falar, uma estratégia largamente popularizada por traficantes de drogas no mundo todo. Conclusão: se o enredo te intrigou e você quer ler algo diferente, sugiro que deixe de comprar uma coxinha hoje e peguem já sua versão eletrônica.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/805/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/805/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=805&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Por que George R. R. Martin é melhor que J. R. R. Tolkien</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Mar 2012 21:55:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[george r.r. martin]]></category>
		<category><![CDATA[j.r.r. tolkien]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu terminei de ler Guerra dos Tronos ontem, não por coincidência um dia depois do meu Kindle novo chegar. Meu Kindle 2 morreu lá pelos três quartos do livro, e eu tentei retomar a leitura pela versão brasileira, sem sucesso. Era uma tarefa de paciência ter que pausar a leitura a cada Correrrio para associar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=794&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu terminei de ler Guerra dos Tronos ontem, não por coincidência um dia depois do meu Kindle novo chegar. Meu Kindle 2 morreu lá pelos três quartos do livro, e eu tentei retomar a leitura pela versão brasileira, sem sucesso. Era uma tarefa de paciência ter que pausar a leitura a cada Correrrio para associar ao seu respectivo Riverrun, ligar cada King&#8217;s Landing ao seu Porto Real, e eu não estava muito disposto a me estressar com meu entretenimento. Só depois de meu Kindle chegar que eu devorei o resto do livro em duas noites.</p>
<p style="text-align:justify;">Como de costume, eu ia escrever sobre o livro aqui no Poleiro, mas a perspectiva não me empolgava nem um pouco. O que dizer de um livro que praticamente todo mundo já conhece? A maioria dos meus amigos interessados na série já estão livros à frente, e bater em cavalo morto seria um exercício fútil e desnecessário. E foi pensando em alguma maneira de abordar o conteúdo do livro de uma maneira interessante que eu acabei cruzando olhares com meus volumes de Senhor dos Anéis, na estante, pegando poeira.</p>
<p style="text-align:justify;">O Senhor dos Anéis é um marco na literatura de fantasia medieval, certamente um dos livros mais importantes do século XX, mas, como discuti na microrresenha sobre Ulysses, ando meio cético quanto ao valor de uma obra enquanto marco histórico: ela tem que ser agradável e relevante ao mundo atual, e não celebrada por ter sido interessante algum dia, uma hipocrisia tão absurda quanto fazer luto pelo Wando no Facebook. E Senhor dos Anéis é um exemplo clássico de um livro que perdeu a relevância no mundo atual, porque seu ponto forte &#8211; suas idéias inovadoras e seu extenso mundo imaginário &#8211; há muito já se incorporaram na cultura mundial, enquanto suas características literárias são sabidamente abaixo da média, uma narrativa lenta e lodosa com manias dispensáveis.</p>
<p style="text-align:justify;">Resumindo: ao terminar de ler Guerra dos Tronos, descobri que não gosto mais de Senhor dos Anéis, ou pelo menos não dos livros. E vou tentar explicar o porquê.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-794"></span></p>
<h2 style="text-align:justify;">Terra-Média é um deserto comparado a Westeros.</h2>
<p style="text-align:justify;">Um exercício mental rápido: vamos lembrar por quantos lugares habitados Frodo e sua comitiva passa no primeiro livro do Senhor dos Anéis? Temos o Condado, uma fazenda, a casa de um hippie, Bri (Bree?), Valfenda, Moria, Lórien e&#8230; só? E quantas pessoas havia em cada uma dessas cidades? A residência dos Hobbits tem algumas centenas de habitantes, Bri é um vilarejo pequeno, e só quem mora em Valfenda e Lórien são os elfos que perderam o trem das onze. Não há quase ninguém morando na Terra-Média. A Comitiva anda centenas de quilômetros e não encontra ninguém andando na mesma direção. Sim, há um grupo de elfos que encontra os hobbits a caminho de Valfenda, e sim, Glorfindel salva o Frodo dos Espectros, mas&#8230; Sério, somente 5 pessoas? O mundo de Senhor dos Anéis é tão vazio que não nos surpreendemos quando uma pessoa importante para o roteiro cruza com os personagens por acaso &#8211; afinal, não há muitas mais pessoas no mundo do que elas, ou ao menos não parece haver.</p>
<p style="text-align:justify;">Compare isso com Westeros, onde cada cidade pulsa vibrantemente com seus moradores, e cada descrição é cheia de sons e cores e barulhos da vida das centenas de milhares de pessoas que habitam os Sete Reinos. Quando Frodo olha pela janela de Valfenda após se recuperar, ele vê uma cidade quieta, vazia, contemplativa. Quando Bran olha pela janela, ele vê soldados treinando, vê camponeses fazendo seus afazeres, tropas se movimentando, crianças brincando, e muito mais. Uma cidade como King&#8217;s Landing se espalha por todas as direções, com bairros pobres onde se serve o &#8220;brown&#8221;, contrastando com o luxo e a ostentação do castelos ostentosos, imponentes, como o Red Keep. E cada uma das muitas pessoas que os personagens encontram no caminho contam uma história de uma vila que pegou fogo, uma pilhagem de bandidos, uma safra que não deu certo, exércitos em marcha.</p>
<p style="text-align:justify;">Isso só contando o continente principal da história, porque há muito acontecendo em outros continentes do mundo de George R. R. Martin. Ouvimos bastante sobre a terra dos bárbaros Dothraki, mas sabemos que existem outras terras exóticas além do nosso alcance, como a misteriosa Asshai. Que outras terras há na Terra-Média? Temos Númenor, que foi arruinada, e temos Valinor, o asilo de elfos aposentados. E o que acontece lá? Nada. O que nos leva ao meu segundo argumento:</p>
<h2 style="text-align:justify;">Nada acontece nos livros de Senhor dos Anéis. Nada.</h2>
<p style="text-align:justify;">Quem leu Senhor dos Anéis provavelmente consegue lembrar de cor o caminho que o Anel faz desde o Condado até o Mount Doom. Pelo próprio mapa oficial, essa viagem dá em torno de 400 léguas, ou 2200 quilômetros &#8211; uma caminhada e tanto. Mas sabe quanto é a distância aproximada de Winterfell até King&#8217;s Landing, que nosso protagonista Ned Stark realiza nas primeiras 200 páginas do livro? 2200 quilômetros. De Winterfell até a muralha do Norte, onde Jon Snow fica protegendo gordinhos de bullies, são 1100 quilômetros, e ele também não perde muito tempo fazendo esse percurso.</p>
<p style="text-align:justify;">Acontece pouca coisa na viagem inicial entre Winterfell e King&#8217;s Landing, mas também acontece pouquíssima coisa entre o Condado e Mordor. Vamos focar no ponto de vista do protagonista: Gandalf manda ele destruir o anel, ele pega umas coisas, chama seus <em>bro</em> e vai. Aí ele é atacado por espectros e se esconde. Aí ele conhece Aragorn na taverna. Aí ele é atacado por espectros e foge de Bri. Aí ele é atacado por espectros e é salvo por Glorfindel. Aí em Valfenda ele consegue mais colegas e vai pra Moria. Aí eles são atacados por orcs e trolls, Gandalf morre, e eles acordam em Lórien. Aí o Ned Stark tenta roubar o Um Anel, morre nas mãos de orcs, e Frodo foge. Cada uma dessas cenas seria um dos capítulos de um livro d&#8217;As Crônicas, mas conseguiu se transformar em um volume inteiro de 600 páginas. Vocês podem chamar isso de estilo literário, mas eu chamo de <em>encheção de linguiça.</em> De certa forma, isso é uma conseqüência do primeiro problema: a Terra-Média tem a densidade populacional da Tierra del Fuego, e em um lugar onde não há muita gente, realmente não muito o que acontecer, mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguém vai me dizer que todas as coisas legais já aconteceram, e que a Terra-Média registrada nos livros não é mais do que uma sombra de tempos passados, como o final de uma festa onde tudo o que resta é arrumar as cadeiras e apagar a luz. A era de heróis como Beren, Fëanor e Túrin Turambar é passado, e o mundo inteiro vive no &#8220;felizes para sempre&#8221;. Westeros também tem um extenso histórico de guerras, aventuras, dragões, zumbis, elfos e magia, e As Crônicas do Fogo e do Gelo focam em uma dessas eras. Então, se tudo o que havia de interessante e mágico na Terra-Média aconteceu milhares de anos atrás, por que escrever 2000 páginas sobre anões andando no campo? Simples: porque o personagem principal das histórias de Tolkien é a própria Terra-Média, e o Senhor dos Anéis é como uma biografia de seus últimos anos de vida. Isso explica por que&#8230;</p>
<h2 style="text-align:justify;">Não há personagens em Senhor dos Anéis. Há apenas estereótipos.</h2>
<p style="text-align:justify;">Um colega de trabalho certa vez me disse que ninguém é interessante se não tiver um conflito pessoal, de qualquer tipo ou natureza. Ele tem que ter algum tipo de dilema, raiva, crença ou ambição que o impulsiona e o motiva &#8211; pessoas sem conflito são bobas alegres, e embora eu reconheça o valor em ser um bobo alegre, reconheçamos que não são o tipo de pessoa que você convidaria para conversar e tomar umas cervejas.</p>
<p style="text-align:justify;">E ninguém em Senhor dos Anéis têm conflito. Frodo está levando o Um Anel para ser destruído porque o Um Anel é MAU. Sam está indo porque Frodo é seu patrão, Merry e Pippin porque já era tarde demais pra voltar. Aragorn, Legolas e Gimli porque eles são os MOCINHOS e Sauron é o BANDIDO. Nenhum dos vilões possui uma motivação mais forte do que destruir toda a Terra-Média, e isso não é lá grande motivação. Se Sauron tivesse ganhado a guerra, a Terra-Média se tornaria um mundo ainda mais chato e entediante do que já é. Saruman (versão Rainbow Brite), Gríma Língua-de-Cobra, e os Nazgûls são apenas ferramentas de Sauron, sem vontade ou personalidade própria. Na Terra-Média, ou se é bom por ser bom, ou se é mau por ser mau.</p>
