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	<title>Poleiro Elétrico</title>
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	<description>O booklog eletrônico do Arara</description>
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		<title>Poleiro Elétrico</title>
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		<title>Limpando a Estante [Parte 2]</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 19:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pra completar a série, mais quatro coisas que passaram despercebidas nos posts de 2011 por motivos diversos. No próximo post, voltamos à nossa programação costumeira com uma obra que mal posso esperar pra resenhar! Ulysses &#8211; James Joyce Podemos calcular o valor de uma obra puramente em sua capacidade de entreter e de causar reflexão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=746&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Pra completar a série, mais quatro coisas que passaram despercebidas nos posts de 2011 por motivos diversos. No próximo post, voltamos à nossa programação costumeira com uma obra que mal posso esperar pra resenhar!</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/ulysses.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-756" title="ulysses" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/ulysses.jpg?w=195&#038;h=300" alt="" width="195" height="300" /></a>Ulysses &#8211; James Joyce</h2>
<p style="text-align:justify;">Podemos calcular o valor de uma obra puramente em sua capacidade de entreter e de causar reflexão ou devemos levar em conta o ambiente e o histórico da mesma? Devemos aplaudir de pé uma performance que não mais agrada o público apenas por sua participação no desenvolvimento do meio? Esse é o meu dilema com Ulysses.</p>
<p><span id="more-746"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Escrita por James Joyce nos anos 20, Ulysses foi uma das primeiras obras a popularizar a técnica do fluxo de consciência, onde o livro registra a sequência de pensamentos do protagonista como narrativa da história, tornando-a confusa mas detalhada e um tanto distinta. Tente fazer você mesmo isso: registre cada um dos pensamentos que lhe passa pela cabeça, com todas suas associações, alusões e referências, e tente reler posteriormente. A mente humana é uma bagunça, e a técnica de Joyce registra bem essa característica. Hoje, já é algo mais comum, parte integrante da caixa de ferramentas de muitos autores famosos, incluindo alguns dos meus favoritos, como James Clavell. Raro hoje em dia o autor famoso que NÃO utiliza algo nesse naipe.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o livro não é importante para a história da literatura só pela inovação técnica. A atenção ao detalhe em tarefas cotidianas, que muitas vezes seriam suprimidas de um outro texto, chocou as mentes educadas da época. Como ousa um autor como Joyce descrever em detalhes o ato da defecação, do sexo ou da masturbação? Tido como obsceno e pornográfico, foi atacado por elites puristas no mundo todo, banido nos Estados Unidos e no Reino Unido.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption alignleft" style="width: 189px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/jamesjoyce.jpg"><img class=" wp-image-758 " title="jamesjoyce" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/jamesjoyce.jpg?w=179&#038;h=240" alt="" width="179" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">James Joyce, um hipster à moda antiga</p></div>
<p style="text-align:justify;">Inicialmente tido como controverso em sua terra natal, a Irlanda, Ulysses acabou por ser tão importante para seu povo que acabou por originar o único feriado do mundo dedicado a um livro &#8211; o Bloomsday (em homenagem ao protagonista Leopold Bloom), em 12 de junho (a data em que se passa a história do livro).</p>
<p style="text-align:justify;">O livro certamente foi importante, mas devo levar isso em conta ao oferecer meu veredito? Li apenas os dois primeiros capítulos, admito, e por isso não me dignei a redigir uma resenha inteira. Mas o importante é o motivo. Ulysses foi escrito para leitores de sua época &#8211; leitores elitizados que sabiam no mínimo falar inglês, francês, grego e latim. Joyce não deixa de inserir pelo menos uma citação em uma dessas línguas a cada duas ou três páginas, como se cada pé-rapado irlandês da época fosse trilíngue. O tão aclamado fluxo de consciência acaba sendo superutilizado em Ulysses, deixando parecer que é mais uma falta de esforço do autor em estruturar uma história do que uma obra de arte que quer transpassar barreiras.</p>
<p style="text-align:justify;">Achei Ulysses revolucionariamente medíocre &#8211; acredito que fez sucesso devido apenas ao progresso técnico promovido e ao conteúdo quebrador de tabus, mas sabe o que também foi tecnicamente revolucionário? <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PJxPjUo5-cI">Cenas de CGI no filme de Golgo 13</a>. Sabe o que também foi quebrador de tabus? Garganta Profunda. Deixo a cargo do leitor decidir se foram bons filmes por conta disso.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/thiefoftime.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-763" title="thiefoftime" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/thiefoftime.jpg?w=186&#038;h=300" alt="" width="186" height="300" /></a>Thief of Time &#8211; Terry Pratchett</h2>
<p style="text-align:justify;"> Terry Pratchett de novo? Eu já tinha resenhado dois livros dele aqui e provavelmente dito tudo o que eu queria dizer sobre ele. Além disso, há centenas de outros autores merecedores do meu tempo e dos quais nunca li nada. Por que ler mais Pratchett? Porque ele é genial.</p>
<p style="text-align:justify;">A sacada deste livro é que, no mundo de Discworld, o tempo é uma commodity,  um recurso energético similar à eletricidade. E assim como a eletricidade, é possível armazená-lo e manipulá-lo. Surgem os Monges da História, uma seita fundada por um cara maluco que descobriu como controlar o tempo de modo a evitar falhas temporais. Sabe a Era das Trevas, que tinha poucos ou quase nenhum documento registrado? Falha temporal. Da mesma maneira, os dinossauros nunca existiram &#8211; os monges que inventaram essa história e forjaram os fósseis para preencher uma falha temporal do início do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, um dos vilões clássicos da série, os Auditores, arautos da ordem, decidem que a melhor maneira de acabar com o caos inerente do mundo é parando o tempo &#8211; com tudo parado, tudo é previsível, tudo é calculável, tudo está em ordem. E o plano para acabar com o tempo é construir o relógio perfeito, capaz de medir o tempo entre dois momentos, gerando um laço negativo de realimentação que deixaria o universo em parafuso. E isso não é nem 5% da história.</p>
<p style="text-align:justify;">Poucos autores são capazes de costurar mitologia, humor, mecânica quântica e filosofia oriental em um livro só com a habilidade que Pratchett tem. Como eu não quero escrever isso toda vez que eu ler um livro de Discworld, eu fico por aqui.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/sherlockholmes.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-764" title="sherlockholmes" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/sherlockholmes.jpeg?w=182&#038;h=300" alt="" width="182" height="300" /></a>Sherlock Holmes, The Complete Novels and Stories &#8211; Arthur Conan Doyle</h2>
<p style="text-align:justify;">Contos de Sherlock Holmes são como um bom vinho. Exigem um paladar particular, envelhecem bem e são cheios de subtons. Também como o vinho, são melhor apreciados em pequenas doses. Comprei a coleção inteira do detetive britânico, em dois volumes enormes da Bantam Classics, e tentei ler tudo de uma vez. Resultado: fiquei bêbado de Sherlock Holmes.</p>
<p style="text-align:justify;">E aí vem aquele problema que, quando você lê muito de um certo autor, você começa a enxergar padrões e descobrir a fórmula do sucesso. Quando o autor é bom (vide a resenha acima do Pratchett), isso não configura um problema, mas quando falta ao artista um talento especial, um valor duradouro, é um tanto doído. Perde-se um pouco da magia, do suspense de uma nova narrativa escrita por alguém cujos neurônios são interligados de uma outra maneira, se ele não é criativo o suficiente para prender a atenção. Isso é um dos motivos que me fizeram parar de ler após terminar o primeiro volume.</p>
<p style="text-align:justify;">O outro motivo é que, bem, a obra original do Sherlock Holmes é um tanto mais decepcionante que qualquer uma das obras que ele inspirou. Até mesmo Dan Brown escreve mistérios mais intrigantes que Doyle, enigmas com diversas peças móveis e combinações inúmeras. Falta nos contos aquele <em>je ne sais quoi</em> que estimula o leitor a elaborar teorias e tentar descobrir a solução por si mesmo. Eu esperava um enredo no nível de Phoenix Wright: Ace Attorney e recebi algo no nível de Assassinato na Rua Morgue (Edgar Allan Poe), onde o culpado por um assassinato que intrigava a polícia a horas é um gorila que fugiu do circo e é mencionado apenas na última página.</p>
<p style="text-align:justify;">Valem os contos mais pelos personagens e sua relação do que pelas histórias &#8211; Holmes e Watson são pessoas vibrantes, interessantes, um tanto loucas. Curiosamente, eles não me remeteram de imediato a nenhuma das adaptações, recentes ou antigas, de Sherlock pras telinhas (embora os filmes novos sejam bem mais fidedignos aos livros), mas sim à série House M.D., onde House e Wilson são, não por acaso, o melhor retrato atual da dupla de investigadores da Scotland Yard. A complexa relação e a personalidade de cada um dos personagens é idêntica.</p>
<p style="text-align:justify;">Por eles, acho que eu terminaria de ler o livro. Entretanto, é bem mais provável que, quando minha sede por resolver mistérios bater novamente, eu decida ir assistir Detective Conan.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/assassinscreed.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-766" title="assassinscreed" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2012/01/assassinscreed.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" width="200" height="300" /></a>Assassin&#8217;s Creed &#8211; Renascença &#8211; Oliver Bowden</h2>
<p style="text-align:justify;">Tendo jogado o primeiro jogo, gostei da franquia e comprei o livro quando saiu.</p>
<p style="text-align:justify;">Li o primeiro capítulo. Um estilo grosseiro, mais descritivo que narrativo, mais científico que literário. &#8220;O autor é ruim&#8221;, pensei, &#8220;mas de repente a história é boa. Vamos em frente&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Li o segundo capítulo. Percebi um padrão: a história era uma seqüência de ações desconexas e artificiais, onde era apresentada em cada uma delas uma das habilidades do herói. Correr por telhados, escalar paredes, se esconder em montes de feno, pegar coletáveis, lutar com espada, etc. &#8220;Estão querendo estabelecer o que o personagem sabe fazer logo de início, mostrar ao leitor que Ezio Auditore de Florença não foi criado a leite com pêra&#8221;, pensei.</p>
<p style="text-align:justify;">Em uma festa com amigos, comentei do livro e dos primeiros capítulos. Alguém respondeu: &#8220;ora, mas isso que você descreveu é o tutorial do 2, tirando a parte com o Desmond do futuro&#8221;. E fazia sentido. Cheguei em casa, fechei o livro, guardei na estante, comprei Assassin&#8217;s Creed 2 na Steam, baixei, instalei e joguei.</p>
