Eu terminei de ler Guerra dos Tronos ontem, não por coincidência um dia depois do meu Kindle novo chegar. Meu Kindle 2 morreu lá pelos três quartos do livro, e eu tentei retomar a leitura pela versão brasileira, sem sucesso. Era uma tarefa de paciência ter que pausar a leitura a cada Correrrio para associar ao seu respectivo Riverrun, ligar cada King’s Landing ao seu Porto Real, e eu não estava muito disposto a me estressar com meu entretenimento. Só depois de meu Kindle chegar que eu devorei o resto do livro em duas noites.
Como de costume, eu ia escrever sobre o livro aqui no Poleiro, mas a perspectiva não me empolgava nem um pouco. O que dizer de um livro que praticamente todo mundo já conhece? A maioria dos meus amigos interessados na série já estão livros à frente, e bater em cavalo morto seria um exercício fútil e desnecessário. E foi pensando em alguma maneira de abordar o conteúdo do livro de uma maneira interessante que eu acabei cruzando olhares com meus volumes de Senhor dos Anéis, na estante, pegando poeira.
O Senhor dos Anéis é um marco na literatura de fantasia medieval, certamente um dos livros mais importantes do século XX, mas, como discuti na microrresenha sobre Ulysses, ando meio cético quanto ao valor de uma obra enquanto marco histórico: ela tem que ser agradável e relevante ao mundo atual, e não celebrada por ter sido interessante algum dia, uma hipocrisia tão absurda quanto fazer luto pelo Wando no Facebook. E Senhor dos Anéis é um exemplo clássico de um livro que perdeu a relevância no mundo atual, porque seu ponto forte – suas idéias inovadoras e seu extenso mundo imaginário – há muito já se incorporaram na cultura mundial, enquanto suas características literárias são sabidamente abaixo da média, uma narrativa lenta e lodosa com manias dispensáveis.
Resumindo: ao terminar de ler Guerra dos Tronos, descobri que não gosto mais de Senhor dos Anéis, ou pelo menos não dos livros. E vou tentar explicar o porquê.
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