[LIVRO] As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury
Publicado por Yuri 'Arara' Oliveira Petnys em 23/05/2010
Livro: As Crônicas Marcianas (The Martian Chronicles)
Autor: Ray Bradbury
Editora: Círculo do Livro
O que me fascina na ficção científica é a exploração dos mil e um rumos que nosso mundo pode tomar, a cada decisão, a cada momento. Seja um futuro recente, como em Neuromancer, ou em um futuro bem distante, como em Duna, as possibilidades que o amanhã reserva são tão vastas que é difícil não se surpreender ao ler uma história do gênero. Narrativas sobre o futuro levam à reflexão, a uma mudança de paradigma. Com toda essa admiração, qual não foi minha surpresa ao saber que o autor de Fahrenheit 451, que eu acabara de ler, tinha lançado um livro exatamente sobre exploração espacial?
Recomendado por um amigo, comprei As Crônicas Marcianas em um sebo por uma bagatela, esperando ler um enredo sério e crítico, uma distopia desesperançosa e assustadora, como no livro anterior do autor. E não foi isso que eu encontrei… a princípio.
As Crônicas Marcianas, como o título diz, é um conjunto de umas 30 pequenas crônicas, mais ou menos independentes entre si, contando a história das missões terrestres que tinham como objetivo colonizar Marte. Embora elas descrevam fatos isolados, há uma trama que une todas as histórias e dá forma ao enredo. E como eu havia mencionado, ao ler os primeiros contos, eu fiquei em dúvida se estava mesmo lendo o livro certo. A verdade é que o tom das histórias não é consistente entre si: Bradbury alterna entre contos bem-humorados e crônicas pesadas e pessimistas, incluindo até mesmo alguns textos mais poéticos.
Isso não é RUIM. Longe disso, aliás. Ri alto ao ler “Os homens da Terra” e “As cidades silenciosas”, fiquei nervoso em “…E a lua continue tão brilhante” e até senti uma pontadinha de melancolia em “Chegarão chuvas suaves”. Nota-se o espírito contestador do autor em vários trechos, mas seus ataques se mesclam a um imenso talento em storytelling. Essa mudança de ritmo, ao contrário do que se pode pensar, apenas torna a leitura mais agradável e cativante, de modo que terminei o livro em dois dias.
Mas o livro também não é perfeito. Há algumas inconsistências e contradições aqui e ali, o final é meio decepcionante (embora bonito, devo admitir), e aquilo que eu acredito ser o principal defeito: Bradbury tem uma certa dificuldade em se livrar do paradigma de “homenzinhos verdes” ao se referir aos marcianos. Os marcianos de Bradbury são criaturinhas pequenas, de cores diferentes, com poderes mágicos e ferramentas tecnológicas absurdamente avançadas. Essa visão mais inocente atrapalha de certo modo a apreciação da obra, especialmente no segundo conto (justo no começo!).
Em suma, o livro é uma leitura agradável, despretensiosa e valeu os tostões dispendidos. A versão que eu comprei, do Círculo do Livro, tem capa dura, é bem-editado e tem uma biografiazinha de duas páginas sobre o autor no final.
E fiquem preparados que vem mais por aí.


Hasashi disse
Bacana, seja lá quem recomendou scored a good shot.
Tallu disse
Nem sabia que vc tava lendo isso amor…
Sabia que vc tava lendo o Crime e Cartigo e O Vendedor de armas.
Em que subtempo espacial vc leu esse?
EUS disse
Você descreveu bem o livro. Realmente não é nenhuma obra-prima, apenas boa ficção científica bem contada.
Concordo sobre o talento do Bradbury em storytelling. Juntamente com algumas sacadas geniais de alguns poucos contos, essa é a qualidade mais notável do livro.
O cara é um exímio contador de histórias de ficção científica. Quem sabe escrever sci-fi, sabe.
Valeu e parabéns por mais um agradável texto.
Metal is the law.