<p style="text-align:justify;">Não há mérito nenhum em ler o livro. Ele não é bem escrito, ele não é mais barato que o jogo (<a href="http://www.fnac.com.br/renascenca-assassin-s-creed-9788501091338-FNAC,,livro-585833-1.html">R$ 30,00 na FNAC</a> contra <a href="http://www.nuuvem.com.br/produto/239-assassin-s-creed-2">R$ 30,00 do jogo no Nuuvem</a>), e corta todo o elemento de narrativa emergente (<a href="http://www.youtube.com/user/VagrantBard">ALÔ LUDOBARDO</a>) que só o jogo contém. O autor simplesmente foi jogando e descrevendo o que acontecia, desenrolando fatos como um tio bêbado no Natal. O fato da própria narrativa original do jogo não ser grande coisa também não ajuda, mas esse não é o problema. O problema é que ler o livro de AC2 equivale a ouvir uma sinfonia de Dvorak tocada única e exclusivamente por reco-recos &#8211; o original ainda está lá, em algum lugar, mas a forma como é apresentada é excruciantemente ruim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/746/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/746/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=746&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Limpando a Estante [Parte 1]</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 09:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Feliz Natal a todos! Este é o primeiro de uma série de posts no qual eu vou &#8220;limpar a estante&#8221;: falar de livros que li mas que não mereceram um post inteiro, de livros que larguei na metade e de outras coisas que eu eventualmente queria falar. Hell Screen &#8211; Ryuunosuke Akutagawa Até encontrar a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=647&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Feliz Natal a todos! Este é o primeiro de uma série de posts no qual eu vou &#8220;limpar a estante&#8221;: falar de livros que li mas que não mereceram um post inteiro, de livros que larguei na metade e de outras coisas que eu eventualmente queria falar.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><strong>Hell Screen &#8211; Ryuunosuke Akutagawa</strong></h2>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/akutagawa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-654" title="Akutagawa" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/akutagawa.jpg?w=207&#038;h=300" alt="" width="207" height="300" /></a>Até encontrar a coleção de contos da Penguin Classics, eu não conhecia nada de literatura japonesa, salvo alguns dos nomes mais famosos (Osamu Dazai, Natsume Souseki), e já tinha ouvido falar de Ryuunosuke Akutagawa. Comprei o livreto, crente de que seria uma primeira introdução a um gênero até então totalmente desconhecido.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-647"></span>O primeiro conto, Tela Infernal (地獄変, Jigokuhen), fala sobre um artista talentoso, embora um tanto psicótico, e sua paixão doentia pelo trabalho e pela arte. Acolhido por um importante nobre feudal, a história é narrada do ponto de vista de um outro servo, que deixa derramar na narrativa todos os seus preconceitos e, de certa forma, seus medos também. Curto, menos chocante do que era na época (1918), mas estiloso e delicado. O outro conto, O Fio da Aranha (蜘蛛の糸, Kumo no Ito), é uma fábula sobre um criminoso que foi condenado ao inferno, passando a eternidade a se afogar em um mar de sangue, corpos e outros condenados. Um ser celestial, para compensar o único ato de bondade que esse criminoso praticou ao poupar a vida de uma pequena aranha, decide usar um fio de teia de uma aranha mágica para fornecer ao bandido uma última e frágil esperança de salvação. Mais curto ainda que Tela Infernal (mais ou menos 10 páginas), mas um pouco mais impactante, o grande trunfo da história mais uma vez é o talento de Akutagawa para imaginar cenários terríveis e grandiosos.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez esses dois contos não façam jus ao talento de Akutagawa, talvez eu devesse ler Rashoumon (o primeiro romance do autor) para apreciar melhor a obra e o autor como um todo, ou talvez devesse ler mais autores japoneses para ter uma base melhor de comparação. O fato é que, como sempre, existe muito mais entre o paraíso e o lago de sangue do que imagina minha vã filosofia, e seria ingenuidade da minha parte, por exemplo, criticar a Tela Infernal sem levar em conta o forte tom autobiográfico presente e as metáforas com a vida do próprio autor. Quem estiver interessado pode ler O Fio de Aranha inteiro <a href="http://www.edogawa-u.ac.jp/~tmkelly/research_spider.html">aqui</a> (é domínio público!), com uma discussão mais apropriada.</p>
<h2><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/chesterton.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-648" title="Chesterton" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/chesterton.jpg?w=206&#038;h=300" alt="" width="206" height="300" /></a>The Strange Crime of John Boulnois - G. K. Chesterton</h2>
<p style="text-align:justify;">Chesterton não é novo no Poleiro &#8211; já resenhei aqui <a title="[LIVRO] O Homem que era Quinta-Feira, por G.K. Chesterton" href="http://poleiro.wordpress.com/2010/10/30/livro-o-homem-que-era-quinta-feira-por-g-k-chesterton/">O Homem Que Era Quinta-Feira</a> &#8211; então eu já sabia o que esperar dos dois contos dessa edição. Ambos os casos são estrelados pelo personagem mais famoso do autor: Father Brown, um padre sagaz que investiga e resolve os mais estranhos dos casos com uma lógica ainda mais tortuosa. Em The Blue Cross, o clérigo investiga o roubo de uma valiosa cruz analisando as mais improváveis das pistas e cometendo o que, a princípio, parecem atos de pura loucura, para uma conclusão arrebatadora onde tudo faz sentido, deixando o leitor espantado e com um pouco de vertigem. Já em The Strange Crime of John Boulnois, o assassinato de um jornalista de tablóide têm como principal suspeito um cientista polêmico, que prefere levar a culpa pelo crime do que revelar a verdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Como n&#8217;O Homem que era Quinta-Feira, nada é exatamente o que parece nos contos de Chesterton. Father Brown, entretanto, é um contraponto a toda a loucura labiríntica do enredo, destilando todo o onirismo na narrativa em lógica pura e clara, sem perder a pose e o fleuma britânico. As histórias não tem um apelo duradouro, é verdade, por se apoiarem inteiramente no elemento de mistério do enredo e, assim, perderem toda a graça após a revelação do segredo. Por outro lado, é um mistério tão bem engendrado e meticuloso, e o caminho até sua solução tão labiríntico e interessante, que a experiência acaba por valer a pena. É possível ler estes e outros contos do Father Brown disponibilizados no Projeto Gutenberg (o primeiro está na coletânea <a href="http://www.gutenberg.org/ebooks/204">The Innocence of Father Brown</a>, o segundo no <a href="http://www.gutenberg.org/ebooks/223">The Wisdom of Father Brown</a>), ou através da edição da Penguin Books, que não deve custar mais de 5 reais.</p>
<h2><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/capa_livro_duplo-fantasia-heroica_.jpg"><img class=" wp-image-735 alignright" title="capa_livro_duplo-fantasia-heroica_" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/capa_livro_duplo-fantasia-heroica_.jpg?w=162&#038;h=270" alt="" width="162" height="270" /></a>Duplo Fantasia Heróica (volumes 1 e 2) &#8211; Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo</h2>
<p style="text-align:justify;">Estes dois pocketbooks lançados pela Devir reúnem contos de fantasia inspirada na mitologia e na história do Brasil, cada um contendo contos de dois autores diferentes: Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo. Os nomes já denunciam a diferença de origens dos dois (Kastensmidt é americano, embora more no Brasil há vários anos) e, graças a isso, é possível traçar alguns paralelos interessantes das obras dos dois.</p>
<p style="text-align:justify;">Os contos de Kastensmidt fazem parte de uma macrossaga denominada &#8220;A Bandeira do Elefante e da Arara&#8221;, onde um explorador holandês, Gerard van Oost, faz amizade com Oludara, um escravo africano, e juntos formam uma bandeira para partir em busca de aventuras na mata brasileira. Com uma linguagem mais simples e acessível para crianças, Kastensmidt usa um estilo mais episódico em seus contos, com histórias bem fechadas que raramente exigem leitura contínua e sequencial, mostrando a influência que a publicação em folhetins exerceu sobre seu modo de escrever. Além disso, embora toda a história seja factualmente correta e verossímil, sempre sobra a impressão de que é uma aventura medieval com nova pelagem, com personagens arqueotípicos e criaturas fantásticas que muito derivam dos contos de fada europeus. Por outro lado, Gerard e Oludara são ótimos personagens, bem caracterizados e com motivações e histórias pessoais bastante ricas.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/dfh2_capa.png"><img class="alignright  wp-image-741" title="DFH2_Capa" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/dfh2_capa.png?w=163&#038;h=270" alt="" width="163" height="270" /></a>Já os contos de Roberto de Sousa Causo contam a saga de Tajarê, um índio escolhido pelas forças da Grande Mãe-Terra para enfrentar Sjala, uma sacerdotisa viking que aporta na região do Amazonas para tentar libertar Loki. Se Kastensmidt derivou (consciente ou inconscientemente) de lendas européias para escrever as aventuras de sua bandeira, Causo deriva de outras fontes igualmente ricas, especialmente as lendas indígenas e na literatura brasileira. Enquanto o gringo usa criaturas como o saci e o capelobo, que podem ser facilmente associadas a estereótipos europeus (como o leprechaun e o lobisomem), o brasileiro invoca os botos, as amazonas e outros povos e espíritos da floresta. Enquanto um escreve da maneira mais clara possível para atingir todos os públicos, o outro experimenta com seu estilo, incorporando trejeitos do modo de falar indígena e artifícios do movimento modernista. É uma leitura não tão fácil a princípio &#8211; as primeiras páginas de um dos contos, que narram uma corrida pela floresta, exigem concentração particular &#8211; mas muito mais brasileira. Uma obra que exige mais de seu leitor, para lhe recompensar apropriadamente.</p>
<p style="text-align:justify;">A decisão da Devir de juntar os dois autores em um mesmo volume, afinal, foi um golpe de mestre. O alcance dos dois autores é complementar, um sendo mais simples e divertido, o outro mais elaborado e profundo, e graças a essa sinergia pelo menos um deles agradará o demográfico interessado em fantasia heróica brasileira. Por acaso, também são complementares os personagens principais de cada obra, que representam em conjunto os três povos (europeu, africano e indígena nativo) que formam o Brasil como o conhecemos.</p>
<p style="text-align:justify;">PS: A Devir precisa se decidir se faz uma capa dura decente ou uma edição barata. Pagar caro por uma capa não tão boa é meio frustrante.</p>
<h2><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/nelsonrodrigues.jpeg"><img class="alignright size-full wp-image-739" title="nelsonrodrigues" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/nelsonrodrigues.jpeg" alt="" width="180" height="300" /></a>A Vida Como Ela É &#8211; Nelson Rodrigues</h2>
<p style="text-align:justify;">A Vida Como Ela É é uma coletânea de cem contos que foram publicados em sua coluna diária no jornal Última Hora. Por favor, atentem-se para a periodicidade da coluna. Diária. Rodrigues tinha que inventar uma história diferente todo dia para o jornal, que fosse curta e cativante o suficiente, e no menor tempo possível pois, como já fora dito, ele era um cara muito ocupado com peças de teatro, roteiros de filme e similares. Em um ambiente de criação como este, não há espaço para &#8220;síndrome da página em branco&#8221; e outras doenças do mundo moderno. O problema foi resolvido com metas e constância.</p>
<p style="text-align:justify;">São cem contos de amor, traição, desespero, dor e paixão. Nelson estudou a fundo o cotidiano e os dramas da classe média carioca dos anos 50, e eventualmente viu o Padrão. Os elementos são sempre os mesmos: dois homens e uma mulher, ou duas mulheres e um homem. Outras pessoas não são personagens &#8211; são ferramentas. Os personagens podem ser casados, irmãos, parentes ou amigos. O traído pode se matar, ou matar a pessoa amada, ou os dois. E por aí vai. Em posse de todas as pequenas mudanças que acontecem de um caso para outro, passou a escrever uma crônica para cada combinação de parâmetros de entrada, todo dia, repetitivamente,  mecanicamente, deterministicamente. Cobriu toda e qualquer possibilidade de drama amoroso do cidadão comum. O livro que tenho em mãos é apenas a parcela mais apta da população de contos gerados por Rodrigues.</p>
<p style="text-align:justify;">É isso que é A Vida Como Ela É, o filtro do produto de um exercício científico diário realizado por um escritor talentoso. Uma obra que acredito ter atrasado a teledramaturgia brasileira em 20 anos, pois não há novela de sucesso da Globo que não seja um apanhado mal-costurado de crônicas deste livro. Não cheguei até o final, é verdade, mas com base nos 70 contos que li, o padrão já era claro o suficiente para poder estimar os outros 30. E agora vejo esse padrão em todos os livros com algum romance que se digne, em todos os dramas amorosos exibidas em novelas e filmes, em todos os problemas que enfrentam as pessoas ao meu redor. A Vida Como Ela É me estragou como pessoa, porque por culpa dele passei a enxergar a vida como ela é &#8211; uma equação previsível, uma repetição entediante, um ciclo sem fim das mesmas coisas de sempre.</p>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/odd-e-os-gigantes-de-gelo.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-747" title="Odd-e-os-Gigantes-de-Gelo" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/odd-e-os-gigantes-de-gelo.jpg?w=203&#038;h=300" alt="" width="203" height="300" /></a>Odd e os Gigantes de Gelo &#8211; Neil Gaiman</h2>
<p style="text-align:justify;">Neil Gaiman é possivelmente a única pessoa do mundo que consegue faturar uma cacetada de grana escrevendo contos de fada. Coraline, Stardust e The Graveyard Book foram todos livros ótimos, com pontos fortes para as crianças e para seus pais, e Odd and the Frost Giants não foge à exceção. Menos original e mais derivativo que os outros, Odd é uma estranha mistura <del><a href="http://www.youtube.com/watch?v=e5v7mcsFCzE">de Brasil com Egito</a></del> de mitologia nórdica com uma pitada leve de&#8230; japonesa?</p>