<p style="text-align:justify;">Contraste isto com a imensa variedade de personagens únicos de Westeros, seres humanos com os quais nos identificamos e nos quais projetamos nossas próprias angústias e medos. É difícil tomar um lado nas guerras: você vai ficar ao lado dos Starks, uma família unida e amante da justiça que se envolveu contra sua vontade neste jogo de tronos, ou ao lado da Daenerys Targaryen, que sofreu uma vida inteira de humilhações até a reviravolta no final do primeiro livro? Vai torcer a favor de Tyrion Lannister, o anão sarcástico desprezado pelo pai que tenta sempre resolver seus problemas com bom senso e sagacidade, ou contra, por fazer parte de uma família ambiciosa que deseja poder a todo custo? E o poder, neste contexto, não significa a destruição total dos Sete Reinos, mas apenas os luxos e as vantagens que com ele surgem.</p>
<p style="text-align:justify;">Há duas exceções notáveis no Senhor dos Anéis. Boromir, um príncipe humano, um dos herdeiros de um trono real fronteiriço com Mordor (e que portanto está familiarizado com a guerra contra os orcs de Sauron), fica dividido entre a decisão de destruir o Anel e a de usá-lo para confrontar o Olho sem Pálpebras. Isso faz dele um dos únicos personagens com alguma profundidade do livro, mas não é um dilema verdadeiro <em>per se</em>, e por um motivo bem óbvio &#8211; essas dúvidas não surgem do próprio personagem, mas sim da influência maligna que o Um Anel exerce sobre ele. Porque Boromir é BOM, mas é um humano fraco com pouca força de vontade, e o Um Anel é MAU e o corrompe. A outra exceção é Gollum, que é menos um personagem conflituado e mais uma pária <em>tsundere</em>, que foi por tanto tempo corrompido pelo MAL que criou duas personalidades, uma BOA e uma MÁ, dicotômica como todos os outros personagens.</p>
<h2 style="text-align:justify;">Conclusão: Tolkien conta, Martin mostra</h2>
<p style="text-align:justify;">Há um aforismo muito popular entre cineastas que diz &#8220;<em>Show, don&#8217;t tell</em>&#8220;, ou &#8220;<em>Mostre, não conte</em>&#8220;. Em outras palavras, não diga com palavras o que você pode mostrar com imagens e sons, de uma maneira mais direta e envolvente. É um ditado importante que ajuda os cineastas a utilizar sua mídia da melhor maneira possível, a aproveitar as vantagens do meio cinemático e evitar seus problemas. Se SdA fez um sucesso tamanho nos cinemas, é porque o livro já fora escrito com esse tipo de linguagem desde o princípio: temática simples com estereótipos facilmente reconhecíveis, uma guerra entre o bem extremo e o mal extremo, extensas e intermináveis descrições de lindíssimas paisagens (que, por mais que tentássemos imaginar, nunca superariam as colinas neozelandesas), e por aí vai. O que era um livro fraco e superestimado tornou-se uma trilogia de filmes sensacional, simplesmente pela narrativa estar mais adaptada ao novo formato.</p>
<p style="text-align:justify;">George R.R. Martin, por outro lado, segue à risca um antigo e famoso guia de estilo de redação americano, o Strunk &amp; White, cuja regra mais famosa é: &#8220;Make every word tell&#8221;. Faça cada palavra de seu texto dizer algo, ou contribuir para a mensagem que quer transmitir. Ao invés de contar sobre a longa e tediosa viagem de um dos personagens, ele muda o foco de sua lente para algo mais interessante, e faz cada página de seu livro valer, cada pensamento e ação de personagem influenciar na trama ou na construção de suas personalidades. Com isso, em doses homeopáticas, ele descreve um mundo mais rico e vibrante do que a Terra-Média jamais foi. A série da HBO lhe faz justiça muito bem, mas foram necessárias 12 horas de ação intensa, com alguns cortes e concessões no enredo original, para transpor As Crônicas para esta nova linguagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de um tempo, descobri que o que me atraía na literatura fantástica não eram monstros, magia, paisagens e coisas assim, mas sim o que me atrai em qualquer tipo de literatura: personagens interessantes, tramas intrincadas, dilemas humanos. Senhor dos Anéis é uma história de heróis e vilões, mocinhos e bandidos, tão vazia de conteúdo e moralmente desnecessária no contexto atual da sociedade quanto o pior dos episódios do He-Man. As Crônicas do Fogo e do Gelo têm tudo que um bom livro sobre, digamos, megacorporações teria &#8211; empresários famintos por poder, tramas cheias de paixão e vingança &#8211; com a diferença que as megacorporações agora são reinos, e os empresários são cavaleiros e lordes.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/794/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/794/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=794&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[GIBI] Achados e Perdidos, por Damasceno, Garrocho e Ito</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 02:15:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Título: Achados e Perdidos Autores: Damasceno, Garrocho e Ito Editora: Quadrinhos Rasos Disclaimer: HQ, graphic novel, mangá, quadrinhos&#8230; Pra mim é tudo GIBI. Favor não apoquentar. Este review é meio especial pra mim, porque a obra em questão não existiria se não fosse pela minha colaboração. Minha participação foi essencial para que esse gibi tomasse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=780&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/02/achados-e-perdidos-648x874.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-781" title="Achados-e-Perdidos-648x874" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/02/achados-e-perdidos-648x874.jpg?w=222&h=300" alt="" width="222" height="300" /></a>Título:</strong> Achados e Perdidos</p>
<p><strong>Autores:</strong> Damasceno, Garrocho e Ito</p>
<p><strong>Editora:</strong> Quadrinhos Rasos</p>
<p><em>Disclaimer: HQ, graphic novel, mangá, quadrinhos&#8230; Pra mim é tudo GIBI. Favor não apoquentar.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Este review é meio especial pra mim, porque a obra em questão não existiria se não fosse pela minha colaboração. Minha participação foi essencial para que esse gibi tomasse forma e fosse publicado! Legal, não? Pra falar a verdade, não dependeu só de mim, mas de algumas outras centenas de pessoas que decidiram investir nessa empreitada antes mesmo do produto estar terminado &#8211; porque esse projeto foi financiado pelo catarse.me, um site de crowdfunding, onde pessoas podem investir em projetos incipientes, pagando os custos de produção e eliminando a necessidade de buscar uma editora ou um fundo de investimentos que acredite na idéia. No catarse.me, os próprios consumidores são os investidores e escolhem o que eles gostariam de consumir. Ainda melhor, a idéia de trabalhar diretamente com o consumidor final dá ao artista uma liberdade difícil de se encontrar no trabalho com grandes editoras, que têm o discutível costume de se intrometer no processo criativo e alterar a obra de acordo com suas pesquisas de mercado e &#8220;sensibilidades editoriais&#8221;.<span id="more-780"></span></p>
<div id="attachment_785" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/02/achados-e-perdidos.jpg"><img class="size-medium wp-image-785" title="Achados-e-perdidos" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/02/achados-e-perdidos.jpg?w=300&h=279" alt="" width="300" height="279" /></a><p class="wp-caption-text">Dev tem um buraco negro na barriga. Pois é.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Achados e Perdidos é fruto do esforço de três pessoas: Eduardo Damasceno, o roteirista; Luís Felipe Garrocho, o desenhista; e Bruno Ito, o músico. &#8220;Um músico?&#8221;, você me pergunta. Esse foi o ponto que me convenceu a contribuir com o projeto: não só o capítulo gratuito era intrigante e muito bem desenhado, como a idéia do projeto era fazer um gibi com trilha sonora! Foi a curiosidade de saber se isso poderia funcionar que me convenceu a dar meus trocados, mas vamos falar mais sobre ele depois. Damasceno e Garrocho mantêm o site <a href="http://www.quadrinhosrasos.com/">Quadrinhos Rasos</a>, onde eles quadrinizam letras de músicas. Vai lá dar uma conferida e depois volta aqui.</p>
<p style="text-align:justify;">Enredo do livro: Dev, o garoto principal, mora com sua mãe solteira, vende o almoço para comprar a janta e, um dia, descobre que tem um BURACO NEGRO na barriga. Seu amigo Pipo resolve ajudar e pula DENTRO do buraco negro, que na verdade é um portal para uma dimensão paralela entre realidades e é melhor eu parar de contar o enredo por aqui ou vou acabar com a graça de tudo. Mesmo porque o enredo não é o ponto central da obra, mas sim a excruciante odisséia de ser adolescente. Insegurança, introspecção, rejeição, inconformidade, timidez, medo, angústia e todas aquelas coisas que você acha que esqueceu, mas que certamente sentiu nos seus 15 anos.</p>
<div id="attachment_784" class="wp-caption alignright" style="width: 175px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/02/106menor.jpg"><img class="size-medium wp-image-784" title="106menor" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/02/106menor.jpg?w=165&h=300" alt="" width="165" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O site Quadrinhos Rasos, dos mesmos autores do Achados e Perdidos, tem momentos de pura genialidade</p></div>
