Poleiro Elétrico

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[LIVRO] O Homem que era Quinta-Feira, por G.K. Chesterton

Publicado por Yuri 'Arara' Oliveira Petnys em 30/10/2010

Livro: O Homem que era Quinta-Feira (The Man Who Was Thursday)

Autor: G.K. Chesterton

Editora: Project Gutenberg

 

“Oh, era tudo um sonho!” – quantos autores já não se utilizaram desse artifício para encerrar rápidamente uma obra mal-engendrada, sem se dar ao trabalho de amarrar as pontas soltas do enredo e arcar com as conseqüências das ações narradas até então? Quem nunca leu uma história que termine com o protagonista acordando de um sonho de 300 e tantas páginas?

Talvez fosse ciente disso que G.K. Chesterton tenha estampada na capa original de sua obra o título “The Man Who Was Thursday: a nightmare by G.K. Chesterton”, certo de que a honestidade é a melhor política e que, ao alertar de antemão seus leitores sobre o teor da obra, a chance deles se decepcionarem fosse menor. O que, independente do título, seria algo muito difícil de acontecer.

Em uma Inglaterra do século XVIII, o jovem poeta Gabriel Syme faz parte de uma ramificação secreta da Scotland Yard, denominada a Polícia Filosófica, formada por artistas e cientistas que, com sua inteligência e sensibilidade apuradas, tem o dever de impedir que anarquistas consigam demolir todas as instituições morais e políticas da nação. Através de muita astúcia, ele consegue se infiltrar nas maquinações da organização anarquista (o que em si só já é uma contradição) e integrar o restrito círculo do poder, formado por 7 homens, cada um conhecido apenas por um dia da semana (daí o título do livro) e liderados pelo sinistro e misterioso Sunday.

Logo em sua primeira reunião, Sunday revela a existência de um espião da Polícia entre os sete (que, para o alívio e surpresa de Gabriel, não era ele) e o expulsa da mesa. Com medo que seu plano possa ir por água abaixo, Gabriel decide agir sem perda de tempo para derrubar os membros restantes, um a um. Daí em diante, uma série de acontecimentos vai revelando a verdade por trás da seita anarquista, à medida que Syme confronta um a um os curiosos e diferentes líderes revolucionários.

Diferentemente de outros autores que utilizam o “sonho” apenas como uma fuga rápida de um navio indo a pique, Chesterton já tinha em mente desde o começo a forma que seu livro teria. As cenas do livro vão progressivamente tomando ares mais abstratos e subjetivos, por vezes absurdos. Syme adentra um covil anarquista através de uma mesa de bar que gira em torno de um parafuso até chegar ao subsolo. Um senhor idoso retira sua máscara e, subitamente, torna-se um homem jovem novamente. Os olhos de um cidadão brilham feito estrelas. E esse é só o começo.

Assim como a narrativa, os diálogos vão se tornando cada vez mais filosóficos, mais etéreos. Isso não significa que eles se tornam desinteressantes, mas sim o contrário: os diálogos são o ponto mais forte da obra, reunindo tanto frases memoráveis quanto seqüências engraçadíssimas. Em especial, quando Syme chama um companheiro policial de covarde por temer se opor ao monstruoso Sunday, este assim responde:

 

“Jovem, estou surpreso por me julgar covarde. Responderei a isso com apenas uma frase, aproveitando-me de sua retórica filosófica singular. Você acredita ser possível derrotar o Presidente. Eu sei que é impossível, mas tentarei mesmo assim.”

Tanto o tom viajante da história quanto os diálogos afiados fazem d’O Homem que era Quinta-Feira um livro bacana e, embora curto, no tamanho certo para ser lido casualmente. É gratificante ver certos autores utilizarem o sonho como um ambiente rico e explorável, e não apenas como uma ferramenta Deus Ex Machina. Além disso, o livro pode ser baixado legalmente e gratuitamente pelo Project Gutenberg (www.gutenberg.org), então tire cinco minutos do seu tempo para dar uma folheada virtual nele!

Por falar em sonho, e em como utilizá-lo como um ambiente rico e cheio de possibilidades, assistam A Origem (Inception). É ótimo.

 

4 Respostas para “[LIVRO] O Homem que era Quinta-Feira, por G.K. Chesterton”

  1. EUS disse

    Parece foda.
    O título já é interessante por si só. Com tudo o que você disse aí, o negócio deve ser bom mesmo.
    Me interessei bastante. Os diálogos devem ser ótimos!

    Valeu!

  2. zaolat disse

    Saudações

    Muito bom. Falando em filmes que mexem com sonhos, um outro interessante é Paprika.

  3. Tallu disse

    EITA! Em que intervalo vc leu esse?

  4. @LipeML disse

    INception é muito legal mesmo, tô esperando chegar a maleta do blu-ray.
    Vou dar uma olhada, capaz de eu ler pelo pc…

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