<p style="text-align:justify;">Odd é um garoto manco, filho único, órfão de pai, com um padrasto babaca. Cansado de ser um empecilho para sua vila em um inverno particularmente longo, Odd decide ir morar sozinho na antiga casa de sua família. No caminho, ele encontra uma águia, uma raposa e um urso falantes, que se revelam como as encarnações terrenas de Odin, Loki e Thor, banidos de Asgard e aprisionados em formas animais por terem sido vencidos pelos gigantes de gelo, que tomaram a cidade. Eles pedem a ajuda de Odd para voltar para Asgard e para derrotar os gigantes do gelo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ora, mas é uma história um tanto quanto similar à lenda japonesa de Momotarou, o garoto-pêssego. Nessa lenda, um cachorro (o animal forte, o urso-Thor), um macaco (um animal inteligente e sacana, a raposa-Loki) e um faisão (um pássaro, a águia-Odin) pedem a ajuda de Momotarou para derrotar os gigantes de Onishima. Mas é aí que as similaridades acabam. Ao invés de Momotarou, Odd não vence os gigantes pela força bruta, mas pela sagacidade, um conceito recorrente nas lendas nórdicas. Além disso, uma série de minúcias retratadas no livro remetem a lendas famosas dos Eddas, que fazem qualquer interessado no assunto abrir um sorriso durante a leitura (ou rir pra caramba quando Thor tira sarro de Loki por causa da lenda do nascimento do Sleipnir). Só não espere nada muito profundo como os romances mais sérios pro autor &#8211; Odd é um livro feito pra você ler pro seu filho quando ele for dormir.</p>
<p><em>(continua na parte 2 a ser publicada provavelmente em Janeiro!)</em></p>
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		<title>[LIVRO] O Jogo do Exterminador, de Orson Scott Card</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 15:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[devir]]></category>
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		<description><![CDATA[Livro: O Jogo do Exterminador Autor: Orson Scott Card Editora: Devir Existe um conceito em literatura chamado verossimilhança. É a propriedade de uma obra de convencer seu leitor de que a mensagem que está transmitindo é crível, de causar em seu espectador a suspensão de descrença. É diferente do realismo, pois uma obra pode ser [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=717&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/exterm_capa200.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-726" title="exterm_capa200" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/exterm_capa200.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a>Livro:</strong> O Jogo do Exterminador</p>
<p><strong>Autor:</strong> Orson Scott Card</p>
<p><strong>Editora:</strong> Devir</p>
<p>Existe um conceito em literatura chamado verossimilhança. É a propriedade de uma obra de convencer seu leitor de que a mensagem que está transmitindo é crível, de causar em seu espectador a suspensão de descrença. É diferente do realismo, pois uma obra pode ser verossímil sem ser realista &#8211; e isso se aplica especialmente à ficção científica, onde cenários envolvendo tecnologias muitas vezes impossíveis são aceitos sem problema algum. A verossimilhança é uma característica de suma importância, mas fragilíssima também: basta um deslize e a ilusão de imersão do leitor é quebrada, que coça sua cabeça e pensa: &#8220;Puxa, mas isso não faz o menor sentido&#8221;. É um dos problemas que eu tive com <a title="[LIVRO] A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman" href="http://poleiro.wordpress.com/2011/08/24/livro-a-mao-esquerda-de-deus-de-paul-hoffman-agora-pra-valer/">A Mão Esquerda de Deus</a> e com o começo d&#8217;O Jogo do Exterminador. Entretanto, se o primeiro tinha vários outros defeitos que só acentuavam sua má qualidade, O Jogo do Exterminador é bom o suficiente para compensar esse fato.<span id="more-717"></span></p>
<p>Em O Jogo do Exterminador, acompanhamos a saga de Ender Wiggin, um jovem prodígio de <strong>SEIS</strong> anos que é convocado para uma escola de treinamento de cadetes militares para gênios mirins, localizada em uma estação espacial internacional na órbita da Terra. Nela, os comandantes fazem de tudo para enrijecer Ender, forçando-o a superar obstáculo atrás de obstáculo, alienando o garoto com o propósito único de criar um comandante genial o suficiente para repelir a próxima onda de ataque dos &#8220;abelhudos&#8221;, seres alienígenas que já atacaram a Terra duas vezes e foram derrotados por uma milagrosa (e secreta) manobra militar. Enquanto isso, na Terra, os irmãos mais velhos de Ender, que<strong> TAMBÉM</strong> são absurdamente geniais, bolam um plano para impedir que a ordem mundial culmine numa WWIII se a guerra contra os aliens realmente chegar ao fim e as alianças militares, desfeitas.</p>
<p><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/card.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-727" title="card" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/card.jpg?w=240&#038;h=300" alt="" width="240" height="300" /></a>Não preciso dizer que eu realcei os pontos exatos do livro em que minha suspensão de descrença foi pro espaço. Acreditar que um garoto de seis anos é tão inteligente que consegue elaborar estratégias complexas e efetuar potenciações múltiplas de cabeça é forçar tanto a barra que Card já alerta preventivamente no prefácio:</p>
<blockquote><p>&#8220;&#8216;Elas simplesmente não falam desse jeito&#8217;, ela disse. &#8216;Elas não <em>pensam</em> desse jeito&#8217;. (&#8230;) <em>O Jogo do Exterminador</em> perturba algumas pessoas porque desafia as suas crenças sobre a realidade. (&#8230;) Eu sabia que essa era uma das coisas mais verdadeiras sobre <em>O Jogo do Exterminador</em>. (&#8230;) Em toda a minha infância, nunca me senti como uma criança. Eu me sentia como uma pessoa todo o tempo &#8211; a mesma pessoa que sou hoje. Nunca achei que falasse de maneira infantil. Nunca achei que minhas emoções e desejos fossem, de alguma forma, menos reais do que as emoções e desejos adultos.</p></blockquote>
<p>Eu acredito que há um erro conceitual bem claro no argumento de Card: é possível analisar as emoções e sentimentos das crianças de uma perspectiva adulta e argumentar que as crises enfrentadas por ambos são essencialmente a mesma coisa; entretanto, o conhecimento, a experiência e a carga cultural que formam a maturidade de um cidadão e lhe permitem tomar decisões com mais propriedade NÃO é algo que toda criança é capaz de fazer. Mas tudo bem. Eu posso me forçar a crer que existem algumas pouquíssimas crianças absurdamente geniais no mundo. Aí Card me apresenta uma escola onde CADA criança de seis anos é adulta o suficiente para entender regras de batalha, trigonometria e organização militar. OK, vá lá. A população da Terra aumentou tanto que há leis de contenção familiar, cobrando pesadas taxas de pais com mais de dois filhos (Ender é chamado pejorativamente de Terceiro por seus antigos colegas de escola). Se a população aumentou tanto assim, então a chance de uma criança genial nascer aumenta, certo? Mas é aí que somos apresentados aos dois irmãos (não muito) mais velhos de Ender, que são tão geniais quanto ele, e é aí que eu desisto de tentar achar explicações e simplesmente aceito em silêncio.</p>
<div id="attachment_729" class="wp-caption alignright" style="width: 268px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/1b2dacd4-2c4e-436a-8dec-157030560b5a.jpg"><img class="size-medium wp-image-729" title="1b2dacd4-2c4e-436a-8dec-157030560b5a" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/12/1b2dacd4-2c4e-436a-8dec-157030560b5a.jpg?w=258&#038;h=300" alt="" width="258" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Falhar na suspensão de descrença não faz com o que o livro seja ruim, mas certamente prejudica a experiência.</p></div>
<p>O problema é que o livro está LONGE de ser ruim. O desenvolvimento de Ender ao longo dos anos é um curioso retrato psicológico exacerbado da deformação que o treinamento militar exerce sobre seus soldados, mesmo sobre os mais brilhantes e conscientes. Paranóia, agressividade, depressão, cansaço passam a integrar o cotidiano do garoto sobre o qual repousa toda a esperança da raça humana, treinado para não confiar em ninguém a não ser em si mesmo, condicionado a acreditar que está sozinho seja a situação em que se encontre, e que força superior alguma vai salvá-lo do perigo.</p>
<p>Também é incrível ver o quanto Ender&#8217;s Game, que foi escrito em 1985, acertou sobre a tecnologia do futuro. Ender e seus colegas usam tablets para estudos (com telas monocromáticas verde-fosforecentes, mas tudo bem). Dentre os vários jogos que Ender joga, temos um simulador de caças, um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Real-time_strategy">RTS</a> espacial cooperativo e um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/MMORPG">MMORPG</a> com mundo persistente que cria cenários baseados em leituras da mente do jogador. Card também enxergou um futuro onde as grandes discussões do mundo realizam-se em fóruns de internet, fato que os irmãos de Ender aproveitam para, com seu extenso conhecimento de filosofia e história, manipular os grandes <em>players</em> do cenário político mundial e se estabelecerem como grandes pensadores usando pseudônimos. Justo, já existiam BBS&#8217;s em 1985, mas duvido que muitos vislumbrassem o potencial da mídia para discussões internacionais e para o anonimato.</p>
<p>Com boas reviravoltas, personagens bem-construídos e uma narrativa bem criativa, Ender&#8217;s Game tinha tudo pra ser um livro perfeito. Mas não é, porque seu autor insiste em forçar o leitor a acreditar que crianças de seis anos seriam capazes de fazer o que fazem no livro, sacrificando a verossimilhança para tentar alcançar um impacto maior com a crueldade e as agruras que seu protagonista suporta, além de glorificar seu ego ao dizer que inspirou Ender em si mesmo. Na minha opinião, a única mudança que tornaria Ender&#8217;s Game um livro perfeito seria aumentar a idade do protagonista para pelo menos 15 anos. Mas se o protagonista tivesse 15 anos, aí Ender&#8217;s Game seria Gundam 0079.</p>
<p>PS: Card é um bom escritor, mas um babaca de modo geral (essencialmente por ser um <a href="http://slog.thestranger.com/slog/archives/2011/09/08/hateful-homophobe-orson-scott-card-thinks-hamlet-should-be-more-homophobic">mórmon homofóbico ativista</a>). Isso não me impede de gostar da obra dele, e não deve impedir ninguém.</p>
<p>PPS: As capas da Devir são FEIAS. A tradução é firmeza, mas as capas&#8230; Por outro lado, é difícil achar uma capa de Ender&#8217;s Game decente, dado que <a href="http://www.google.com.br/search?client=opera&amp;rls=en&amp;q=ender%27s+game&amp;oe=utf-8&amp;channel=suggest&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;hl=en&amp;tbm=isch&amp;source=og&amp;sa=N&amp;tab=wi&amp;ei=qq_wTrjECOn40gGatuS9Ag&amp;biw=1247&amp;bih=902&amp;sei=sK_wToeEO4Tv0gGlnPDKAg">a grande maioria é horrenda</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/717/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=717&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] Dancing with Eternity, de John Patrick Lowrie</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 11:36:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Livro: Dancing With Eternity Autor: John Patrick Lowrie Editora: Camel Press Em um gênero dominado por distopias, pela opressão em escala global e universal e pela deterioração das relações e até mesmo dos sentimentos humanos, é difícil encontrar algum livro que faça crer que o futuro seja &#8220;bom&#8221;. É como se o sistema econômico e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=705&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="dancing-with-eternity-john-patrick-lowrie-paperback-cover-art" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/dancing-with-eternity-john-patrick-lowrie-paperback-cover-art.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" width="200" height="300" /> <strong>Livro:</strong> Dancing With Eternity</p>
<p><strong>Autor:</strong> John Patrick Lowrie</p>
<p><strong>Editora:</strong> Camel Press</p>