<p style="text-align:justify;">E, graças a isso, a trilha sonora &#8220;funciona&#8221;. Porque se a história fosse motivada inteiramente pelo enredo, seria dificílimo sincronizar a música com a ação, dado que nem todo mundo lê na mesma velocidade ou do mesmo jeito. Mas a trilha sonora de Achados e Perdidos, com seu jeito malemolente de violões sonolentos, quer evocar emoções, potencializar a mensagem e não o meio. Admito que a música não faz muito meu estilo (embora a faixa 7 seja empolgante o suficiente para eu querer ouvir mais vezes), mas combina esteticamente com a obra.</p>
<p style="text-align:justify;">Valeu a pena? Valeu, porque a alma não foi pequena. Não é fácil botar a cara a tapa, se aventurar em um projeto desses que poderia não ter dado certo se um número mínimo de pessoas não tivesse contribuído. Infelizmente, só quem contribuiu no catarse.me tem a obra, então se você se interessou, ou pede emprestado pra mim ou espere eles fazerem uma reedição. Você pode ler <a href="http://www.quadrinhosrasos.com/?page_id=335">aqui</a> o primeiro capítulo (e ouvir a primeira música) e, se gostar, pentelhe os criadores para ver se você descola uma cópia! Aproveite pra conferir também o <a href="http://catarse.me">catarse.me</a>, ou seu primo americano <a href="http://kickstarter.com">Kickstarter</a> &#8211; certamente tem algum outro projeto precisando da sua contribuição!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/780/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/780/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=780&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Limpando a Estante [Parte 2]</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 19:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[arthur conan doyle]]></category>
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		<description><![CDATA[Pra completar a série, mais quatro coisas que passaram despercebidas nos posts de 2011 por motivos diversos. No próximo post, voltamos à nossa programação costumeira com uma obra que mal posso esperar pra resenhar! Ulysses &#8211; James Joyce Podemos calcular o valor de uma obra puramente em sua capacidade de entreter e de causar reflexão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=746&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Pra completar a série, mais quatro coisas que passaram despercebidas nos posts de 2011 por motivos diversos. No próximo post, voltamos à nossa programação costumeira com uma obra que mal posso esperar pra resenhar!</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/ulysses.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-756" title="ulysses" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/ulysses.jpg?w=195&h=300" alt="" width="195" height="300" /></a>Ulysses &#8211; James Joyce</h2>
<p style="text-align:justify;">Podemos calcular o valor de uma obra puramente em sua capacidade de entreter e de causar reflexão ou devemos levar em conta o ambiente e o histórico da mesma? Devemos aplaudir de pé uma performance que não mais agrada o público apenas por sua participação no desenvolvimento do meio? Esse é o meu dilema com Ulysses.</p>
<p><span id="more-746"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Escrita por James Joyce nos anos 20, Ulysses foi uma das primeiras obras a popularizar a técnica do fluxo de consciência, onde o livro registra a sequência de pensamentos do protagonista como narrativa da história, tornando-a confusa mas detalhada e um tanto distinta. Tente fazer você mesmo isso: registre cada um dos pensamentos que lhe passa pela cabeça, com todas suas associações, alusões e referências, e tente reler posteriormente. A mente humana é uma bagunça, e a técnica de Joyce registra bem essa característica. Hoje, já é algo mais comum, parte integrante da caixa de ferramentas de muitos autores famosos, incluindo alguns dos meus favoritos, como James Clavell. Raro hoje em dia o autor famoso que NÃO utiliza algo nesse naipe.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o livro não é importante para a história da literatura só pela inovação técnica. A atenção ao detalhe em tarefas cotidianas, que muitas vezes seriam suprimidas de um outro texto, chocou as mentes educadas da época. Como ousa um autor como Joyce descrever em detalhes o ato da defecação, do sexo ou da masturbação? Tido como obsceno e pornográfico, foi atacado por elites puristas no mundo todo, banido nos Estados Unidos e no Reino Unido.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption alignleft" style="width: 189px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/jamesjoyce.jpg"><img class=" wp-image-758 " title="jamesjoyce" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/jamesjoyce.jpg?w=179&h=240" alt="" width="179" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">James Joyce, um hipster à moda antiga</p></div>
<p style="text-align:justify;">Inicialmente tido como controverso em sua terra natal, a Irlanda, Ulysses acabou por ser tão importante para seu povo que acabou por originar o único feriado do mundo dedicado a um livro &#8211; o Bloomsday (em homenagem ao protagonista Leopold Bloom), em 12 de junho (a data em que se passa a história do livro).</p>
<p style="text-align:justify;">O livro certamente foi importante, mas devo levar isso em conta ao oferecer meu veredito? Li apenas os dois primeiros capítulos, admito, e por isso não me dignei a redigir uma resenha inteira. Mas o importante é o motivo. Ulysses foi escrito para leitores de sua época &#8211; leitores elitizados que sabiam no mínimo falar inglês, francês, grego e latim. Joyce não deixa de inserir pelo menos uma citação em uma dessas línguas a cada duas ou três páginas, como se cada pé-rapado irlandês da época fosse trilíngue. O tão aclamado fluxo de consciência acaba sendo superutilizado em Ulysses, deixando parecer que é mais uma falta de esforço do autor em estruturar uma história do que uma obra de arte que quer transpassar barreiras.</p>
<p style="text-align:justify;">Achei Ulysses revolucionariamente medíocre &#8211; acredito que fez sucesso devido apenas ao progresso técnico promovido e ao conteúdo quebrador de tabus, mas sabe o que também foi tecnicamente revolucionário? <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PJxPjUo5-cI">Cenas de CGI no filme de Golgo 13</a>. Sabe o que também foi quebrador de tabus? Garganta Profunda. Deixo a cargo do leitor decidir se foram bons filmes por conta disso.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/thiefoftime.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-763" title="thiefoftime" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/thiefoftime.jpg?w=186&h=300" alt="" width="186" height="300" /></a>Thief of Time &#8211; Terry Pratchett</h2>
<p style="text-align:justify;"> Terry Pratchett de novo? Eu já tinha resenhado dois livros dele aqui e provavelmente dito tudo o que eu queria dizer sobre ele. Além disso, há centenas de outros autores merecedores do meu tempo e dos quais nunca li nada. Por que ler mais Pratchett? Porque ele é genial.</p>
<p style="text-align:justify;">A sacada deste livro é que, no mundo de Discworld, o tempo é uma commodity,  um recurso energético similar à eletricidade. E assim como a eletricidade, é possível armazená-lo e manipulá-lo. Surgem os Monges da História, uma seita fundada por um cara maluco que descobriu como controlar o tempo de modo a evitar falhas temporais. Sabe a Era das Trevas, que tinha poucos ou quase nenhum documento registrado? Falha temporal. Da mesma maneira, os dinossauros nunca existiram &#8211; os monges que inventaram essa história e forjaram os fósseis para preencher uma falha temporal do início do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, um dos vilões clássicos da série, os Auditores, arautos da ordem, decidem que a melhor maneira de acabar com o caos inerente do mundo é parando o tempo &#8211; com tudo parado, tudo é previsível, tudo é calculável, tudo está em ordem. E o plano para acabar com o tempo é construir o relógio perfeito, capaz de medir o tempo entre dois momentos, gerando um laço negativo de realimentação que deixaria o universo em parafuso. E isso não é nem 5% da história.</p>
<p style="text-align:justify;">Poucos autores são capazes de costurar mitologia, humor, mecânica quântica e filosofia oriental em um livro só com a habilidade que Pratchett tem. Como eu não quero escrever isso toda vez que eu ler um livro de Discworld, eu fico por aqui.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/sherlockholmes.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-764" title="sherlockholmes" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/sherlockholmes.jpeg?w=182&h=300" alt="" width="182" height="300" /></a>Sherlock Holmes, The Complete Novels and Stories &#8211; Arthur Conan Doyle</h2>
<p style="text-align:justify;">Contos de Sherlock Holmes são como um bom vinho. Exigem um paladar particular, envelhecem bem e são cheios de subtons. Também como o vinho, são melhor apreciados em pequenas doses. Comprei a coleção inteira do detetive britânico, em dois volumes enormes da Bantam Classics, e tentei ler tudo de uma vez. Resultado: fiquei bêbado de Sherlock Holmes.</p>
