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[LIVRO] O Símbolo Perdido, de Dan Brown

Publicado por Yuri 'Arara' Oliveira Petnys em 28/06/2010

Livro: O Símbolo Perdido (The Lost Symbol)

Autor: Dan Brown

Editora: Sextante

A idéia de se manter um site de críticas é um incentivo para entender melhor como funciona nossa própria mente. Ao analisar a fundo o que nos levou a gostar ou desgostar de uma determinada obra, descobrimos certos preconceitos inerentes à nossa personalidade e, ao confrontá-los, podemos construir opiniões mais elaboradas sobre o assunto. Por isso, tento ler livros de diferentes estilos para poder descobrir características novas desse ‘viés mental’. Repudiado pela massa intelectualóide, nem por isso deixei de ler o novo livro de Dan Brown, e veremos que ele não é tão ruim quanto parece.

O Símbolo Perdido é a terceira aventura de Robert Langdon, professor de simbologia com uma habilidade incrível para se meter em encrenca. Neste livro, Langdon é convocado de madrugada a pedido de Solomon, um grande amigo seu, para realizar uma apresentação urgente em Washington. Chegando lá, ele descobre que nada é o que parece, e acaba se envolvendo numa trama misteriosa envolvendo um maníaco e segredos maçônicos escondidos na capital dos Estados Unidos.

A primeira grande crítica que todo mundo gosta de apontar nos livros do Dan Brown é a similaridade que existe entre eles. Muitos elementos são recorrentes nas obras do autor: as Langdon Girls (a companheira feminina de aventuras que, assim como as Bond Girls, mudam a cada livro); ameaças que podem acabar com o mundo; agentes duplos e polícia corrupta, entre outros. Mas a verdade é que essa característica não é necessariamente ruim. Posso citar vários autores que mantém um estilo bem-definido ao longo de suas obras (incluindo alguns favoritos meus, como Frank Herbert e Terry Pratchett), de modo que basta ler algumas poucas páginas de qualquer livro deles para identificar o autor. A maioria das pessoas talvez não perceba isso porque, bem, talvez não costumem ler mais de um livro por autor – sendo Dan Brown a exceção.

Robert Langdon é um protagonista improvável. Dentre todas as profissões que poderiam fazer parte de grandes enredos (astronautas, agentes secretos, empresários, samurais), professores de simbologia certamente estariam no fim da lista. E ainda assim, Dan Brown consegue transformar uma atividade aparentemente inane em uma profissão curiosa e empolgante. É um Indiana Jones que não precisa recorrer ao chicote para se tornar memorável. Por outro lado, Langdon acaba ofuscando os outros personagens secundários, que se tornam meras ferramentas do autor para quem o docente pode explicar suas deduções e manter o ritmo da trama.

A grande estrela de O Símbolo Perdido é o antagonista, Mal’akh. Ao longo do livro, ora acompanhamos os heróis, ora o vilão, criando uma dinâmica similar a um jogo de xadrez, onde cada lado movimenta suas peças alternadamente. Talvez por estar longe de Langdon, o autor consegue desenvolver a fundo a mente insana de um brutamontes tatuado dos pés à cabeça, e sua vida até o ponto da história em questão. É uma novidade muito bem-vinda nos livros de Dan Brown, onde ele pouco se preocupava com as motivações dos grandes vilões e sempre terminava seus enredos com um desfecho a là Scooby-Doo.

Se por um lado O Símbolo Perdido possui um punhado de personagens bons e um assunto um tanto quanto instigante, é na execução que a coisa começa a pegar. Dan Brown se apóia demais em certos gimmicks que, acumulados, frustram qualquer leitor mais atento. Tanto Langdon quanto seus aliados deliberadamente escondem informações importantes do leitor apenas para criar um gancho para o próximo capítulo. Reviravoltas previsíveis dignas de obras como La Usurpadora. Um sem-número de discussões metafísicas superficiais e sem fundamentos, com o simples propósito de dar o tom da história. E talvez o pior dos defeitos, um final decepcionante, com *SPOILER* uma ameaça nem um pouco ameaçadora, fruto da paranóia de um bando de velhos. *SPOILER*

No geral, espere o mesmo que os outros livros do Dan Brown: uma leitura fácil e agradável, com uma porção de fatos curiosos sobre a sociedade secreta da vez, com Robert Langdon e seu relógio do Mickey, com uma história rasa e simplória e com um doidão com uma fênix no peito. Ah, e para Dan Brown, a final do Super Bowl só tem um time, e ele é o Redskins (ele nunca menciona o time que os Redskins estão enfrentando).

NOTA DA EDIÇÃO BRASILEIRA: A editora Sextante fez um bom trabalho, mantendo o padrão dos outros livros. Capa igual à da edição americana, tipografia decente, tradução competente. Uma grande ocorrência de ‘LANDGON’s, mas nada que não seja perdoável.

Jogando sozinho, qualquer um é campeão.

7 Respostas para “[LIVRO] O Símbolo Perdido, de Dan Brown”

  1. FlameHaze disse

    Mais uma ótima resenha, pra variar.

    Eu gostei do livro. Achei divertido.

  2. Aylons disse

    Resenha espetacular.

  3. Tallu disse

    Não tive saco de terminar de ler… cansei pouco depois da p. 100…

    Mas se vc gostou, é o que importa ^^

  4. EUS disse

    Dan Brown é um lixo mesmo. Muito bem dito. E viva a massa intelectualóide. E viva Scrotie McBoogerballs. =D

    Valeu. Ótima resenha.

    “Por outro lado, Langdon acaba ofuscando os outros personagens secundários, que se tornam meras ferramentas do autor para quem o docente pode explicar suas deduções e manter o ritmo da trama.”
    Essa parte ficou ambígua. O docente explica pras ferramentas (personagens secundários) ou pro autor?
    =P

  5. Daigreon disse

    Dan Brown? Não, obrigado. Mas foi uma resenha legal. Só não o bastante pra me fazer ler algo dele de novo.

  6. Falleco disse

    Só li um livro dele, O Simbolo Perdido, e até que gostei de ler.

    Um livro não precisa ser perfeito, tem que ser legal de ler e achei que ao menos esse conseguiu me manter interessado até o fim.

    Tem vários clichês e gimmicks como o Arara disse, mas até aí qqr autor faz isso. Não entendo a repúdia que alguns possuem com determinados autores, principalemente estes que estão em foco. Mas enfim, gosto é gosto né.

    Ótima resenha, pra variar! Quando crescer quero ser que nem vc uhuuhuh

    – Israel

  7. Dimitria disse

    Eu adorei o livro Anjos e Demônios, que foi o primeiro do Dan Brown que li, e depois desse quis ler todos os outros do autor.. Infelizmente, depois no primeiro nenhum dos outros me satisfez muito, justamente por serem sempre iguais e previsíveis. O personagem do Lagdon é estático, não evolui.. Conhece tantas coisas e ainda assim tem uma mente tão fechada. Contraditório demais.

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