<p style="text-align:justify;">Em um gênero dominado por distopias, pela opressão em escala global e universal e pela deterioração das relações e até mesmo dos sentimentos humanos, é difícil encontrar algum livro que faça crer que o futuro seja &#8220;bom&#8221;. É como se o sistema econômico e social mundial fosse uma máquina instável, pronta para explodir em alguma direção e sem ninguém para tomar as rédeas da situação. Mesmo em um ambiente um pouco menos radical e mais realista, como o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sprawl_trilogy">Sprawl</a> de William Gibson, temos megacorporações que ocupam cidades inteiras, implantes cibernéticos que desumanizam seus usuários e um clima geral de que os esforços conjuntos de bilhões de pessoas foram um fracasso. E talvez por isso o universo de Dancing With Eternity seja um mundo curiosamente inovador &#8211; só por apresentar um universo em que, bem, não é tão ruim assim viver.<span id="more-705"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Em algum momento do século XXV, quando a humanidade começava a colonizar Marte, avanços tecnológicos nos campos de tecnologia da informação e biociências descobriram uma maneira de &#8220;dumpar&#8221; toda a informação de um ser humano em computadores, e de reconstruir o corpo a partir dela. É óbvio que esse processo leva algum tempo, mas o surgimento de biochips implantados diretamente na nuca e uma rede de informações com transferências brutalmente rápidas permitem realizar o processo em alguns milissegundos. Isso permite virtualmente que qualquer pessoa torne-se &#8220;imortal&#8221;, de um modo parecido com o que é proposto pela filosofia hinduísta, em um ciclo de infinitas reencarnações.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/author_photo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-709" title="author_photo" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/author_photo.jpg?w=240&#038;h=300" alt="" width="240" height="300" /></a>Entretanto, o processo é caro, e o cidadão comum não tem como pagar uma taxa astronômica a cada século ou dois. A solução alcançada funciona como uma espécie de empréstimo: você se aluga para os &#8220;works&#8221;, eles renovam o seu corpo, você trabalha durante 60 anos e, ao final do período, tem sua memória do período apagada, seu corpo renovado novamente e ganha créditos o suficiente para aproveitar a nova vida. É um ciclo kármico, onde você trabalha uma vida inteira para ser recompensado na vida futura.</p>
<p style="text-align:justify;">No fim das contas, o impacto maior dessa revolução tecnológica é a imortalidade, e todos os grandes temas do livro giram em torno dela. Contando a história do ponto de vista de Mohandas, um engenheiro ambiental que presenciou o começo dessa revolução e ainda está vivo 1500 anos depois, ele mais que ninguém consegue apontar diferenças que, para os personagens da época, são as coisas mais comuns do mundo. Não há mais tabus sexuais no século XL, em parte graças a uma tecnologia cujos usuários conseguem sentir todas as emoções do próximo e se comunicar em um nível mais elevado, mas também porque todas as convenções sociais familiares também foram por água. Ninguém mais morre, ninguém mais nasce. As empresas às vezes encomendam &#8220;novatos&#8221;, humanos nascidos em incubadoras e educados estritamente por empresas profissionais até seu amadurecimento, mas isso é raro.</p>
<p style="text-align:justify;">Outros desdobramentos da tecnologia são ainda mais interessantes. No passado, movimentos feministas contestavam a sociedade machista que se instalara, mas ambos os lados não tinham escolha a não ser conviver em conjunto pelo futuro da espécie. A imortalidade e os novatos mudam esse panorama irreversivelmente,  culminando em uma guerra intergaláctica e a criação de uma nação estritamente feminina na constelação das <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pleiades">Plêiades</a>. Outros grupos, firmes em suas filosofias religiosas, acreditam que a imortalidade impede que o homem se una a Deus em seu pós-morte, e criaram sua própria nação em um planeta isolado chamado Éden, onde as pessoas envelhecem e morrem, para espanto e incredulidade do resto do universo.</p>
<div id="attachment_711" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/karma-large-msg-11401312842-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-711" title="karma-large-msg-11401312842-2" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/11/karma-large-msg-11401312842-2.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">No mundo de DwE, as pessoas trabalham uma vida inteira para compensar os erros que cometeram em sua vida livre, remetendo ao conceito hindu de karma (e não o conceito dogbertiano).</p></div>
<p style="text-align:justify;">O enredo em si não é a atração principal, mas sim um meio através do qual o autor descreve o universo. Mohandas é contratado por uma mulher misteriosa para participar de uma expedição clandestina a um planeta proibido, o Planeta de Brainard, onde aparentemente há uma forma de vida alienígena que vive eternamente sem precisar de &#8220;reboots&#8221;. o enredo vai pouco a pouco se intensificando, expondo os segredos de cada tripulante e construindo relações entre eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais do que ser bem-escrito ou interessante, eu acho que um bom livro tem que ser memorável &#8211; possuir cenas marcantes que inspiram a emoção do momento só de lembrar. Dancing With Eternity, além de ser bem-escrito ou interessante, possui mais que um punhado dessas cenas. Só o capítulo que se passa em Éden já me faz querer ler o livro de novo, e isso é mais do que eu posso dizer da maioria dos livros que li este ano. Nada mal para um novato em seu primeiro romance, não é?</p>
<p style="text-align:justify;">PS: Sabia que o autor é o dublador do Sniper em <a href="http://www.teamfortress.com">Team Fortress 2</a>? Foi assim que eu acabei descobrindo o livro, mas ele é tão bom que eu não achei pertinente incluir isso em lugar algum.</p>
<p>PPS: Ele é casado com a <a href="http://www.thinkwithportals.com/">GLaDOS</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/705/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/705/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=705&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] Tropas Estelares, de Robert A. Heinlein</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 01:59:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[GRD]]></category>
		<category><![CDATA[Robert A. Heinlein]]></category>
		<category><![CDATA[Tropas Estelares]]></category>

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		<description><![CDATA[Nome: Tropas Estelares Autor: Robert A. Heinlein Editora: GRD Há muito a ser dito sobre a tradução de uma obra para um meio artístico diferente do qual ela foi concebida. Toda arte que se preze carrega consigo um quê autoral, a impressão digital de seu criador. Infelizmente, como em todo tipo de tradução, esse não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=687&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/tropas.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-688" title="tropas" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/tropas.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a>Nome:</strong> Tropas Estelares</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Autor:</strong> Robert A. Heinlein</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Editora:</strong> GRD</p>
<p style="text-align:justify;">Há muito a ser dito sobre a tradução de uma obra para um meio artístico diferente do qual ela foi concebida. Toda arte que se preze carrega consigo um quê autoral, a impressão digital de seu criador. Infelizmente, como em todo tipo de tradução, esse não é um processo sem perdas, e quem quer que converta a obra acaba deixando para trás um pouco do original. Tropas Estelares é possivelmente uma das maiores vítimas disso, uma obra de sociologia especulativa e ficção científica <em>hardcore</em> cuja marca no imaginário do cidadão padrão do século XXI é a de soldados atirando em aranhas.<span id="more-687"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Em algum momento do século XX, as tensões entre diferentes blocos internacionais eclodiram em uma Terceira Guerra Mundial, trazendo todo tipo de catástrofes para o mundo. Eventualmente, o Bloco Ocidental venceu, mas não sem suportar infindáveis perdas. E quando os generais, capitães e sargentos da guerra deixaram o front e voltaram para suas terras natais, encontraram algo ainda pior: um sistema político falido, ocupado por políticos corruptos e dominado por criminosos. Foi então que, primeiro na Irlanda e depois em outros países, diversos levantes das Forças Armadas levaram os heróis de guerra ao poder, estabelecendo governos militares pelo mundo todo. Neste novo governo, apenas possui poder de voto quem serviu ao seu país por pelo menos dois anos, restringindo as decisões de cada país às poucas pessoas que por ele arriscaram suas vidas.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/heinlein.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-690" title="Heinlein" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/heinlein.jpg" alt="" width="232" height="304" /></a>Séculos se passaram desde então, e a humanidade começou sua expansão pelo espaço, colonizando outros planetas do Sistema Solar e de sistemas vizinhos. Juan Rico é um terráqueo que, prestes a completar 18 anos, não sabe bem o que fazer da vida. Filho de um pai civil (e portanto que não é um &#8220;cidadão&#8221;), ele fica dividido entre tentar a cidadania e se acomodar em uma vida pacata, e se decide por impulso ao descobrir (pasmem) que uma garota bonita de sua sala também vai se alistar. Juventude, vai entender. E a partir daí, Johnny vai enfrentar um treinamento árduo, feito para ceifar do Exército quaisquer pessoas de índole fraca e moral duvidosa, para tornar-se um membro da Infantaria Móvel, um novo braço do exército especializado em utilizar armaduras computadorizadas capazes de ampliar exponencialmente as capacidades de um mero soldado.</p>
<p style="text-align:justify;">Familiar, esse conceito? Tropas Estelares é o livro que criou o estereótipo do Space Marine, o soldado do exército equipado com uma armadura que lhe permite fazer muito mais que um simples humano comum, e a lista de obras que agregaram este conceito é infinita. O que difere o soldado de Heinlein de um soldado espacial comum é que, diferentemente de tanques e canhões e mesmo pistolas, onde a eficiência de uma arma depende muito mais do equipamento em si, essa armadura é basicamente uma extensão do humano, e exige disciplina e dedicação para se tornar realmente eficiente em batalha. Daí ele ser um conceito que combinou tão bem com a mídia emergente dos videogames, onde o Space Marine apareceu em obras de todas as épocas, desde <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Doom_(series)">Doom</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Starcraft">Starcraft</a> até os Spartans de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Halo_(series)">Halo</a>, que são praticamente copicolas do original. Além disso, Infantaria Móvel, Trajes Móveis&#8230; <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gundam">Mobile Suits</a>? A franquia Gundam também foi largamente influenciado pela obra, que revolucionou o mercado de desenhos japoneses ao trazer um robô que não é superpoderoso por si mesmo, não possui armas mágicas esdrúxulas nem obtém seus poderes de figuras mitológicas, mas sim funciona como uma ferramenta de guerra, cuja utilização depende essencialmente do piloto.</p>
<div id="attachment_693" class="wp-caption alignright" style="width: 249px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/spartan.jpg"><img class="size-full wp-image-693   " title="spartan" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/spartan.jpg" alt="" width="239" height="269" /></a><p class="wp-caption-text">Um soldado Spartan de Halo, uma representação um tanto quanto fiel de como seria um soldado da Infantaria Móvel do livro</p></div>
<p style="text-align:justify;">Seria muito fácil para um autor de ficção científica centrar nesse conceito inovador e dedicar o livro às aventuras dos Rudes de Ranczak, o pelotão de Rico, mas Heinlein tinha anseios muito mais profundos. O cerne de Tropas Estelares não são as armaduras, mas sim a jornada de amadurecimento de Rico, a história de como um garoto indeciso tornou-se um importante líder militar e as lições de moral que aprendeu no caminho e que formaram seu caráter. É uma história velha com uma roupagem nova e uma execução detalhada: o jovem é um nada, relutante, que acaba aceitando seu destino devido a fatos marcantes e termina tornando-se um herói. Um livro de ficção científica com conceitos inovadores e um personagem marcante e bem-desenvolvido? Quem diria, hein?</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não pára por aí. Entrementes na história estão as aulas de moral e civismo ministradas tanto pelo ensino básico quanto pelos sargentos de treinamento e, posteriormente, pela Escola de Cadetes. Nessas aulas, os professores refletem sobre a formação e o funcionamento da estrutura política atual e passada, em geral envolvendo temas como responsabilidade social e o equilíbrio tênue entre direitos e deveres. Embora fique meio óbvio que eles funcionam como uma espécie de Metatron para o autor, o que interfere na imersão do texto, são diálogos interessantes, pontos de vista bem-construídos, ainda que falhos. A sociedade de Tropas Estelares figura entre uma <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Utopia">utopia platônica</a> e uma distopia orwelliana, onde seus integrantes vivem em relativa paz e tranquilidade às custas de total falta de poder político.</p>