<p style="text-align:justify;">E aí vem aquele problema que, quando você lê muito de um certo autor, você começa a enxergar padrões e descobrir a fórmula do sucesso. Quando o autor é bom (vide a resenha acima do Pratchett), isso não configura um problema, mas quando falta ao artista um talento especial, um valor duradouro, é um tanto doído. Perde-se um pouco da magia, do suspense de uma nova narrativa escrita por alguém cujos neurônios são interligados de uma outra maneira, se ele não é criativo o suficiente para prender a atenção. Isso é um dos motivos que me fizeram parar de ler após terminar o primeiro volume.</p>
<p style="text-align:justify;">O outro motivo é que, bem, a obra original do Sherlock Holmes é um tanto mais decepcionante que qualquer uma das obras que ele inspirou. Até mesmo Dan Brown escreve mistérios mais intrigantes que Doyle, enigmas com diversas peças móveis e combinações inúmeras. Falta nos contos aquele <em>je ne sais quoi</em> que estimula o leitor a elaborar teorias e tentar descobrir a solução por si mesmo. Eu esperava um enredo no nível de Phoenix Wright: Ace Attorney e recebi algo no nível de Assassinato na Rua Morgue (Edgar Allan Poe), onde o culpado por um assassinato que intrigava a polícia a horas é um gorila que fugiu do circo e é mencionado apenas na última página.</p>
<p style="text-align:justify;">Valem os contos mais pelos personagens e sua relação do que pelas histórias &#8211; Holmes e Watson são pessoas vibrantes, interessantes, um tanto loucas. Curiosamente, eles não me remeteram de imediato a nenhuma das adaptações, recentes ou antigas, de Sherlock pras telinhas (embora os filmes novos sejam bem mais fidedignos aos livros), mas sim à série House M.D., onde House e Wilson são, não por acaso, o melhor retrato atual da dupla de investigadores da Scotland Yard. A complexa relação e a personalidade de cada um dos personagens é idêntica.</p>
<p style="text-align:justify;">Por eles, acho que eu terminaria de ler o livro. Entretanto, é bem mais provável que, quando minha sede por resolver mistérios bater novamente, eu decida ir assistir Detective Conan.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/assassinscreed.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-766" title="assassinscreed" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/assassinscreed.jpg?w=200&h=300" alt="" width="200" height="300" /></a>Assassin&#8217;s Creed &#8211; Renascença &#8211; Oliver Bowden</h2>
<p style="text-align:justify;">Tendo jogado o primeiro jogo, gostei da franquia e comprei o livro quando saiu.</p>
<p style="text-align:justify;">Li o primeiro capítulo. Um estilo grosseiro, mais descritivo que narrativo, mais científico que literário. &#8220;O autor é ruim&#8221;, pensei, &#8220;mas de repente a história é boa. Vamos em frente&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Li o segundo capítulo. Percebi um padrão: a história era uma seqüência de ações desconexas e artificiais, onde era apresentada em cada uma delas uma das habilidades do herói. Correr por telhados, escalar paredes, se esconder em montes de feno, pegar coletáveis, lutar com espada, etc. &#8220;Estão querendo estabelecer o que o personagem sabe fazer logo de início, mostrar ao leitor que Ezio Auditore de Florença não foi criado a leite com pêra&#8221;, pensei.</p>
<p style="text-align:justify;">Em uma festa com amigos, comentei do livro e dos primeiros capítulos. Alguém respondeu: &#8220;ora, mas isso que você descreveu é o tutorial do 2, tirando a parte com o Desmond do futuro&#8221;. E fazia sentido. Cheguei em casa, fechei o livro, guardei na estante, comprei Assassin&#8217;s Creed 2 na Steam, baixei, instalei e joguei.</p>
<p style="text-align:justify;">Não há mérito nenhum em ler o livro. Ele não é bem escrito, ele não é mais barato que o jogo (<a href="http://www.fnac.com.br/renascenca-assassin-s-creed-9788501091338-FNAC,,livro-585833-1.html">R$ 30,00 na FNAC</a> contra <a href="http://www.nuuvem.com.br/produto/239-assassin-s-creed-2">R$ 30,00 do jogo no Nuuvem</a>), e corta todo o elemento de narrativa emergente (<a href="http://www.youtube.com/user/VagrantBard">ALÔ LUDOBARDO</a>) que só o jogo contém. O autor simplesmente foi jogando e descrevendo o que acontecia, desenrolando fatos como um tio bêbado no Natal. O fato da própria narrativa original do jogo não ser grande coisa também não ajuda, mas esse não é o problema. O problema é que ler o livro de AC2 equivale a ouvir uma sinfonia de Dvorak tocada única e exclusivamente por reco-recos &#8211; o original ainda está lá, em algum lugar, mas a forma como é apresentada é excruciantemente ruim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=746&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Limpando a Estante [Parte 1]</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 09:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Feliz Natal a todos! Este é o primeiro de uma série de posts no qual eu vou &#8220;limpar a estante&#8221;: falar de livros que li mas que não mereceram um post inteiro, de livros que larguei na metade e de outras coisas que eu eventualmente queria falar. Hell Screen &#8211; Ryuunosuke Akutagawa Até encontrar a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=647&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Feliz Natal a todos! Este é o primeiro de uma série de posts no qual eu vou &#8220;limpar a estante&#8221;: falar de livros que li mas que não mereceram um post inteiro, de livros que larguei na metade e de outras coisas que eu eventualmente queria falar.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><strong>Hell Screen &#8211; Ryuunosuke Akutagawa</strong></h2>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/akutagawa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-654" title="Akutagawa" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/akutagawa.jpg?w=207&h=300" alt="" width="207" height="300" /></a>Até encontrar a coleção de contos da Penguin Classics, eu não conhecia nada de literatura japonesa, salvo alguns dos nomes mais famosos (Osamu Dazai, Natsume Souseki), e já tinha ouvido falar de Ryuunosuke Akutagawa. Comprei o livreto, crente de que seria uma primeira introdução a um gênero até então totalmente desconhecido.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-647"></span>O primeiro conto, Tela Infernal (地獄変, Jigokuhen), fala sobre um artista talentoso, embora um tanto psicótico, e sua paixão doentia pelo trabalho e pela arte. Acolhido por um importante nobre feudal, a história é narrada do ponto de vista de um outro servo, que deixa derramar na narrativa todos os seus preconceitos e, de certa forma, seus medos também. Curto, menos chocante do que era na época (1918), mas estiloso e delicado. O outro conto, O Fio da Aranha (蜘蛛の糸, Kumo no Ito), é uma fábula sobre um criminoso que foi condenado ao inferno, passando a eternidade a se afogar em um mar de sangue, corpos e outros condenados. Um ser celestial, para compensar o único ato de bondade que esse criminoso praticou ao poupar a vida de uma pequena aranha, decide usar um fio de teia de uma aranha mágica para fornecer ao bandido uma última e frágil esperança de salvação. Mais curto ainda que Tela Infernal (mais ou menos 10 páginas), mas um pouco mais impactante, o grande trunfo da história mais uma vez é o talento de Akutagawa para imaginar cenários terríveis e grandiosos.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez esses dois contos não façam jus ao talento de Akutagawa, talvez eu devesse ler Rashoumon (o primeiro romance do autor) para apreciar melhor a obra e o autor como um todo, ou talvez devesse ler mais autores japoneses para ter uma base melhor de comparação. O fato é que, como sempre, existe muito mais entre o paraíso e o lago de sangue do que imagina minha vã filosofia, e seria ingenuidade da minha parte, por exemplo, criticar a Tela Infernal sem levar em conta o forte tom autobiográfico presente e as metáforas com a vida do próprio autor. Quem estiver interessado pode ler O Fio de Aranha inteiro <a href="http://www.edogawa-u.ac.jp/~tmkelly/research_spider.html">aqui</a> (é domínio público!), com uma discussão mais apropriada.</p>
<h2><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/chesterton.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-648" title="Chesterton" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/chesterton.jpg?w=206&h=300" alt="" width="206" height="300" /></a>The Strange Crime of John Boulnois - G. K. Chesterton</h2>
<p style="text-align:justify;">Chesterton não é novo no Poleiro &#8211; já resenhei aqui <a title="[LIVRO] O Homem que era Quinta-Feira, por G.K. Chesterton" href="http://poleiro.wordpress.com/2010/10/30/livro-o-homem-que-era-quinta-feira-por-g-k-chesterton/">O Homem Que Era Quinta-Feira</a> &#8211; então eu já sabia o que esperar dos dois contos dessa edição. Ambos os casos são estrelados pelo personagem mais famoso do autor: Father Brown, um padre sagaz que investiga e resolve os mais estranhos dos casos com uma lógica ainda mais tortuosa. Em The Blue Cross, o clérigo investiga o roubo de uma valiosa cruz analisando as mais improváveis das pistas e cometendo o que, a princípio, parecem atos de pura loucura, para uma conclusão arrebatadora onde tudo faz sentido, deixando o leitor espantado e com um pouco de vertigem. Já em The Strange Crime of John Boulnois, o assassinato de um jornalista de tablóide têm como principal suspeito um cientista polêmico, que prefere levar a culpa pelo crime do que revelar a verdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Como n&#8217;O Homem que era Quinta-Feira, nada é exatamente o que parece nos contos de Chesterton. Father Brown, entretanto, é um contraponto a toda a loucura labiríntica do enredo, destilando todo o onirismo na narrativa em lógica pura e clara, sem perder a pose e o fleuma britânico. As histórias não tem um apelo duradouro, é verdade, por se apoiarem inteiramente no elemento de mistério do enredo e, assim, perderem toda a graça após a revelação do segredo. Por outro lado, é um mistério tão bem engendrado e meticuloso, e o caminho até sua solução tão labiríntico e interessante, que a experiência acaba por valer a pena. É possível ler estes e outros contos do Father Brown disponibilizados no Projeto Gutenberg (o primeiro está na coletânea <a href="http://www.gutenberg.org/ebooks/204">The Innocence of Father Brown</a>, o segundo no <a href="http://www.gutenberg.org/ebooks/223">The Wisdom of Father Brown</a>), ou através da edição da Penguin Books, que não deve custar mais de 5 reais.</p>
