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[LIVRO] O Vendedor de Armas, por Hugh Laurie

Publicado por Yuri 'Arara' Oliveira Petnys em 06/06/2010

Livro: O Vendedor de Armas (The Gun Seller)

Autor: Hugh Laurie

Editora: Planeta

O que é preciso para se escrever um bom livro? Cenários interessantes? Personagens críveis e detalhados? Uma trama intrincada? Discussões filosóficas? Ação? Estilo próprio? Em O Vendedor de Armas, escrito por Hugh Laurie (mais famoso por seu papel como Dr. Gregory House, na série House, M.D.), podemos encontrar todos os itens acima (em maior ou menor intensidade), mas nem por isso o livro conseguiu ser marcante. Vejamos por quê.

O livro trata de Thomas Lang, ex-agente secreto britânico que passa a vida fazendo pequenos bicos como guarda-costas para figurões. Em um de seus trabalhos, Thomas é abordado por um distinto senhor, que lhe oferece anonimamente uma soma exorbitante em dinheiro para que o ex-espião assassine um grande industrial. Sendo um cidadão que acata a ordem e os bons costumes, Thomas recusa a proposta e, alguns dias depois, ainda decide avisar o dito burguês. Então Lang se envolve num imbroglio de grandes proporções, ao agredir sem querer aquele que era o suposto guarda-costas do alvo e ao descobrir que a grana fora depositada em sua conta. Com o desenrolar da trama, a história muda de perspectiva, seguindo em direções diferentes e por vezes inesperadas.

Thomas Lang é o House da Scotland Yard. O livro é narrado em primeira pessoa (pelo próprio Lang), e ele não perde nem a mais dispensável das oportunidades para enxertar uma piadinha sardônica ou um comentário irônico. Thomas Lang anda de moto, conhece anatomia como ninguém e atira-se às mulheres sem o menor recato. Ele ainda é um ator nato, capaz de enganar praticamente qualquer um com sua lábia. É impossível não visualizar o paralelo ao ler o livro. Céus, ao ler, era como se eu ouvisse um audiobook do Laurie.

E eis um dos grandes defeitos do livro. As piadinhas são tantas, e algumas são tão obtusas, que quebram um pouco do clima do livro. O autor se esforça demais para ser engraçado, mas nem sempre acerta o timing ou o momento certo. Quando ele acerta a mão, é hilário; quando erra, um desastre. E não é porque Laurie faz humor inglês, mas sim porque exagera na dose.

É difícil apontar exatamente o que foi que me agradou ou não no livro. A motivação dos personagens é por vezes confusa e não muito realista; reviravoltas um tanto quanto óbvias; diálogos ligeiramente forçados. O contraste de valores morais presente na segunda metade do livro é mal-explorado, e poderia enriquecer muito mais a história. Assim como muitos filmes da Sessão da Tarde, o livro entretém e cativa, mas apenas enquanto se está lendo. Ele não MARCA.

Esse talvez tenha sido a resenha mais difícil de escrever até então. Porque quando um livro é BOM, é fácil passar horas puxando o saco do autor. Quando o livro é RUIM, enxerga-se tantos defeitos que escreve-se uma crítica com facilidade. Mas quando o livro cai exatamente no meio-termo, o que dizer? Laurie escreveu O Vendedor de Armas em 1996, e seu segundo livro estava agendado para 2009

Nota da edição nacional: a Editora Planeta talvez tenha percebido que o livro não é exatamente aquelas coisas. Talvez por isso sua campanha publicitária tenha abordado tão agressivamente o fato do autor ser o House (incluindo uma foto que cobre a quarta capa inteira e uma faixa de papel envolvendo o livro que anuncia o fato). A tradução é obra do conhecido Cassius Medauar (editor da saudosa Herói e da edição brasileira de Dragon Ball), que faz um trabalho… regular. Particularmente irritante é o modo com que ele lida com palavrões (“O que é tão fodendo importante assim?”) e expressões idiomáticas (“não atingiria a lateral de um celeiro”). Me limito a opinar que faltou capricho.

5 Respostas para “[LIVRO] O Vendedor de Armas, por Hugh Laurie”

  1. DAIGREON disse

    Sei lá,por não ter lido não posso dizer 100%,mas vai que ele queria que parecesse forçado? Pq filme e livro de espião é lgo forçado por natureza. Enfim,vou ver se acho por aqui pra conferir. E eu ainda roubo o trampo desse cara. Ah,roubo.

  2. onmitsu disse

    É, menino… Você teve as tripas pra ler esse livro.

  3. Filipe Lima disse

    “O que é tão fodendo importante assim?” é lamentável.
    Acho que um porra bem colocado exprime razoavelmente o que o cara quer dizer: “O que porra é tão importante assim”.
    Enfim, eu vi um “MErda de touro” em uma tradução de Bukowski…

    Se o livro é de 96, House é baseado em Thomas Lang E em Sherlock Holmes? Ou será que Laurie foi construindo House baseado em Lang?

    Enfim, eu não sei o que dizer. Mesmo assim fiquei curioso de ler. Se alguém comprar eu peço emprestado.

  4. EUS disse

    É… Esse livro parece beeeeem mais ou menos.
    “O que é tão fodendo importante assim?” é tenso mesmo. “Merda de touro”, então…

    Valeu pelo texto.

  5. Dimitria disse

    Crítica muito bem escrita! Exprimiu em palavras tudo oq pensei do livro.. É bom, mas é exagerado, e por isso cansativo. Não é um total desperdício né, mas ainda falta muito pra ser um best seller.

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