<div id="attachment_696" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/stranger-in-a-strange-land-312663.jpg"><img class="size-full wp-image-696" title="Stranger-in-a-Strange-Land-312663" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/10/stranger-in-a-strange-land-312663.jpg" alt="" width="250" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Heinlein também escreveu Stranger in a Strange Land, uma das mais populares obras de FC do mundo e uma das inspirações pro movimento hippie dos anos 60</p></div>
<p style="text-align:justify;">Para explicar o sucesso estrondoso do modelo político que propõe, Heinlein argumenta  que o serviço militar incute valores morais e responsabilidades em seus soldados, e isso os torna cidadãos mais preocupados e bons políticos. Não é uma discussão das melhores, visto que todas as pessoas que tocam no assunto são militares e, portanto, possuem um viés explícito sobre o assunto. Eu pessoalmente discordo que uma sociedade assim funcionaria, argumentando, por exemplo, que a força de um sistema político reside na limitação do que as pessoas podem fazer de PIOR nele, e nada impediria um maníaco de conseguir tornar-se um soldado e eventualmente cometer atrocidades no governo, mas ainda é um ponto plausível e digno de reflexão.</p>
<p style="text-align:justify;">O treinamento de Rico culmina na guerra com os insetóides, uma raça de seres aracnoformes. Os insetóides são inteligentes, capazes de construir e operar naves interestelares e de disparar armas, e vivem em uma sociedade não muito diferente de uma colônia de abelhas. As duas raças se encontram em meio às suas respectivas expansões populacionais, e fica claro que os interesses conflitantes e a falta de comunicação impedem que a situação seja resolvida por outro meio que não a violência. Nisso, surge uma reflexão profunda: ao alastrarmos nossa herança genética por mundos a fio, não somos diferentes de uma raça visualmente nojenta de alienígenas &#8211; as motivações, os objetivos são os mesmos. Somos uma praga para a galáxia tanto quanto os insetóides o são. E o treinamento pelo qual Johnny Rico passou o impede de ver a situação de outra forma &#8211; a única solução que enxerga é o extermínio, o único resultado que lhe interessa é a supremacia humana. Entre acreditar que isso é uma crítica velada ao militarismo e entender isso como uma expressão da filosofia do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Manifest_Destiny">Destino Manifesto</a> estadunidense, eu fico com a segunda opção.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma obra de ficção científica, um livro sobre o nascimento de um herói, um tratado de sociologia, um conto panfletário pró-guerra. É possível enxergar essas e outras nuances (como as analogias com a Segunda Guerra Mundial) em Tropas Estelares, e é isso que o torna um livro tão rico e interessante. É uma pena que ele seja conhecido pelo mundo inteiro apenas como &#8220;aquele filme em que a barata gigante vem e mata os soldados&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bônus: Possívelmente o melhor vídeo misturando Starship Troopers e Gundam de todos os tempos</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://polei.ro/2011/10/19/livro-tropas-estelares-de-robert-a-heinlein/"><img src="http://img.youtube.com/vi/QbBT1yxOIik/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/687/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/687/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=687&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[JOGO] Bastion, da Supergiant Games</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 23:58:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jogos]]></category>
		<category><![CDATA[bastion]]></category>
		<category><![CDATA[pc]]></category>
		<category><![CDATA[supergiant games]]></category>
		<category><![CDATA[wb games]]></category>
		<category><![CDATA[x360]]></category>
		<category><![CDATA[xbla]]></category>

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		<description><![CDATA[Jogo: Bastion Produtora: Supergiant Games Plataformas: PC, XBox 360 Live Arcade A maioria das resenhas começa pelo começo. Não é tão simples assim com essa. (Cuidado: essa resenha contém alguns spoilers leves. Se você não curte spoilers, favor sair da página e visitar algo mais agradável como isto aqui) Segunda Pessoa: A Calamidade Algo aconteceu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=650&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/bastion-box-art.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-669" title="Bastion-Box-Art" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/bastion-box-art.jpg?w=219&#038;h=300" alt="" width="219" height="300" /></a>Jogo:</strong> Bastion</p>
<p><strong>Produtora:</strong> Supergiant Games</p>
<p><strong>Plataformas:</strong> PC, XBox 360 Live Arcade</p>
<p style="text-align:justify;">A maioria das resenhas começa pelo começo. Não é tão simples assim com essa.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em>(Cuidado: essa resenha contém alguns spoilers leves. Se você não curte spoilers, favor sair da página e visitar algo mais agradável como <a href="http://cuteoverload.com/">isto aqui</a>)</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em><span id="more-650"></span></em></strong></p>
<h3><strong>Segunda Pessoa: A Calamidade</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Algo aconteceu na terra de Caelandia. Algo muito ruim, pelo jeito, já que devastou toda a região e desintegrou praticamente todo mundo. Você acorda em um rochedo no céu, flutuando no nada. À medida que você tenta sair pela porta solitária do rochedo, o chão aos seus pés vai formando um caminho. Um caminho para o Bastião, o refúgio para onde todo morador da Caelandia deveria fugir em caso de problemas.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas você não sabia disso. Tudo o que você sabe sobre o mundo presente lhe é revelado por uma voz misteriosa que narra sua jornada &#8211; voz essa que pertence ao Estranho, o único sobrevivente da Calamidade que conseguiu chegar ao Bastião a salvo. E ele lhe diz que o Bastião possui o poder de reverter a Calamidade se for energizado com Núcleos &#8211; cristais que forneciam energia às várias cidades da Caelandia. E lá vai o Garoto, armado com sua marreta e outras várias armas, enfrentar os vários perigos que sucederam ao desastre.</p>
<p style="text-align:justify;">E à medida que você explora o continente, a voz do Estranho (que depois se apresenta como Rucks) é mais do que um narrador distante ou um tutor disfarçado: é a voz de um senhor amargurado, contando suas lembranças dos lugares, refletindo sobre as ruínas de uma nação antes gloriosa. Passando pelas cidades dentro da Caelandia até as selvas do além-muro, não se vê uma alma viva, e as poucas pessoas que aparecem tornam-se pó ao mais leve toque.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas há quem tenha sobrevivido. Em suas andanças, você encontra Zia e Zulf, dois membros dos Ura, um povo que habita uma terra distante. No passado, conta Rucks, havia uma guerra entre os Ura e o povo da Caelandia, mas essa guerra cessou há muito tempo e os dois povos viviam em paz, ainda que um tanto desconfiados uns dos outros.</p>
<div id="attachment_673" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/2011-09-10_000011.jpg"><img class="size-full wp-image-673 " title="2011-09-10_00001" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/2011-09-10_000011.jpg" alt="" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Zulf se apresenta para Rucks e o Garoto</p></div>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Terceira Pessoa: O Experimento</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">À medida que você navega o mundo, você encontra novas armas: Um lança-dardos, uma espada, um par de pistolas, um trabuco, uma lança, um rifle, um lança-chamas&#8230; Cada arma possui suas vantagens e desvantagens, mas são todas equilibradas de modo que cada uma é mais recomendada em determinadas situações. Fragmentos que você coleta destruindo o cenário e matando inimigos permitem que você aperfeiçoe suas armas, conferindo novas habilidades &#8211; os tiros da pistola ricocheteiam, a espada fica envenenada, os dardos perseguem o inimigo. Mas, mais importante que isso, cada arma também conta uma história &#8211; a história das pessoas que viviam naquela cidade, que empunharam aquelas armas. As pistolas eram as armas dos Xerifes, os encarregados de manter a ordem na cidade. A lança era usada pelos Brushers, os batedores do exército que abriam novas terras para a exploração humana.</p>
<p style="text-align:justify;">Além disso, você também encontra alguns itens abandonados pelo mundo, pertences dos antigos moradores da Caelandia: uma tiara de cristal, um touro de pelúcia, um caderno. Cada um deles também tem uma história por trás: o touro de pelúcia, por exemplo, representa Pyth, o Deus da Ordem dos Ura, e como os deuses de um povo viraram contos de fada do outro. E assim o jogador vai descobrindo que Rucks não é imparcial em sua observação, e que muito do que ele diz é influenciado por seus preconceitos e seu ponto de vista. Ao investigar o mundo, o jogador começa a desconfiar desse ponto de vista.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, conforme o jogador vai avançando pelas fases, alguns itens surgem no Bastião: um cachimbo, um caldeirão, uma cama. Esses itens fazem o Garoto entrar em uma espécie de transe, enviando-o para um mundo dos sonhos no qual ele enfrenta ondas de monstros e ouve Rucks contar a história passada de um dos personagens. É nesse momento que tudo fica claro: você entende o que causou a Calamidade e qual o papel de cada ator nessa grande tragédia.</p>
<div id="attachment_675" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/605743_20100908_screen008.jpg"><img class="size-full wp-image-675 " title="605743_20100908_screen008" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/605743_20100908_screen008.jpg" alt="" width="614" height="346" /></a><p class="wp-caption-text">O Garoto enfrenta um Gasfella com a Carabina do Exército (versão de X360)</p></div>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Primeira Pessoa: O Garoto</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">E então, chega a missão final. Muita coisa aconteceu desde que você acordou naquela pedra flutuante. Você viajou pela Caelandia inteira, dominou o uso de uma variedade de armas diferentes, enfrentou monstros lendários, guerreou contra os Ura, protegeu o Bastião quando ele foi atacado, e até mesmo foi salvar a Zia quando ela foi raptada (ou não?), e o mais importante: você já sabe o que causou a Calamidade. Agora chegou a hora decisiva: você tem que invadir uma fortaleza Ura para recuperar o último Núcleo necessário para a ativação final do Bastião.</p>
<p style="text-align:justify;">Por mais que você odeie ter que matar um semelhante, você avança. Por terras nevadas, selvas densas, viajando pelo ar em uma balsa voadora, você, o Garoto, continua em frente, vencendo cada inimigo. Rucks não mais narra sua viagem. Ele começa a conversar com Zia, e a confessar seus pecados. E ele menciona brevemente que está contando histórias apenas para passar o tempo, enquanto o Garoto não volta&#8230; E você percebe que tudo o que você viveu até então era apenas uma história que ele estava contando.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas agora você não é mais um personagem em uma história do passado: agora você está vivendo o presente, e está em domínio de suas ações. Se antes todas as suas decisões eram únicas, se a sua aventura era totalmente fechada, agora você tem poder total para tomar suas decisões. O foco da história muda sutilmente, sem que o jogador perceba, mas que contém um impacto imenso na primeira e única decisão que o jogador vai tomar.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não vou contar a cena. Assim como um filme constrói um enredo inteiro para culminar em um clímax emocionante, Bastion foi criado e aperfeiçoado para produzir ESSE momento. Contar a cena seria estragar uma obra-prima que precisa ser experienciada em um nível pessoal por cada pessoa que se auto-intitula &#8220;gamer&#8221;. Mas estejam avisados &#8211; a cena é forte.</p>