<h2><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/capa_livro_duplo-fantasia-heroica_.jpg"><img class=" wp-image-735 alignright" title="capa_livro_duplo-fantasia-heroica_" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/capa_livro_duplo-fantasia-heroica_.jpg?w=162&h=270" alt="" width="162" height="270" /></a>Duplo Fantasia Heróica (volumes 1 e 2) &#8211; Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo</h2>
<p style="text-align:justify;">Estes dois pocketbooks lançados pela Devir reúnem contos de fantasia inspirada na mitologia e na história do Brasil, cada um contendo contos de dois autores diferentes: Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo. Os nomes já denunciam a diferença de origens dos dois (Kastensmidt é americano, embora more no Brasil há vários anos) e, graças a isso, é possível traçar alguns paralelos interessantes das obras dos dois.</p>
<p style="text-align:justify;">Os contos de Kastensmidt fazem parte de uma macrossaga denominada &#8220;A Bandeira do Elefante e da Arara&#8221;, onde um explorador holandês, Gerard van Oost, faz amizade com Oludara, um escravo africano, e juntos formam uma bandeira para partir em busca de aventuras na mata brasileira. Com uma linguagem mais simples e acessível para crianças, Kastensmidt usa um estilo mais episódico em seus contos, com histórias bem fechadas que raramente exigem leitura contínua e sequencial, mostrando a influência que a publicação em folhetins exerceu sobre seu modo de escrever. Além disso, embora toda a história seja factualmente correta e verossímil, sempre sobra a impressão de que é uma aventura medieval com nova pelagem, com personagens arqueotípicos e criaturas fantásticas que muito derivam dos contos de fada europeus. Por outro lado, Gerard e Oludara são ótimos personagens, bem caracterizados e com motivações e histórias pessoais bastante ricas.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/dfh2_capa.png"><img class="alignright  wp-image-741" title="DFH2_Capa" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/dfh2_capa.png?w=163&h=270" alt="" width="163" height="270" /></a>Já os contos de Roberto de Sousa Causo contam a saga de Tajarê, um índio escolhido pelas forças da Grande Mãe-Terra para enfrentar Sjala, uma sacerdotisa viking que aporta na região do Amazonas para tentar libertar Loki. Se Kastensmidt derivou (consciente ou inconscientemente) de lendas européias para escrever as aventuras de sua bandeira, Causo deriva de outras fontes igualmente ricas, especialmente as lendas indígenas e na literatura brasileira. Enquanto o gringo usa criaturas como o saci e o capelobo, que podem ser facilmente associadas a estereótipos europeus (como o leprechaun e o lobisomem), o brasileiro invoca os botos, as amazonas e outros povos e espíritos da floresta. Enquanto um escreve da maneira mais clara possível para atingir todos os públicos, o outro experimenta com seu estilo, incorporando trejeitos do modo de falar indígena e artifícios do movimento modernista. É uma leitura não tão fácil a princípio &#8211; as primeiras páginas de um dos contos, que narram uma corrida pela floresta, exigem concentração particular &#8211; mas muito mais brasileira. Uma obra que exige mais de seu leitor, para lhe recompensar apropriadamente.</p>
<p style="text-align:justify;">A decisão da Devir de juntar os dois autores em um mesmo volume, afinal, foi um golpe de mestre. O alcance dos dois autores é complementar, um sendo mais simples e divertido, o outro mais elaborado e profundo, e graças a essa sinergia pelo menos um deles agradará o demográfico interessado em fantasia heróica brasileira. Por acaso, também são complementares os personagens principais de cada obra, que representam em conjunto os três povos (europeu, africano e indígena nativo) que formam o Brasil como o conhecemos.</p>
<p style="text-align:justify;">PS: A Devir precisa se decidir se faz uma capa dura decente ou uma edição barata. Pagar caro por uma capa não tão boa é meio frustrante.</p>
<h2><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/nelsonrodrigues.jpeg"><img class="alignright size-full wp-image-739" title="nelsonrodrigues" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/nelsonrodrigues.jpeg" alt="" width="180" height="300" /></a>A Vida Como Ela É &#8211; Nelson Rodrigues</h2>
<p style="text-align:justify;">A Vida Como Ela É é uma coletânea de cem contos que foram publicados em sua coluna diária no jornal Última Hora. Por favor, atentem-se para a periodicidade da coluna. Diária. Rodrigues tinha que inventar uma história diferente todo dia para o jornal, que fosse curta e cativante o suficiente, e no menor tempo possível pois, como já fora dito, ele era um cara muito ocupado com peças de teatro, roteiros de filme e similares. Em um ambiente de criação como este, não há espaço para &#8220;síndrome da página em branco&#8221; e outras doenças do mundo moderno. O problema foi resolvido com metas e constância.</p>
<p style="text-align:justify;">São cem contos de amor, traição, desespero, dor e paixão. Nelson estudou a fundo o cotidiano e os dramas da classe média carioca dos anos 50, e eventualmente viu o Padrão. Os elementos são sempre os mesmos: dois homens e uma mulher, ou duas mulheres e um homem. Outras pessoas não são personagens &#8211; são ferramentas. Os personagens podem ser casados, irmãos, parentes ou amigos. O traído pode se matar, ou matar a pessoa amada, ou os dois. E por aí vai. Em posse de todas as pequenas mudanças que acontecem de um caso para outro, passou a escrever uma crônica para cada combinação de parâmetros de entrada, todo dia, repetitivamente,  mecanicamente, deterministicamente. Cobriu toda e qualquer possibilidade de drama amoroso do cidadão comum. O livro que tenho em mãos é apenas a parcela mais apta da população de contos gerados por Rodrigues.</p>
<p style="text-align:justify;">É isso que é A Vida Como Ela É, o filtro do produto de um exercício científico diário realizado por um escritor talentoso. Uma obra que acredito ter atrasado a teledramaturgia brasileira em 20 anos, pois não há novela de sucesso da Globo que não seja um apanhado mal-costurado de crônicas deste livro. Não cheguei até o final, é verdade, mas com base nos 70 contos que li, o padrão já era claro o suficiente para poder estimar os outros 30. E agora vejo esse padrão em todos os livros com algum romance que se digne, em todos os dramas amorosos exibidas em novelas e filmes, em todos os problemas que enfrentam as pessoas ao meu redor. A Vida Como Ela É me estragou como pessoa, porque por culpa dele passei a enxergar a vida como ela é &#8211; uma equação previsível, uma repetição entediante, um ciclo sem fim das mesmas coisas de sempre.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/odd-e-os-gigantes-de-gelo.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-747" title="Odd-e-os-Gigantes-de-Gelo" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/odd-e-os-gigantes-de-gelo.jpg?w=203&h=300" alt="" width="203" height="300" /></a>Odd e os Gigantes de Gelo &#8211; Neil Gaiman</h2>
<p style="text-align:justify;">Neil Gaiman é possivelmente a única pessoa do mundo que consegue faturar uma cacetada de grana escrevendo contos de fada. Coraline, Stardust e The Graveyard Book foram todos livros ótimos, com pontos fortes para as crianças e para seus pais, e Odd and the Frost Giants não foge à exceção. Menos original e mais derivativo que os outros, Odd é uma estranha mistura <del><a href="http://www.youtube.com/watch?v=e5v7mcsFCzE">de Brasil com Egito</a></del> de mitologia nórdica com uma pitada leve de&#8230; japonesa?</p>
<p style="text-align:justify;">Odd é um garoto manco, filho único, órfão de pai, com um padrasto babaca. Cansado de ser um empecilho para sua vila em um inverno particularmente longo, Odd decide ir morar sozinho na antiga casa de sua família. No caminho, ele encontra uma águia, uma raposa e um urso falantes, que se revelam como as encarnações terrenas de Odin, Loki e Thor, banidos de Asgard e aprisionados em formas animais por terem sido vencidos pelos gigantes de gelo, que tomaram a cidade. Eles pedem a ajuda de Odd para voltar para Asgard e para derrotar os gigantes do gelo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ora, mas é uma história um tanto quanto similar à lenda japonesa de Momotarou, o garoto-pêssego. Nessa lenda, um cachorro (o animal forte, o urso-Thor), um macaco (um animal inteligente e sacana, a raposa-Loki) e um faisão (um pássaro, a águia-Odin) pedem a ajuda de Momotarou para derrotar os gigantes de Onishima. Mas é aí que as similaridades acabam. Ao invés de Momotarou, Odd não vence os gigantes pela força bruta, mas pela sagacidade, um conceito recorrente nas lendas nórdicas. Além disso, uma série de minúcias retratadas no livro remetem a lendas famosas dos Eddas, que fazem qualquer interessado no assunto abrir um sorriso durante a leitura (ou rir pra caramba quando Thor tira sarro de Loki por causa da lenda do nascimento do Sleipnir). Só não espere nada muito profundo como os romances mais sérios pro autor &#8211; Odd é um livro feito pra você ler pro seu filho quando ele for dormir.</p>