<div id="attachment_677" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/bastion_092010_00011.jpg"><img class="size-full wp-image-677" title="Bastion_092010_00011" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/bastion_092010_00011.jpg" alt="" width="614" height="346" /></a><p class="wp-caption-text">Novos prédios surgem no Bastião quando os Núcleos são ativados (versão de PC)</p></div>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Epílogo</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Bastion é um jogo sensacional. Não só pela narrativa, mas também por todos os outros elementos que fazem um jogo ser grandioso: as mecânicas de jogo são fluidas e divertidas; fazer todos os desafios e enfrentar as alucinações aumentam o tempo de vida do jogo enormemente; várias decisões inteligentes de <em>game design</em> foram incorporadas, em especial a forma orgânica como <em>achievements </em>e controle de dificuldade foram incluídos; os gráficos possuem um estilo parecido com o de Braid, mas muito mais detalhado e bem-trabalhado; e a trilha sonora&#8230; Limito-me a dizer que eu comprei a versão física da trilha sonora porque ela é o tipo de coisa que eu quero ouvir a minha vida inteira.</p>
<p style="text-align:justify;">Em sua declaração de missão, a produtora Supergiant Games diz: &#8220;Nosso objetivo é fazer jogos que instiguem sua imaginação, como os jogos de quando éramos crianças&#8221;. Essa missão se reflete na obra como um todo, gerando uma obra que é ainda mais gloriosa e imaginativa que as de antigamente, e tão grandiosa quanto o nome do seu criador.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://polei.ro/2011/09/18/jogo-bastion/"><img src="http://img.youtube.com/vi/GDflVhOpS4E/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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		<title>[LIVRO] A Batalha do Apocalipse, por Eduardo Spohr</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 22:07:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[a batalha do apocalipse]]></category>
		<category><![CDATA[eduardo spohr]]></category>
		<category><![CDATA[verus]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro: A Batalha do Apocalipse &#8211; Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo Autor: Eduardo Spohr Editora: Verus Este livro é bom. Bom mesmo. Mas ele tem um problema. O problema não está no enredo. Com uma temática obviamente bíblica, A Batalha do Apocalipse expande a mitologia cristã para contar a história de Ablon, um anjo renegado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=620&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/a-batalha-do-apocalipse.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-626" title="A Batalha do Apocalipse" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/a-batalha-do-apocalipse.jpg?w=208&#038;h=300" alt="" width="208" height="300" /></a>Livro:</strong> A Batalha do Apocalipse &#8211; Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo</p>
<p><strong>Autor:</strong> Eduardo Spohr</p>
<p><strong>Editora:</strong> Verus</p>
<p>Este livro é bom. Bom mesmo. Mas ele tem um problema.<span id="more-620"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O problema não está no enredo. Com uma temática obviamente bíblica, A Batalha do Apocalipse expande a mitologia cristã para contar a história de Ablon, um anjo renegado que reside em um muquifo do Rio de Janeiro. Aproveitando-se que Deus/Yahweh, criador do Universo, ainda dorme o sono do Sétimo Dia, o arcanjo Miguel, da casta mais poderosa de seres angelicais, usurpou o poder celestial e comanda as legiões angelicais com punho de ferro. Invejoso do ser humano, um &#8220;boneco de barro&#8221; dotado de alma, Miguel ordenou os vários cataclismas descritos na Bíblia, como a ruína de Babel e a destruição de Sodoma. Atos como esses provocam a revolta de Ablon, um poderoso general e admirador de toda a obra de Yahweh, que acaba liderando um levante contra a tirania do arcanjo. Sua revolta fracassa e Ablon é condenado a passar o resto de sua existência preso em um corpo físico no nosso mundo material. O livro abrange milênios, entre lembranças de Ablon situadas em nações mesopotâmicas até um futuro próximo, onde uma guerra nuclear anunciada entre dois grandes blocos políticos internacionais sinaliza o início do Apocalipse, dá início a uma guerra entre o Céu e o Inferno e anuncia o Despertar do Altíssimo.</p>
<p style="text-align:justify;">O problema também não está no estilo do autor. Nerd assumido, Spohr consegue (consciente ou inconscientemente) aliar o imaginário desse nicho cultural a uma narrativa coesa, empolgante e criativa. A influência da estética animê é notável em várias cenas, situações e descrições (especialmente em uma batalha que me lembrou este <a href="http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/YouAreAlreadyDead">trope</a>), mas ainda mais notável é a presença de elementos de RPGs de mesa brasileiros. Mais do que a óbvia referência no nome da espada do protagonista (a Vingadora Sagrada), não foram raras às vezes que um termo ou uma frase me remetessem a <a href="http://www.daemon.com.br/home/index.php/trevas/">Trevas</a>, um dos melhores cenários que a cena nacional já produziu, que trata mais ou menos do mesmo tema. Por fim, a estrutura da narrativa, com seus diversos mundos, pontuadas por combates sangrentos e diálogos intensos e heróicos, provavelmente serviriam como uma luva em um videogame moderno. E bem, se <a title="[LIVRO] The Last Wish &amp; Blood of Elves, de Andrzej Sapkowski" href="http://poleiro.wordpress.com/2011/07/28/livro-the-last-wish-blood-of-elves-de-andrzej-sapkowski/">os poloneses conseguiram</a>, por que não podemos fazer o mesmo aqui? E, caramba, se até os japoneses estão fazendo <a href="http://www.kotaku.com.br/conteudo/el-shaddai-e-as-emocoes-de-um-combate-biblico/">um jogo baseado em uma interpretação alternativa da Bíblia e em evangelhos apócrifos</a>, nós também podemos!</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/eduardo-spohr01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-628" title="Eduardo Spohr01" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/eduardo-spohr01.jpg?w=300&#038;h=200" alt="" width="300" height="200" /></a>No <em>overall</em>, é um livro interessantíssimo. Spohr é o tipo de autor que consegue bolar teorias plausíveis e sabe trabalhar com as regras de seu universo de modo a fazer enredos coesos, criar mistérios realmente intrigantes e reviravoltas surpreendentes. O excesso de flashbacks às vezes quebra o ritmo natural da história, e o autor peca um pouco em certos diálogos, por vezes carregados de frases grandiosas e meio cafonas (uma herança cultural das mídias das quais derivou), mas consegue transmitir uma sensação de imponência e importância à narrativa que falta a muitos autores. Só que, como eu disse, há um problema. E é um problema que estragou parte da minha experiência de leitura quando eu passei a filosofar sobre ele. O problema está na caracterização do &#8220;anjo&#8221; que Spohr propõe.</p>
<p style="text-align:justify;">No universo d’A Batalha do Apocalipse, os anjos foram criados pelo esplendor de Yahweh para ajuda-lo a “gerenciar” o mundo, combatendo seres etéreos e protegendo a sua criação. Entretanto, segundo Spohr, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tetragrammaton">YHWH</a> não lhes deu a dádiva do livre-arbítrio. Mas como assim? Como é possível que seres que tomam decisões, armam planos, traem, se aliam e se rebelam não sejam dotados de livre-arbítrio? Isso faria sentido se os anjos se comportassem como se fossem meros reflexos da vontade divina, mas não é isso que acontece. Quando a “falta de livre-arbítrio” é mencionada no texto, ela está associada a alguma característica inerente da personalidade do personagem, associada à casta à qual ele pertence e que reflete em suas ações. E eis o grande problema: reflete, guia, mas não restringe. Os anjos parecem, sim, ser dotados de livre-arbítrio &#8211; apenas não têm consciência disso, tal qual a garota anoréxica que se acha gorda ao se ver no espelho.</p>
<div id="attachment_630" class="wp-caption alignright" style="width: 261px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/schopenhauer.jpg"><img class="size-medium wp-image-630" title="Schopenhauer" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/schopenhauer.jpg?w=251&#038;h=300" alt="" width="251" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Você pode fazer o que quiser, mas, em cada momento da sua vida, você só vai querer UMA coisa e nada além daquilo.&quot; -Schopenhauer</p></div>
<p style="text-align:justify;">O problema do livre-arbítrio está profundamente relacionado à questão do determinismo no mundo. Se o mundo é determinístico, isto é, se todo o futuro é determinado com 100% de certeza com base no passado, então ninguém possui livre-arbítrio. Todas as ações que as pessoas tomam, todos os dilemas pelas quais elas passam, todas as dúvidas, todas as ansiedades já estavam previamente determinadas por uma série de causas do passado. O autor dá dicas de que o mundo seja determinístico quando mostra o Livro que o arcanjo Miguel carrega, com profecias escritas por Yahweh que narram o Fim dos Tempos. Se Deus previu o que aconteceria ao mundo em sua ausência (e está certo), não seria possível afirmar que a humanidade seja dotada de livre-arbítrio, pois todas suas ações já estavam pré-determinadas de modo a ocasionar o Apocalipse da forma que Deus planejou. Não faria sentido, por exemplo, que ele prevesse apenas o que seus súditos celestiais fariam, pois os atos da humanidade influenciam grandemente no desenrolar da guerra angelical.</p>
<p style="text-align:justify;">Por outro lado, em um mundo que não é determinístico (como provavelmente é o nosso, dadas as incertezas da mecânica quântica), seria possível existir a falta do livre-arbítrio? Sim, seria – computadores não a possuem, porque estão limitadas pela sequência de tarefas designadas por seus programadores. Mas podemos dizer que uma inteligência artificial suficientemente avançada possui livre-arbítrio? E se formos limitados pela sequência de tarefas designadas por nossa biologia? Afinal o que É o livre-arbítrio?</p>
<p style="text-align:justify;">A falta de clareza na definição do termo deixa a situação bem confusa. Podemos argumentar que os anjos não possuem livre-arbítrio para fugir à natureza da sua casta, mas nós, pobres mortais, também não somos totalmente livres de certos preconceitos e amarras do passado. Por outro lado, em Babel, Ablon quase agiu contra sua natureza e só não o fez porque sua colega humana Shamira o impediu em um último momento. E o que dizer das atrocidades que Amael cometeu contra sua própria natureza?</p>
<p style="text-align:justify;">Outro fator que incita a reflexão é a inveja que os anjos e arcanjos possuem pela raça humana, devido ao fato dos humanos possuírem alma e eles, não. A idéia da alma como detentora máxima do livre-arbítrio é um conceito bem antigo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Philo_of_Alexandria#Numbers">Philo de Alexandria</a> já discutia esse assunto no século I). Mas nunca fica bem claro ao longo do livro o porquê de tal inveja – se a sociedade dos anjos funciona similar a uma sociedade humana, se existe raiva, amizade e inveja entre os anjos, se todos eles parecem agir de acordo com sua própria vontade, qual é a diferença entre seres com alma e seres sem alma? Como pode Ablon se apaixonar por Shamira se ele teoricamente não possui a essência que lhe provê esses sentimentos? A revelação sobre a verdadeira natureza da alma (um baita dum spoiler que não colocarei aqui) parece esclarecer um pouco essa inveja, mas não muito.</p>
<div id="attachment_632" class="wp-caption alignleft" style="width: 231px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/jh_poincare.jpg"><img class="size-medium wp-image-632" title="JH_Poincare" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/09/jh_poincare.jpg?w=221&#038;h=300" alt="" width="221" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Henri Poincaré, matemático pica-grossa, acreditava na separação do &quot;livre&quot; e do &quot;arbítrio&quot; - as opções são geradas semi-aleatoriamente (livre), mas a escolha da opção mais adequada é determinístico (arbítrio)</p></div>
<p style="text-align:justify;">No fundo, acho que seja um problema mais semântico do que filosófico. Talvez “livre-arbítrio” não seja o melhor termo a ser utilizado, ou talvez seja a vontade de Spohr de incluir algo bem-conhecido da mitologia bíblica em sua história, mas a verdade é que a idéia dos anjos como “instrumento da vontade de Deus” não funciona quando esse Deus está ausente  ou, pior ainda, quando essa vontade conflita consigo mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">Pra fechar: A Batalha do Apocalipse é um livro sensacional, acima da média mundial em termos de criatividade e ambientação. O mundo elaborado por Spohr supera fácil a esmagadora maioria dos livros recentes de literatura juvenil que tentam capitalizar em cima do sucesso de Harry Potter, com um enredo intrincada e um background profundo, detalhado com um cuidado tolkieniano. Seus defeitos são irrelevantes dada a qualidade do texto e, se ele provoca esse tipo de reflexão acima, tanto melhor pro leitor que reflete um pouco mais e para mim, que posso fingir que manjo de filosofia e ficar bem na fita.</p>
<p style="text-align:justify;">PS: Pra quem quiser ler mais sobre a filosofia do livre arbítrio, o artigo da Wikipédia é um ótimo  começo: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Free_will">http://en.wikipedia.org/wiki/Free_will</a></p>