<p><em>(continua na parte 2 a ser publicada provavelmente em Janeiro!)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/647/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=647&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] O Jogo do Exterminador, de Orson Scott Card</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 15:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[devir]]></category>
		<category><![CDATA[ender's game]]></category>
		<category><![CDATA[o jogo do exterminador]]></category>
		<category><![CDATA[orson scott card]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro: O Jogo do Exterminador Autor: Orson Scott Card Editora: Devir Existe um conceito em literatura chamado verossimilhança. É a propriedade de uma obra de convencer seu leitor de que a mensagem que está transmitindo é crível, de causar em seu espectador a suspensão de descrença. É diferente do realismo, pois uma obra pode ser [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=717&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/exterm_capa200.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-726" title="exterm_capa200" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/exterm_capa200.jpg?w=199&h=300" alt="" width="199" height="300" /></a>Livro:</strong> O Jogo do Exterminador</p>
<p><strong>Autor:</strong> Orson Scott Card</p>
<p><strong>Editora:</strong> Devir</p>
<p>Existe um conceito em literatura chamado verossimilhança. É a propriedade de uma obra de convencer seu leitor de que a mensagem que está transmitindo é crível, de causar em seu espectador a suspensão de descrença. É diferente do realismo, pois uma obra pode ser verossímil sem ser realista &#8211; e isso se aplica especialmente à ficção científica, onde cenários envolvendo tecnologias muitas vezes impossíveis são aceitos sem problema algum. A verossimilhança é uma característica de suma importância, mas fragilíssima também: basta um deslize e a ilusão de imersão do leitor é quebrada, que coça sua cabeça e pensa: &#8220;Puxa, mas isso não faz o menor sentido&#8221;. É um dos problemas que eu tive com <a title="[LIVRO] A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman" href="http://poleiro.wordpress.com/2011/08/24/livro-a-mao-esquerda-de-deus-de-paul-hoffman-agora-pra-valer/">A Mão Esquerda de Deus</a> e com o começo d&#8217;O Jogo do Exterminador. Entretanto, se o primeiro tinha vários outros defeitos que só acentuavam sua má qualidade, O Jogo do Exterminador é bom o suficiente para compensar esse fato.<span id="more-717"></span></p>
<p>Em O Jogo do Exterminador, acompanhamos a saga de Ender Wiggin, um jovem prodígio de <strong>SEIS</strong> anos que é convocado para uma escola de treinamento de cadetes militares para gênios mirins, localizada em uma estação espacial internacional na órbita da Terra. Nela, os comandantes fazem de tudo para enrijecer Ender, forçando-o a superar obstáculo atrás de obstáculo, alienando o garoto com o propósito único de criar um comandante genial o suficiente para repelir a próxima onda de ataque dos &#8220;abelhudos&#8221;, seres alienígenas que já atacaram a Terra duas vezes e foram derrotados por uma milagrosa (e secreta) manobra militar. Enquanto isso, na Terra, os irmãos mais velhos de Ender, que<strong> TAMBÉM</strong> são absurdamente geniais, bolam um plano para impedir que a ordem mundial culmine numa WWIII se a guerra contra os aliens realmente chegar ao fim e as alianças militares, desfeitas.</p>
<p><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/card.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-727" title="card" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/card.jpg?w=240&h=300" alt="" width="240" height="300" /></a>Não preciso dizer que eu realcei os pontos exatos do livro em que minha suspensão de descrença foi pro espaço. Acreditar que um garoto de seis anos é tão inteligente que consegue elaborar estratégias complexas e efetuar potenciações múltiplas de cabeça é forçar tanto a barra que Card já alerta preventivamente no prefácio:</p>
<blockquote><p>&#8220;&#8216;Elas simplesmente não falam desse jeito&#8217;, ela disse. &#8216;Elas não <em>pensam</em> desse jeito&#8217;. (&#8230;) <em>O Jogo do Exterminador</em> perturba algumas pessoas porque desafia as suas crenças sobre a realidade. (&#8230;) Eu sabia que essa era uma das coisas mais verdadeiras sobre <em>O Jogo do Exterminador</em>. (&#8230;) Em toda a minha infância, nunca me senti como uma criança. Eu me sentia como uma pessoa todo o tempo &#8211; a mesma pessoa que sou hoje. Nunca achei que falasse de maneira infantil. Nunca achei que minhas emoções e desejos fossem, de alguma forma, menos reais do que as emoções e desejos adultos.</p></blockquote>
<p>Eu acredito que há um erro conceitual bem claro no argumento de Card: é possível analisar as emoções e sentimentos das crianças de uma perspectiva adulta e argumentar que as crises enfrentadas por ambos são essencialmente a mesma coisa; entretanto, o conhecimento, a experiência e a carga cultural que formam a maturidade de um cidadão e lhe permitem tomar decisões com mais propriedade NÃO é algo que toda criança é capaz de fazer. Mas tudo bem. Eu posso me forçar a crer que existem algumas pouquíssimas crianças absurdamente geniais no mundo. Aí Card me apresenta uma escola onde CADA criança de seis anos é adulta o suficiente para entender regras de batalha, trigonometria e organização militar. OK, vá lá. A população da Terra aumentou tanto que há leis de contenção familiar, cobrando pesadas taxas de pais com mais de dois filhos (Ender é chamado pejorativamente de Terceiro por seus antigos colegas de escola). Se a população aumentou tanto assim, então a chance de uma criança genial nascer aumenta, certo? Mas é aí que somos apresentados aos dois irmãos (não muito) mais velhos de Ender, que são tão geniais quanto ele, e é aí que eu desisto de tentar achar explicações e simplesmente aceito em silêncio.</p>
<div id="attachment_729" class="wp-caption alignright" style="width: 268px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/1b2dacd4-2c4e-436a-8dec-157030560b5a.jpg"><img class="size-medium wp-image-729" title="1b2dacd4-2c4e-436a-8dec-157030560b5a" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/1b2dacd4-2c4e-436a-8dec-157030560b5a.jpg?w=258&h=300" alt="" width="258" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Falhar na suspensão de descrença não faz com o que o livro seja ruim, mas certamente prejudica a experiência.</p></div>
<p>O problema é que o livro está LONGE de ser ruim. O desenvolvimento de Ender ao longo dos anos é um curioso retrato psicológico exacerbado da deformação que o treinamento militar exerce sobre seus soldados, mesmo sobre os mais brilhantes e conscientes. Paranóia, agressividade, depressão, cansaço passam a integrar o cotidiano do garoto sobre o qual repousa toda a esperança da raça humana, treinado para não confiar em ninguém a não ser em si mesmo, condicionado a acreditar que está sozinho seja a situação em que se encontre, e que força superior alguma vai salvá-lo do perigo.</p>
<p>Também é incrível ver o quanto Ender&#8217;s Game, que foi escrito em 1985, acertou sobre a tecnologia do futuro. Ender e seus colegas usam tablets para estudos (com telas monocromáticas verde-fosforecentes, mas tudo bem). Dentre os vários jogos que Ender joga, temos um simulador de caças, um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Real-time_strategy">RTS</a> espacial cooperativo e um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/MMORPG">MMORPG</a> com mundo persistente que cria cenários baseados em leituras da mente do jogador. Card também enxergou um futuro onde as grandes discussões do mundo realizam-se em fóruns de internet, fato que os irmãos de Ender aproveitam para, com seu extenso conhecimento de filosofia e história, manipular os grandes <em>players</em> do cenário político mundial e se estabelecerem como grandes pensadores usando pseudônimos. Justo, já existiam BBS&#8217;s em 1985, mas duvido que muitos vislumbrassem o potencial da mídia para discussões internacionais e para o anonimato.</p>
<p>Com boas reviravoltas, personagens bem-construídos e uma narrativa bem criativa, Ender&#8217;s Game tinha tudo pra ser um livro perfeito. Mas não é, porque seu autor insiste em forçar o leitor a acreditar que crianças de seis anos seriam capazes de fazer o que fazem no livro, sacrificando a verossimilhança para tentar alcançar um impacto maior com a crueldade e as agruras que seu protagonista suporta, além de glorificar seu ego ao dizer que inspirou Ender em si mesmo. Na minha opinião, a única mudança que tornaria Ender&#8217;s Game um livro perfeito seria aumentar a idade do protagonista para pelo menos 15 anos. Mas se o protagonista tivesse 15 anos, aí Ender&#8217;s Game seria Gundam 0079.</p>
<p>PS: Card é um bom escritor, mas um babaca de modo geral (essencialmente por ser um <a href="http://slog.thestranger.com/slog/archives/2011/09/08/hateful-homophobe-orson-scott-card-thinks-hamlet-should-be-more-homophobic">mórmon homofóbico ativista</a>). Isso não me impede de gostar da obra dele, e não deve impedir ninguém.</p>