<p style="text-align:justify;">PPS: Se você entende de filosofia, colabore com a discussão!</p>
<p style="text-align:justify;">
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			<media:title type="html">Eduardo Spohr01</media:title>
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			<media:title type="html">Schopenhauer</media:title>
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			<media:title type="html">JH_Poincare</media:title>
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		<title>[LIVRO] A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 21:26:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[a mão esquerda de deus]]></category>
		<category><![CDATA[paul hoffman]]></category>
		<category><![CDATA[suma de letras]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro: A Mão Esquerda de Deus Autor: Paul Hoffman Editora: Suma de Letras A diferença entre uma atividade difícil e uma atividade trabalhosa é que, enquanto a primeira exige habilidades e conhecimentos, a segunda exige apenas tempo e dedicação. E eu acredito que, se escrever um livro genial é uma atividade bem complicada, escrever um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=535&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/a-mc3a3o-esquerda-de-deus1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-610" title="A Mão Esquerda de Deus" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/a-mc3a3o-esquerda-de-deus1.jpg?w=209&#038;h=300" alt="" width="209" height="300" /></a><strong>Livro:</strong> A Mão Esquerda de Deus</p>
<p><strong>Autor:</strong> Paul Hoffman</p>
<p><strong>Editora:</strong> Suma de Letras</p>
<p style="text-align:justify;">A diferença entre uma atividade difícil e uma atividade trabalhosa é que, enquanto a primeira exige habilidades e conhecimentos, a segunda exige apenas tempo e dedicação. E eu acredito que, se escrever um livro genial é uma atividade bem complicada, escrever um livro decente é meramente um triunfo da paciência e do comprometimento. Uma dose de cultura sempre é bem-vinda, críticas externas certamente são essenciais, mas qualquer livro bom surge principalmente porque alguém pensou em uma história legal, sentou no computador e escreveu. Não tem tanto segredo: qualquer livro de ficção infanto-juvenil tem elementos básicos facilmente identificáveis e reproduzíveis, e não é à toa que exista tantos &#8220;livros tipo Harry Potter&#8221; no mercado hoje. A Mão Esquerda de Deus é um exemplo claro de alguém que tentou seguir a onda de qualquer jeito, mas ficou a ver navios.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-535"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Num mundo que nunca fica bem especificado se é o nosso mundo, uma dimensão paralela ou algo totalmente diferente, existe uma fortaleza no meio do nada comandada por um grupo de religiosos que se auto-denominam Redentores, cultistas de uma seita que gira em torno do Redentor Enforcado, um homem que morreu pelos pecados da humanidade. Essa fortaleza serve de posto avançado na guerra contra os Infiéis que, diz-se, seguem o Antirredentor e são pessoas horríveis, ou algo assim. Cale é um dos garotos da fortaleza, treinado para ser um soldado e orientado pessoalmente pelo general dos Redentores por possuir um dom especial: graças a uma pancada que levou na cabeça, ele agora consegue prever os movimentos do adversário e isso o torna uma ferramenta muito útil no campo de batalha. Pois acontece que, ao se embrenhar com dois amigos em lugares proibidos do castelo, ele acaba vendo o que não devia, mata sem querer um dos chefões e foge em uma seqüência espetacular que envolve um adubo mágico que esconde seu cheiro.</p>
<div id="attachment_612" class="wp-caption alignleft" style="width: 252px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/paul-hoffman-2-credit-angus-muir1.jpg"><img class="size-medium wp-image-612" title="Paul-Hoffman-2-credit-Angus-Muir1" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/paul-hoffman-2-credit-angus-muir1.jpg?w=242&#038;h=300" alt="" width="242" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Paul Hoffman, where&#039;s your curly moustache?</p></div>
<p style="text-align:justify;">Não dá. Mil perdões, mas não dá pra levar a sério esse livro. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Gv9uYp-HDRA">Tá tudo errado, porra.</a></p>
<p style="text-align:justify;">O que um livro infanto-juvenil precisa? Primeiro, de um protagonista decente. Toda a idéia da produção cultural voltada para esse mercado é fornecer <em>role models</em> com os quais as crianças tendam a se identificar e, através das aventuras, representar o crescimento e o desenvolvimento do mesmo. É a jornada da adolescência, o herói relutante que aceita seu destino e enfrenta seu desafio. Harry Potter não fez sucesso por acaso: os sete livros da J. K. Rowling acertaram em cheio essa questão. Qualquer estudante de Literatura vai saber explicar isso melhor do que eu e dar exemplos muito mais profundos. Então, se o desenvolvimento do protagonista é algo tão importante, como é que Paul Hoffman conseguiu errar da maneira que errou?</p>
<p style="text-align:justify;">Cale é apresentado como um garoto estóico, no sentido mais puro da palavra. Apanha sem reclamar de seus superiores, evita fazer amizades. Não que ele não tenha sentimentos &#8211; ele apenas aprendeu a contê-los muito bem, o que faz sentido em um garoto que vive uma rotina espartana desde que se entende por gente. Quando ele sai da Fortaleza, entretanto&#8230; Sua personalidade muda completamente. Cale fica impulsivo, emocional, irracional até. Hoffman parte de uma premissa interessante &#8211; um garoto isolado da sociedade desde que nasceu &#8211; mas falha em desenvolver seu potencial. Cale esquece tão rápido dos costumes e da rotina de seu antigo lar que parece ter passado apenas alguns meses lá, e não sua vida inteira.</p>
<p style="text-align:justify;">Um erro crasso no desenvolvimento do personagem me irritou particularmente. Veja, quando Cale chega à cidade, ele se apaixona à primeira vista por uma garota, Arbell Materazzi, tida como a garota mais linda da cidade. A idéia de um garoto, que viveu em uma sociedade voltada exclusivamente para a guerra desde que nasceu, demonstrar interesse pelo sexo oposto DIAS depois de sair dela já é algo discutível, mas vamos aceitar por enquanto. Arbell tem o apelido de Pescoço-de-Cisne e o autor, preguiçoso que só, descreve-a assim: &#8220;Como ela era? Bom, imaginem uma garota com um corpo de cisne&#8221;. Corpo de cisne? Ela é gorda, pescoçuda, nariguda e com bracinhos pequenos?</p>
<div id="attachment_614" class="wp-caption alignright" style="width: 235px"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/dsc03907.jpg"><img class="size-medium wp-image-614" title="dsc03907" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/dsc03907.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Talvez ele destrua, talvez não... Sei lá... Vai saber, né...</p></div>
<p style="text-align:justify;">OK, eu me desviei do assunto. Cale começa a fazer besteiras para impressionar Arbell, e Arbell começa a gostar de Cale, apesar de ter medo de seu jeito taciturno e seu instinto assassino. Como eu disse, Cale deixou de ser quieto faz tempo, e acaba desafiando um general do exército para um duelo sem hesitar. Corta para o próximo capítulo. Minutos antes do duelo, Cale espera, morrendo de medo, suando frio. Mas espere, pensa o leitor, Cale não sente medo! Ele é um assassino treinado, matou cinco guardas de uma vez, por que teria medo de enfrentar um guerreiro sozinho, por mais forte que ele seja? Ah, diz o autor, é que semana passada ele DORMIU COM A GAROTA. Dormiu com ela, se apaixonou e agora teme morrer e perdê-la.</p>
<p style="text-align:justify;">E você me conta isso em meio parágrafo, sr. Paul Hoffman? Se era uma cena tão importante para o desenvolvimento do personagem e da história, por que você não dedicou um capítulo inteiro a ela? E de qualquer forma, não é assim que se constrói um personagem, jogando na cara do leitor o que ele sente e esperando que faça sentido. Construir um perfil psicológico exige uma sutileza que falta em todo esse livro.</p>
<p style="text-align:justify;">Além de personalidades inconstantes e erros grotescos em <em>storytelling</em>, o livro também conta com uma ambientação péssima. Nunca fica claro pro leitor se a história se passa na Idade Média ou em um mundo totalmente diferente, embora uma ou duas vezes um personagem menciona que os holandeses cheiram mal, ou que os noruegueses são trapaceiros. Além disso, além da Fortaleza e da cidade onde Cale vai viver, ficamos sem saber mais nada sobre o mundo, e mesmo esses dois lugares são descritos bem superficialmente. Não ficamos sabendo nem mesmo quem são de verdade os tais Antirredentores que os Redentores dizem enfrentar. Mas essa falta de informação, esse vazio imaginativo tem um motivo muito forte&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Este é o primeiro livro de uma TRILOGIA. Porque não basta extorquir as crianças com literatura ruim. Você tem que extorqui-las várias vezes. Se isso não é uma prova clara de que Paul Hoffman é um explorador que escreveu uma coisa qualquer para financiar seu iate, nada mais é.</p>
<p style="text-align:justify;">PS: O final do livro é interessante. Tem uma batalha bem-narrada e, mais pra frente, uma sacada que me lembrou da resenha do Paulo sobre <a href="http://caixacinza.wordpress.com/2010/07/31/livro-o-homem-do-castelo-alto/">O Homem do Castelo Alto</a>. Infelizmente, não são dez páginas que vão salvar esse atentado terrorista literário.</p>
<p style="text-align:justify;">PPS: A tradução da Suma de Letras é decente, a capa é mais ou menos, a contracapa é uma desgraça. O que me admira é que o setor editorial tenha aprovado a tradução desse livro. Talvez eu esteja mal-acostumado demais com bons livros e esteja achando que todos os livros no mercado são bons. Fazer o quê?</p>
<p style="text-align:justify;">PPPS: A foto da contracapa foi afanada do blog <a href="http://botasbatidas.wordpress.com/">Botas Batidas</a>. Não conheço a moça e espero que ela não se enfureça muito por eu ter tomado essa liberdade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/535/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=535&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] Theodore Boone &#8211; Kid Lawyer, de John Grisham</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 21:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[john grisham]]></category>
		<category><![CDATA[theodore boone]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro: Theodore Boone &#8211; Kid Lawyer (Theodore Boone, Advogado-Mirim) Autor: John Grisham Eu já falei um pouco anteriormente sobre autores que alcançaram o sucesso através de uma receita pronta de escrever livros. Dan Brown foi criticado porque seu &#8220;O Símbolo Secreto&#8221; era praticamente idêntico às outras aventuras de Robert Langdon, decepcionando o público que aprendeu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=577&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/theodoreboonecover.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-578" title="TheodoreBooneCover" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/theodoreboonecover.jpg?w=198&#038;h=300" alt="" width="198" height="300" /></a>Livro:</strong> Theodore Boone &#8211; Kid Lawyer (<em>Theodore Boone, Advogado-Mirim</em>)</p>
<p><strong>Autor:</strong> John Grisham</p>