<p>PPS: As capas da Devir são FEIAS. A tradução é firmeza, mas as capas&#8230; Por outro lado, é difícil achar uma capa de Ender&#8217;s Game decente, dado que <a href="http://www.google.com.br/search?client=opera&amp;rls=en&amp;q=ender%27s+game&amp;oe=utf-8&amp;channel=suggest&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;hl=en&amp;tbm=isch&amp;source=og&amp;sa=N&amp;tab=wi&amp;ei=qq_wTrjECOn40gGatuS9Ag&amp;biw=1247&amp;bih=902&amp;sei=sK_wToeEO4Tv0gGlnPDKAg">a grande maioria é horrenda</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=717&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] Dancing with Eternity, de John Patrick Lowrie</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 11:36:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[camel press]]></category>
		<category><![CDATA[dancing with eternity]]></category>
		<category><![CDATA[dogbert]]></category>
		<category><![CDATA[hinduism]]></category>
		<category><![CDATA[john patrick lowrie]]></category>
		<category><![CDATA[karma]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro: Dancing With Eternity Autor: John Patrick Lowrie Editora: Camel Press Em um gênero dominado por distopias, pela opressão em escala global e universal e pela deterioração das relações e até mesmo dos sentimentos humanos, é difícil encontrar algum livro que faça crer que o futuro seja &#8220;bom&#8221;. É como se o sistema econômico e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=705&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="dancing-with-eternity-john-patrick-lowrie-paperback-cover-art" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/dancing-with-eternity-john-patrick-lowrie-paperback-cover-art.jpg?w=200&h=300" alt="" width="200" height="300" /> <strong>Livro:</strong> Dancing With Eternity</p>
<p><strong>Autor:</strong> John Patrick Lowrie</p>
<p><strong>Editora:</strong> Camel Press</p>
<p style="text-align:justify;">Em um gênero dominado por distopias, pela opressão em escala global e universal e pela deterioração das relações e até mesmo dos sentimentos humanos, é difícil encontrar algum livro que faça crer que o futuro seja &#8220;bom&#8221;. É como se o sistema econômico e social mundial fosse uma máquina instável, pronta para explodir em alguma direção e sem ninguém para tomar as rédeas da situação. Mesmo em um ambiente um pouco menos radical e mais realista, como o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sprawl_trilogy">Sprawl</a> de William Gibson, temos megacorporações que ocupam cidades inteiras, implantes cibernéticos que desumanizam seus usuários e um clima geral de que os esforços conjuntos de bilhões de pessoas foram um fracasso. E talvez por isso o universo de Dancing With Eternity seja um mundo curiosamente inovador &#8211; só por apresentar um universo em que, bem, não é tão ruim assim viver.<span id="more-705"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Em algum momento do século XXV, quando a humanidade começava a colonizar Marte, avanços tecnológicos nos campos de tecnologia da informação e biociências descobriram uma maneira de &#8220;dumpar&#8221; toda a informação de um ser humano em computadores, e de reconstruir o corpo a partir dela. É óbvio que esse processo leva algum tempo, mas o surgimento de biochips implantados diretamente na nuca e uma rede de informações com transferências brutalmente rápidas permitem realizar o processo em alguns milissegundos. Isso permite virtualmente que qualquer pessoa torne-se &#8220;imortal&#8221;, de um modo parecido com o que é proposto pela filosofia hinduísta, em um ciclo de infinitas reencarnações.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/author_photo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-709" title="author_photo" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/author_photo.jpg?w=240&h=300" alt="" width="240" height="300" /></a>Entretanto, o processo é caro, e o cidadão comum não tem como pagar uma taxa astronômica a cada século ou dois. A solução alcançada funciona como uma espécie de empréstimo: você se aluga para os &#8220;works&#8221;, eles renovam o seu corpo, você trabalha durante 60 anos e, ao final do período, tem sua memória do período apagada, seu corpo renovado novamente e ganha créditos o suficiente para aproveitar a nova vida. É um ciclo kármico, onde você trabalha uma vida inteira para ser recompensado na vida futura.</p>
<p style="text-align:justify;">No fim das contas, o impacto maior dessa revolução tecnológica é a imortalidade, e todos os grandes temas do livro giram em torno dela. Contando a história do ponto de vista de Mohandas, um engenheiro ambiental que presenciou o começo dessa revolução e ainda está vivo 1500 anos depois, ele mais que ninguém consegue apontar diferenças que, para os personagens da época, são as coisas mais comuns do mundo. Não há mais tabus sexuais no século XL, em parte graças a uma tecnologia cujos usuários conseguem sentir todas as emoções do próximo e se comunicar em um nível mais elevado, mas também porque todas as convenções sociais familiares também foram por água. Ninguém mais morre, ninguém mais nasce. As empresas às vezes encomendam &#8220;novatos&#8221;, humanos nascidos em incubadoras e educados estritamente por empresas profissionais até seu amadurecimento, mas isso é raro.</p>
<p style="text-align:justify;">Outros desdobramentos da tecnologia são ainda mais interessantes. No passado, movimentos feministas contestavam a sociedade machista que se instalara, mas ambos os lados não tinham escolha a não ser conviver em conjunto pelo futuro da espécie. A imortalidade e os novatos mudam esse panorama irreversivelmente,  culminando em uma guerra intergaláctica e a criação de uma nação estritamente feminina na constelação das <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pleiades">Plêiades</a>. Outros grupos, firmes em suas filosofias religiosas, acreditam que a imortalidade impede que o homem se una a Deus em seu pós-morte, e criaram sua própria nação em um planeta isolado chamado Éden, onde as pessoas envelhecem e morrem, para espanto e incredulidade do resto do universo.</p>
<div id="attachment_711" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/karma-large-msg-11401312842-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-711" title="karma-large-msg-11401312842-2" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/karma-large-msg-11401312842-2.jpg?w=300&h=300" alt="" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">No mundo de DwE, as pessoas trabalham uma vida inteira para compensar os erros que cometeram em sua vida livre, remetendo ao conceito hindu de karma (e não o conceito dogbertiano).</p></div>
<p style="text-align:justify;">O enredo em si não é a atração principal, mas sim um meio através do qual o autor descreve o universo. Mohandas é contratado por uma mulher misteriosa para participar de uma expedição clandestina a um planeta proibido, o Planeta de Brainard, onde aparentemente há uma forma de vida alienígena que vive eternamente sem precisar de &#8220;reboots&#8221;. o enredo vai pouco a pouco se intensificando, expondo os segredos de cada tripulante e construindo relações entre eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais do que ser bem-escrito ou interessante, eu acho que um bom livro tem que ser memorável &#8211; possuir cenas marcantes que inspiram a emoção do momento só de lembrar. Dancing With Eternity, além de ser bem-escrito ou interessante, possui mais que um punhado dessas cenas. Só o capítulo que se passa em Éden já me faz querer ler o livro de novo, e isso é mais do que eu posso dizer da maioria dos livros que li este ano. Nada mal para um novato em seu primeiro romance, não é?</p>
<p style="text-align:justify;">PS: Sabia que o autor é o dublador do Sniper em <a href="http://www.teamfortress.com">Team Fortress 2</a>? Foi assim que eu acabei descobrindo o livro, mas ele é tão bom que eu não achei pertinente incluir isso em lugar algum.</p>
<p>PPS: Ele é casado com a <a href="http://www.thinkwithportals.com/">GLaDOS</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=705&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] Tropas Estelares, de Robert A. Heinlein</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 01:59:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[GRD]]></category>
		<category><![CDATA[Robert A. Heinlein]]></category>
		<category><![CDATA[Tropas Estelares]]></category>

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		<description><![CDATA[Nome: Tropas Estelares Autor: Robert A. Heinlein Editora: GRD Há muito a ser dito sobre a tradução de uma obra para um meio artístico diferente do qual ela foi concebida. Toda arte que se preze carrega consigo um quê autoral, a impressão digital de seu criador. Infelizmente, como em todo tipo de tradução, esse não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&#038;blog=12373445&#038;post=687&#038;subd=poleiro&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/tropas.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-688" title="tropas" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/tropas.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a>Nome:</strong> Tropas Estelares</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Autor:</strong> Robert A. Heinlein</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Editora:</strong> GRD</p>
<p style="text-align:justify;">Há muito a ser dito sobre a tradução de uma obra para um meio artístico diferente do qual ela foi concebida. Toda arte que se preze carrega consigo um quê autoral, a impressão digital de seu criador. Infelizmente, como em todo tipo de tradução, esse não é um processo sem perdas, e quem quer que converta a obra acaba deixando para trás um pouco do original. Tropas Estelares é possivelmente uma das maiores vítimas disso, uma obra de sociologia especulativa e ficção científica <em>hardcore</em> cuja marca no imaginário do cidadão padrão do século XXI é a de soldados atirando em aranhas.<span id="more-687"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Em algum momento do século XX, as tensões entre diferentes blocos internacionais eclodiram em uma Terceira Guerra Mundial, trazendo todo tipo de catástrofes para o mundo. Eventualmente, o Bloco Ocidental venceu, mas não sem suportar infindáveis perdas. E quando os generais, capitães e sargentos da guerra deixaram o front e voltaram para suas terras natais, encontraram algo ainda pior: um sistema político falido, ocupado por políticos corruptos e dominado por criminosos. Foi então que, primeiro na Irlanda e depois em outros países, diversos levantes das Forças Armadas levaram os heróis de guerra ao poder, estabelecendo governos militares pelo mundo todo. Neste novo governo, apenas possui poder de voto quem serviu ao seu país por pelo menos dois anos, restringindo as decisões de cada país às poucas pessoas que por ele arriscaram suas vidas.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/heinlein.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-690" title="Heinlein" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/heinlein.jpg" alt="" width="232" height="304" /></a>Séculos se passaram desde então, e a humanidade começou sua expansão pelo espaço, colonizando outros planetas do Sistema Solar e de sistemas vizinhos. Juan Rico é um terráqueo que, prestes a completar 18 anos, não sabe bem o que fazer da vida. Filho de um pai civil (e portanto que não é um &#8220;cidadão&#8221;), ele fica dividido entre tentar a cidadania e se acomodar em uma vida pacata, e se decide por impulso ao descobrir (pasmem) que uma garota bonita de sua sala também vai se alistar. Juventude, vai entender. E a partir daí, Johnny vai enfrentar um treinamento árduo, feito para ceifar do Exército quaisquer pessoas de índole fraca e moral duvidosa, para tornar-se um membro da Infantaria Móvel, um novo braço do exército especializado em utilizar armaduras computadorizadas capazes de ampliar exponencialmente as capacidades de um mero soldado.</p>
<p style="text-align:justify;">Familiar, esse conceito? Tropas Estelares é o livro que criou o estereótipo do Space Marine, o soldado do exército equipado com uma armadura que lhe permite fazer muito mais que um simples humano comum, e a lista de obras que agregaram este conceito é infinita. O que difere o soldado de Heinlein de um soldado espacial comum é que, diferentemente de tanques e canhões e mesmo pistolas, onde a eficiência de uma arma depende muito mais do equipamento em si, essa armadura é basicamente uma extensão do humano, e exige disciplina e dedicação para se tornar realmente eficiente em batalha. Daí ele ser um conceito que combinou tão bem com a mídia emergente dos videogames, onde o Space Marine apareceu em obras de todas as épocas, desde <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Doom_(series)">Doom</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Starcraft">Starcraft</a> até os Spartans de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Halo_(series)">Halo</a>, que são praticamente copicolas do original. Além disso, Infantaria Móvel, Trajes Móveis&#8230; <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gundam">Mobile Suits</a>? A franquia Gundam também foi largamente influenciado pela obra, que revolucionou o mercado de desenhos japoneses ao trazer um robô que não é superpoderoso por si mesmo, não possui armas mágicas esdrúxulas nem obtém seus poderes de figuras mitológicas, mas sim funciona como uma ferramenta de guerra, cuja utilização depende essencialmente do piloto.</p>
<div id="attachment_693" class="wp-caption alignright" style="width: 249px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/spartan.jpg"><img class="size-full wp-image-693   " title="spartan" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/spartan.jpg" alt="" width="239" height="269" /></a><p class="wp-caption-text">Um soldado Spartan de Halo, uma representação um tanto quanto fiel de como seria um soldado da Infantaria Móvel do livro</p></div>
<p style="text-align:justify;">Seria muito fácil para um autor de ficção científica centrar nesse conceito inovador e dedicar o livro às aventuras dos Rudes de Ranczak, o pelotão de Rico, mas Heinlein tinha anseios muito mais profundos. O cerne de Tropas Estelares não são as armaduras, mas sim a jornada de amadurecimento de Rico, a história de como um garoto indeciso tornou-se um importante líder militar e as lições de moral que aprendeu no caminho e que formaram seu caráter. É uma história velha com uma roupagem nova e uma execução detalhada: o jovem é um nada, relutante, que acaba aceitando seu destino devido a fatos marcantes e termina tornando-se um herói. Um livro de ficção científica com conceitos inovadores e um personagem marcante e bem-desenvolvido? Quem diria, hein?</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não pára por aí. Entrementes na história estão as aulas de moral e civismo ministradas tanto pelo ensino básico quanto pelos sargentos de treinamento e, posteriormente, pela Escola de Cadetes. Nessas aulas, os professores refletem sobre a formação e o funcionamento da estrutura política atual e passada, em geral envolvendo temas como responsabilidade social e o equilíbrio tênue entre direitos e deveres. Embora fique meio óbvio que eles funcionam como uma espécie de Metatron para o autor, o que interfere na imersão do texto, são diálogos interessantes, pontos de vista bem-construídos, ainda que falhos. A sociedade de Tropas Estelares figura entre uma <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Utopia">utopia platônica</a> e uma distopia orwelliana, onde seus integrantes vivem em relativa paz e tranquilidade às custas de total falta de poder político.</p>
<div id="attachment_696" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/stranger-in-a-strange-land-312663.jpg"><img class="size-full wp-image-696" title="Stranger-in-a-Strange-Land-312663" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/stranger-in-a-strange-land-312663.jpg" alt="" width="250" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Heinlein também escreveu Stranger in a Strange Land, uma das mais populares obras de FC do mundo e uma das inspirações pro movimento hippie dos anos 60</p></div>
<p style="text-align:justify;">Para explicar o sucesso estrondoso do modelo político que propõe, Heinlein argumenta  que o serviço militar incute valores morais e responsabilidades em seus soldados, e isso os torna cidadãos mais preocupados e bons políticos. Não é uma discussão das melhores, visto que todas as pessoas que tocam no assunto são militares e, portanto, possuem um viés explícito sobre o assunto. Eu pessoalmente discordo que uma sociedade assim funcionaria, argumentando, por exemplo, que a força de um sistema político reside na limitação do que as pessoas podem fazer de PIOR nele, e nada impediria um maníaco de conseguir tornar-se um soldado e eventualmente cometer atrocidades no governo, mas ainda é um ponto plausível e digno de reflexão.</p>
<p style="text-align:justify;">O treinamento de Rico culmina na guerra com os insetóides, uma raça de seres aracnoformes. Os insetóides são inteligentes, capazes de construir e operar naves interestelares e de disparar armas, e vivem em uma sociedade não muito diferente de uma colônia de abelhas. As duas raças se encontram em meio às suas respectivas expansões populacionais, e fica claro que os interesses conflitantes e a falta de comunicação impedem que a situação seja resolvida por outro meio que não a violência. Nisso, surge uma reflexão profunda: ao alastrarmos nossa herança genética por mundos a fio, não somos diferentes de uma raça visualmente nojenta de alienígenas &#8211; as motivações, os objetivos são os mesmos. Somos uma praga para a galáxia tanto quanto os insetóides o são. E o treinamento pelo qual Johnny Rico passou o impede de ver a situação de outra forma &#8211; a única solução que enxerga é o extermínio, o único resultado que lhe interessa é a supremacia humana. Entre acreditar que isso é uma crítica velada ao militarismo e entender isso como uma expressão da filosofia do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Manifest_Destiny">Destino Manifesto</a> estadunidense, eu fico com a segunda opção.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma obra de ficção científica, um livro sobre o nascimento de um herói, um tratado de sociologia, um conto panfletário pró-guerra. É possível enxergar essas e outras nuances (como as analogias com a Segunda Guerra Mundial) em Tropas Estelares, e é isso que o torna um livro tão rico e interessante. É uma pena que ele seja conhecido pelo mundo inteiro apenas como &#8220;aquele filme em que a barata gigante vem e mata os soldados&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bônus: Possívelmente o melhor vídeo misturando Starship Troopers e Gundam de todos os tempos</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://polei.ro/2011/10/19/livro-tropas-estelares-de-robert-a-heinlein/"><img src="http://img.youtube.com/vi/QbBT1yxOIik/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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