<p style="text-align:justify;">Eu já falei um pouco <a title="[LIVRO] O Símbolo Perdido, de Dan Brown" href="http://poleiro.wordpress.com/2010/06/28/livro-o-simbolo-perdido-de-dan-brown/">anteriormente</a> sobre autores que alcançaram o sucesso através de uma receita pronta de escrever livros. Dan Brown foi criticado porque seu &#8220;O Símbolo Secreto&#8221; era praticamente idêntico às outras aventuras de Robert Langdon, decepcionando o público que aprendeu a amar o simbologista charmoso de terno de tweed. E como eu comentei, repetir a fórmula de sucesso não necessariamente é algo ruim: isso é parte do estilo do autor, e Brown certamente não é o único autor a fazer isso. Tom Clancy, Robert Ludlum&#8230; Danielle Steel lança em média três livros por ano! E um dos mais famosos autores praticantes dessa filosofia é John Grisham, conhecido por seus infinitos livros sobre advogados e Wall Street, todos eles contendo personagens e ambientações muito similares. E eu normalmente não compraria livros do Grisham, mas a premissa de Theodore Boone tem um detalhe genial demais para ser ignorada: é John Grisham PARA CRIANÇAS.<span id="more-577"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Theodore Boone é um garoto de 13 anos, filho único de um casal de advogados, que mora em uma cidadezinha do interior dos EUA. Em um ambiente desses, não é de surpreender que Theo acabe aprendendo alguma coisa dos ofícios dos pais, mas sua paixão pelo Direito vai muito além: não perde uma reprise do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qBFbHIbyhwo&amp;t=1m19s">Perry Mason</a>, vive consultando a biblioteca dos pais e conhece praticamente todo mundo no Tribunal da cidade. Seu conhecimento da Lei é tão grande que ele virou uma espécie de &#8220;conselheiro&#8221; entre seus colegas, ajudando uma amiga cujos pais estão se divorciando, falando com um juiz para tirar um cachorro da carrocinha. E, apesar de ser o <em>supernerd </em>do Largo São Francisco, Theo ainda é um garoto normal, que frequenta a escola, odeia certas matérias e anda de bicicleta com o cachorro. Quando o primeiro julgamento de assassinato em anos está ameaçado de acabar por falta de provas, uma testemunha abre o jogo com Theo, e cabe ao pequeno jovem descobrir como fazer essas novas informações chegarem aos ouvidos da Justiça.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/johngrisham.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-581" title="JohnGrisham" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/08/johngrisham.jpg?w=211&#038;h=300" alt="" width="211" height="300" /></a>Theodore Boone &#8211; Kid Lawyer mostra que John Grisham não é um autor tão popular à toa. Apesar do conceito de um moleque que manja mais de Direito do que muito reprovado da OAB ser um pouco forçado, o jeito pré-adolescente de Theo é retratado impecavelmente, com trejeitos e reações que dão vida ao personagem. Além disso, ele escapa da armadilha de &#8220;infantilizar&#8221; o enredo só porque está escrevendo para um público menor e usar uma visão maniqueísta para definir bem e mal. Não só todos os procedimentos da corte são observados à risca como ele faz questão de reiterar que tanto o promotor quanto o advogado de defesa são apenas profissionais cumprindo seu dever. É preciso coragem para sair da zona de conforto e fazer algo diferente, mas é preciso talento para conseguir entreter mesmo em águas desconhecidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Ademais, é um livro um tanto curto, e com um final aberto meio capenga, que dá a entender que Grisham quer transformar o livro em uma série infantil, algo um tanto revoltante. Parece que é moda agora escrever um livro e deixar de contar o fim para incentivar o leitor a comprar a parte dois. Isso é errado. Isso é uma prática maligna. Harry Potter só fez sucesso porque, apesar de ser uma saga imensa, os quatro ou cinco primeiros livros tinham começo, meio e fim. Até Star Wars foi assim. Dada a fama e o talento do autor, eu não duvidaria que isso acontecesse. Mas, para a infelicidade de Grisham, os jovens do século XXI já têm um <a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/73/Phoenix_Wright_-_Ace_Attorney_Coverart.png">herói advogado bem mais legal</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/577/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/577/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=577&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[LIVRO] The Last Wish &amp; Blood of Elves, de Andrzej Sapkowski</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 00:04:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri 'Arara' Oliveira Petnys</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[andrzej sapkowski]]></category>
		<category><![CDATA[blood of elves]]></category>
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		<description><![CDATA[Livro: The Last Wish &#38; Blood of Elves Autor: Andrzej Sapkowski Como é de costume em todas as viagens diplomáticas de Estado, os presidentes costumam trocar presentes para demonstrar apreço pelo visitante ou agradecer ao anfitrião. E na última visita de Obama à Polônia, não foi diferente &#8211; o atual presidente da Polônia, como manda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=520&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/thelastwish.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-527" title="TheLastWish" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/thelastwish.jpeg?w=194&#038;h=300" alt="" width="194" height="300" /></a><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/bloodofelves.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-525" title="BloodOfElves" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/bloodofelves.jpg?w=201&#038;h=300" alt="" width="201" height="300" /></a>Livro:</strong> The Last Wish &amp; Blood of Elves</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Autor:</strong> Andrzej Sapkowski</p>
<p style="text-align:justify;">Como é de costume em todas as viagens diplomáticas de Estado, os presidentes costumam trocar presentes para demonstrar apreço pelo visitante ou agradecer ao anfitrião. E na última visita de Obama à Polônia, não foi diferente &#8211; o atual presidente da Polônia, como manda o protocolo, presenteou-o com o que há de mais relevante da produção cultural nacional dos últimos anos. Entre os presentes, que incluíam um iPad com diversos filmes premiados, estavam os livros de Andrzej Sapkowski. E isso é digno de nota porque os livros em questão são romances de fantasia medieval, um gênero olhado com maus olhos por qualquer intelectual (a menos que seu sobrenome seja Tolkien), e que só foram ganhar fama mundial por terem sido a inspiração para a série de jogos The Witcher (que também estavam entre os presentes). Como eu acho que o presidente da Polônia não arriscaria sua carreira política para promover uma série de livros ruins, então eu achei justo arriscar a leitura dos dois livros da saga que já foram traduzidos para o inglês.<span id="more-520"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Os livros giram em torno de Geralt de Rivia, um &#8220;witcher&#8221;, uma espécie de mercenário especializado em matar monstros de todos os tipos. Como essa é uma profissão um tanto quanto insalubre, os witchers são disciplinados desde cedo na arte da espada e da magia, e no processo ingerem substâncias misteriosas que alteram seu próprio corpo, permitindo-lhes maior agilidade, força e sentidos mais apurados. Isso os transforma em uma espécie de mutante, com detalhes em sua aparência que causam estranhamento às pessoas comuns. Por isso, os witchers geralmente são vistos com maus olhos pela população. O fato deles só ajudarem quem lhes paga de acordo não ajuda muito a situação, também.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/andrzejsapkowski.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-529" title="AndrzejSapkowski" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/andrzejsapkowski.jpg?w=212&#038;h=300" alt="" width="212" height="300" /></a>O primeiro livro, The Last Wish (lançado no Brasil como O Último Desejo pela Martins Fontes), é uma coleção de contos que ambientam o personagem e o cenário. Geralt já é um witcher experiente, dotado de uma certa fama e conhecido em alguns círculos como o Lobo Branco. Várias das histórias do livro seguem mais ou menos um mesmo padrão: Geralt chega em uma vila, resolve o problema dela, pega o dinheiro e vai embora (ou, alternativamente, é expulso pela vila sem receber um tostão). Mas cada vila tem um problema diferente, e cada problema tem um dilema diferente. Geralt por vezes se vê diante de escolhas morais difíceis, que revelam pouco a pouco sua personalidade estóica, mas firme e moralista, guiada por um sólido código de honra. Nosso herói só revela uma faceta menos &#8220;profissional&#8221; e mais humana, jovial até, quando está junto de algum de seus poucos amigos: Nenneke, uma sacerdotisa da deusa Melitele, onde Geralt se refugia para descansar e se recuperar de suas feridas, e Dandelion (&#8220;dente-de-leão&#8221;; Jaskier, no original), um bardo que às vezes acompanha Geralt para criar canções inspiradas em suas aventuras. Entre os vários contos, estão a história da princesa-monstro amaldiçoada cujo pai se recusa a deixar que matem, um ogro que vive isolado na floresta e &#8220;aluga&#8221; jovens de uma cidade próxima para saciar sua solidão, e o relato de como Geralt conheceu Yennefer, uma feiticeira com a qual acaba se envolvendo amorosamente.</p>
<p style="text-align:justify;">A história começa a ficar realmente boa no segundo livro, Blood of Elves, e o primeiro livro da saga de verdade. Entre Blood of Elves e The Last Wish passaram-se mais ou menos treze anos, e muita coisa mudou no mundo. Os elfos, exilados nas montanhas desde que os humanos chegaram no Continente, se uniram em uma frente de batalha poderosa com o intuito de reconquistar as terras que lhes são de direito. Essa frente conquistou um sem-número de territórios, incluindo o antes-glorioso reino de Cintra, até chegar a uma barreira geográfica &#8211; o rio Yaruga &#8211; que impôs uma pausa temporária na guerra. Foi aí que surgiram boatos (espalhados pelo Dandelion meio que sem querer, assim) de que a herdeira do trono de Cintra não morreu no cerco e está escondida em algum lugar &#8211; e está mesmo. Ciri, agora com 12 anos, está sendo treinada por Geralt e seus companheiros para ser uma witcher e para dominar seus poderes latentes, derivados de sua herança genética élfica. Enquanto isso, vários reinos se mobilizam para encontrar a garota e a utilizarem como um peão em seus estratagemas políticos.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/oultimodesejo.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-531" title="OUltimoDesejo" src="http://poleiro.files.wordpress.com/2011/07/oultimodesejo.jpg?w=199&#038;h=300" alt="Capa da versão brasileira, da Martins Fontes" width="199" height="300" /></a>Por mais bem cuidado que seja, o segredo do livro não está no plot. Embora seja um tanto interessante no segundo livro, remetendo de certa forma às intrigas políticas de Final Fantasy Tactics, ele não só demora um bocado a desenrolar como também acaba sem mais nem menos. Não é como um Senhor dos Anéis, Crônicas dos Fogo e do Gelo,  Duna, Percy Jackson ou qualquer outra série de ficção, onde o autor termina o livro depois de um clímax intenso para dar ao leitor a satisfação de que, mesmo que a saga continue, uma história foi contada e chegou ao fim. Pff, o livro acaba logo depois de um <span style="text-decoration:underline;"><em>flashback!</em></span><em> </em>Mas como eu disse, o plot não é o ponto principal do livro. Tanto mais interessante são os pequenos detalhes sobre o mundo que o autor coloca, em especial os anacronismos. Temos desde druidas ecofanáticos brigando pela preservação da natureza até a briga eterna entre físicos e engenheiros refletida nos magos (profundos conhecedores da teoria) e nos witchers (que simplesmente aplicam o básico da teoria para obter resultados).</p>
<p style="text-align:justify;">O outro ponto forte do livro é Geralt. Embora os outros personagens não recebam a ênfase e o tratamento que mereçam, é Geralt aquele que centraliza todas as atenções. No primeiro livro, Geralt é jovem, impulsivo, ainda que um tanto sério e calado. No segundo livro, treze anos depois, Geralt está velho &#8211; não só de corpo, mas principalmente de espírito. Essa transição não é explicitada, mas dá a entender que foi o <em>affair</em> com Yennefer, e sua posterior separação (causada por um triângulo amoroso!), que mudou o jeito de ser de Geralt. E é nesse desenvolvimento de Geralt como um herói relutante, um mercenário estóico, um amante melancólico e um &#8220;pai&#8221; preocupado que ele se torna humano e o livro ganha sentido. Ainda que a história nessa década de vácuo seja contada só pelo alto, o relacionamento de Geralt com Ciri, Yennefer e Triss Merigold (a &#8220;outra&#8221;) é o ponto verdadeiramente encantador dos livros. Blood of Elves possui a cena mais tocante e expressiva que eu já li no que se refere a ciúmes e inveja &#8211; intensa sem ser piegas, emocional mas totalmente crível. Um trecho curto, simples, mas que me fez fechar o livro e ficar olhando pro reboco da parede por um tempo &#8211; algo que outros romances melosos, como O Morro dos Ventos Uivantes, não conseguiram provocar em mim.</p>
<p style="text-align:justify;">O próximo livro da série só vai sair em inglês em 2012, e a saga já está no quinto livro. Até lá, o jeito é jogar os jogos (disponíveis no <a href="http://www.steam.com">Steam</a> ou no <a href="http://www.gog.com">GOG.com</a>) ou caçar a série de TV polonesa &#8211; ou então aprender polonês logo, que deve ser mais rápido do que esperar a tradução dos romances. Você também pode comprar a edição da Martins Fontes, que conta com uma tradução mais fiel que a americana e uma capa bem austera e elegante, tão bonita quanto a americana e mil vezes melhor do que as <a href="http://images2.wikia.nocookie.net/__cb20090819225908/witcher/images/5/5c/Lithuanian_SoD.jpg">lituanas</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poleiro.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poleiro.wordpress.com/520/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=polei.ro&amp;blog=12373445&amp;post=520&amp;subd=poleiro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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